Bap apresenta projeto de R$ 500 milhões na Gávea e já tem licença da Prefeitura

O projeto de transformação da sede da Gávea do Flamengo avançou significativamente. O complexo hoteleiro estimado em R$ 500 milhões já recebeu licença da Prefeitura do Rio e segue em desenvolvimento sob a liderança do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap.

O empreendimento é ambicioso em escala. Prevê a construção de dois hotéis de quatro estrelas, com duas torres de dez andares cada, totalizando 348 quartos e 536 vagas de estacionamento. Integrado ao complexo hoteleiro, haverá um shopping center com 82 lojas, transformando o local em um centro comercial e de hospitalidade.

A proposta começou diferente. Inicialmente, a ideia era construir um único hotel cinco estrelas na Gávea. Contudo, a concepção evoluiu para duas unidades de quatro estrelas, com mais quartos e conexão a uma estrutura comercial maior. Essa mudança reflete análises de viabilidade e demanda do mercado.

De hotéis a parques: o plano maior de Bap para a Gávea

O projeto hoteleiro, porém, é apenas parte de uma visão mais ampla do dirigente rubro-negro. Bap apresentou aos conselheiros em junho, além dos hotéis e shopping, a possibilidade de um centro de entretenimento e um parque de diversões com atrações voltadas especificamente ao público do Mengão.

A sede da Gávea, que abriga um estádio, recebia pouca utilização em suas arquibancadas originais. O motivo é simples: o local fica próximo a hospitais e residências, o que torna o barulho do público um problema durante partidas. Por isso, a Gávea passou a funcionar principalmente para treinos e eventos, não para jogos de grande impacto sonoro.

Essa realidade abriu espaço para o Mengão reimaginar o uso do local, transformando um espaço subutilizado em um gerador de receita através de uma parceria comercial estruturada.

XP e BTG Pactual na ponta da negociação

O financiamento do projeto ainda não está fechado, mas há nomes fortes na conversa. Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, XP e BTG Pactual aparecem como favoritos para financiar o empreendimento e já analisam a proposta em detalhes.

Uma das prioridades do Clube da Gávea é não comprometer o caixa próprio. Desde a apresentação inicial, Bap deixou claro que o clube não pretende usar recursos próprios na obra. A estratégia é formar parcerias com investidores que participem dos resultados do empreendimento sem que o rubro-negro precise fazer aporte direto.

Depois da definição do financiador, outra etapa crucial será escolher a rede hoteleira responsável pela operação do complexo. Essas negociações podem levar meses e envolvem discussões sobre gestão, padrão de atendimento e integração com as demais estruturas comerciais.

A estrutura de parceria reflete uma tendência do clube em modernizar sua gestão. Bap tem buscado soluções que gerem receita sem comprometer a liquidez imediata do Mengão, uma estratégia importante considerando os desafios financeiros que a Nação rubro-negra enfrenta em outras áreas.

Outras obras avançam no Ninho do Urubu

Enquanto a Gávea recebia aprovação municipal, o clube prosseguia com investimentos no Ninho do Urubu. Um miniestádio está em construção no Campo 10 da cidade de treinos, com conclusão prevista entre julho e agosto de 2027.

A capacidade dessa nova estrutura foi ampliada significativamente. O local passará a comportar 4.500 torcedores, mais que o dobro dos 2 mil lugares previstos na concepção inicial do projeto. Essa expansão permite que o clube realize eventos e ativações comerciais com maior volume de público, complementando a estratégia de receita do Mengão.

O investimento em infraestrutura do Clube da Gávea reflete uma mudança no modelo de gestão. Projetos estruturados de longo prazo, parcerias com investidores externos e modernização das instalações marcam o trabalho de Bap desde sua chegada à presidência, sinalizando uma instituição que busca ampliar sua base de receitas além do futebol tradicional.