A recontratação de Lucas Paquetá colocou o Flamengo no centro das conversas do mercado da bola: além de ser o maior investimento da história do clube e do futebol brasileiro, a chegada do camisa 20 alterou prioridades e limitações orçamentárias apontadas pelo diretor-executivo de futebol, José Boto. Mesmo atento a oportunidades, o clube passa a filtrar propostas com mais rigor após o gasto recorde.
Bastidores da negociação
A negociação por Lucas Paquetá começou ainda antes do Natal, quando o agente do jogador abriu a possibilidade de retorno ao Rio de Janeiro. O Flamengo enfrentou uma disputa com clubes europeus e encarou pedidos iniciais perto de 60 milhões de euros antes de fechar em 42 milhões de euros com o West Ham.
Para a diretoria, o montante se justificou pela versatilidade do jogador e pelo ganho imediato ao elenco comandado por Filipe Luís. José Boto destacou que a vontade do atleta foi determinante para viabilizar o acerto.
“Sem essa vontade dele, mesmo que tenhamos pujança financeira para lutar com alguns clubes europeus, não daria. O valor que pagamos, 42 milhões de euros, haveria na Europa seguramente 10, 15 clubes que poderiam contratá-lo”
Internamente, o Flamengo avalia que Paquetá representa soluções táticas múltiplas e, por isso, reduz a necessidade de substituições em série no mercado. A diretoria entendeu que o jogador pode suprir lacunas em diferentes setores do meio-campo e do ataque.
“Chegamos à conclusão de que o Paquetá não é só um reforço, mas três ou quatro por causa das posições que ele faz e pela qualidade com que ele faz. (…) O fato de ter sido o Paquetá, que pode fazer quatro ou cinco posições, fez com que decidíssemos avançar por essa contratação”
Limite orçamentário e atenção ao mercado
Ao comentar a possibilidade de novas contratações ainda nesta janela, José Boto deixou claro que o Flamengo seguirá monitorando o mercado até o fechamento das inscrições no Brasil, em 3 de março, mas que a capacidade de desembolso foi reduzida após a operação por Paquetá.
“No futebol não dá para dizer que acabou a janela, ainda mais que a janela no Brasil fica aberta até março. Estamos atentos ao mercado. É óbvio que nossa disponibilidade financeira agora é muito pequena para esta janela”
O dirigente também frisou que oportunidades pontuais e vantajosas sob o ponto de vista esportivo não estão descartadas, mas que o clube não pretende investir cifras na casa dos 10 a 12 milhões de euros por reforços neste período imediatamente após a contratação do camisa 20.
Enquanto a diretoria equilibra orçamento e necessidades, a expectativa da Nação está voltada para a apresentação oficial de Lucas Paquetá, marcada para esta segunda-feira, 02/02/2026, e para a rápida integração do meia ao esquema de Filipe Luís.
Prioridade: reforço de ataque para o banco de Pedro
Mesmo com a chegada de Paquetá, a principal carência ainda apontada internamente é a de um centroavante que possa ser opção imediata a Pedro. O Flamengo chegou a sondar Kaio Jorge, mas a negociação não avançou devido à resistência do Cruzeiro.
A diretoria segue avaliando perfis que combinem custo-benefício e adaptação ao calendário da temporada. A tendência é que uma contratação pontual e financeiramente responsável, possivelmente no meio do ano, seja preferida a novos desembolsos elevados agora.
Enquanto isso, o elenco e a comissão técnica trabalham na montagem do grupo com Paquetá já em campo e com a busca por equilíbrio entre ambição esportiva e saúde financeira.
Estudante e colaborador em produção de conteúdo esportivo. Torcedor do Flamengo, participa da criação de textos sobre partidas, elenco e atualizações do clube.