O Flamengo voltou a ser lembrado em negociações que, por detalhes mínimos e decisões pessoais, poderiam ter alterado profundamente a trajetória do clube. As histórias envolvendo Gustavo Gómez e Lucas Paquetá ganharam repercussão novamente e trazem lições para a montagem do elenco rubro-negro às vésperas da final da Libertadores, marcada para 29 de novembro.
Gustavo Gómez: negociação interrompida por um detalhe
Em 2018, Gustavo Gómez, hoje capitão e referência no Palmeiras, esteve muito perto de vestir a camisa do Flamengo após deixar o Milan. Conversas adiantadas entre os representantes do zagueiro e dirigentes do clube carioca chegaram a colocar o negócio em situação avançada.
“O Gómez estava muito próximo de ser contratado pelo Flamengo. Existia uma conversa já adiantada com o Flamengo. Aí o André Cury (empresário) nos ofereceu, nós avaliamos e definimos que seria uma contratação que a gente iria brigar para fechar. E deu certo. O Gómez veio para nós e é um dos maiores zagueiros da história do Palmeiras”
Os bastidores mostram que a negociação foi interrompida por um valor simbólico — e decisivo. Segundo relatos do empresário, uma diferença de apenas R$ 5 mil impediu o fechamento com o Flamengo e abriu espaço para que o defensor seguisse ao Palmeiras.
“Jogador era do Flamengo. Faltavam detalhes. Faltava 5 mil, porcaria. Detalhes pequenos. Liguei para o Fred Luz (CEO da antiga gestão) e disse para resolver. Ele falou que não interessava mais. Foi até áspero. Falei: ‘está bom’. Desliguei e ofereci ao Palmeiras”
Lucas Paquetá: contatos, gratidão e escolha pela Europa
Revelado pelo Flamengo, Lucas Paquetá confirmou ter mantido dois momentos de contato com o clube carioca ao longo dos últimos anos. O meio-campista reconheceu o desejo mútuo, mas explicou que fatores pessoais e a lealdade ao clube que o acolheu no futebol inglês pesaram na decisão de não retornar por enquanto.
“Na verdade, foram dois momentos diferentes. O primeiro momento era ainda quando o (Marcos) Braz estava no Flamengo, existiu esse contato. Eu sei do desejo do Flamengo, e eles sabem do meu desejo, da minha paixão pelo clube, então é algo que sempre acontece”
Paquetá detalhou que, ao enfrentar um processo de investigação, recebeu apoio do clube europeu e optou por não forçar uma saída em um momento delicado para sua carreira e família.
“Assim que eu fui acusado, que ia iniciar todo o processo de julgamento, o Braz foi à minha casa, fez a proposta, perguntou o que eu pensava. Óbvio, eu sempre quero voltar para o Flamengo, mas naquele momento ainda estava meio balançado da minha decisão, do que eu ia fazer”
Além disso, o meio-campista afirmou ter mantido diálogo com membros do Flamengo e com o treinador Filipe Luís, mas ponderou que a idade, o mercado externo e o respeito ao clube que o acolheu influenciaram sua escolha de permanecer na Europa.
“E aí eu conversei com o diretor do West Ham também e falei: Braz, eu quero voltar, sei que vou me sentir bem no Flamengo, mas não posso ser ingrato com o clube que está me apoiando muito. Eles me apoiaram muito em todos os momentos, me ajudaram em diversas situações, então eu não podia forçar uma saída de um lugar onde estava sendo acolhido, respeitado. Eles respeitavam a mim, minha esposa, minha família. Então eu falei assim: eu quero que vocês resolvam isso. Mas existiu, sim, essa troca com o Flamengo”
“O segundo momento, por incrível que pareça, foi quando eu já sabia que poderia continuar jogando normalmente. Foi quando eu senti mais vontade ainda de voltar ao Flamengo. Talvez eu nem pudesse falar isso, mas eu tive algumas conversas com o Filipe (Luís), que é um amigo, além do trabalho que ele está fazendo no Flamengo. Eu realmente demonstrei o desejo de voltar e também demonstrei aos meus empresários”
“Era uma decisão difícil, porque eu tenho 28 anos, é muito cedo e ainda tenho muito mercado aqui fora, venho fazendo meu trabalho bem feito, mas era um desejo muito grande. E eu tentei muito, só que infelizmente mais uma vez entrei naquela de respeitar o meu clube, de não forçar nada, porque é um clube que me apoiou, que eu tenho carinho enorme. Então deixei acontecer e realmente não aconteceu. Eu entendi que não era o momento, mas as portas sei que vão estar sempre abertas para mim. Sei que em algum momento essa volta vai acontecer”
O que isso significa para o Flamengo agora
Esses episódios reforçam como detalhes e decisões individuais influenciam diretamente a construção do elenco. Para a torcida rubro-negra, fica a reflexão sobre oportunidades perdidas e a importância do planejamento nas janelas de mercado.
Com a final da Libertadores se aproximando em 29 de novembro, o Flamengo precisa manter foco nas contratações que agreguem imediatamente e na gestão do ambiente interno para preservar rendimento nas partidas decisivas. Histórias como as de Gómez e Paquetá são lembranças de que uma negociação bem conduzida — ou não — pode ter impacto duradouro.
Produtor de conteúdo esportivo e torcedor do Flamengo. Acompanha o clube de perto e escreve sobre notícias, jogos e acontecimentos do futebol brasileiro.