O cenário já estava todo armado para a paralisação do Campeonato Brasileiro. Tanto os 17 clubes contrários à liberação de público apenas em jogos do Flamengo, quanto a CBF, deixaram essa possibilidade acordada para o martelo ser batido nesta sexta-feira, enquanto nos bastidores preparavam um xeque-mate em relação às últimas decisões do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

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Especificamente, o alvo era o presidente do STJD, Otávio Noronha, que deu a liminar da qual o Flamengo se beneficiava para ter público a partir do jogo com o Grêmio, no domingo. O clube ainda poderia pedir reconsideração, o que não será feito, pois teria que endereçar o pedido ao auditor Felipe Bevilacqua, que proferiu a decisão nesta quinta-feira.

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Bevilacqua é alinhado a Noronha, mas na visão dos clubes percebeu que a paralisação do Brasileiro já engatilhada poderia gerar consequências muito mais complicadas, e entrou em cena. Com isso, adiou a decisão liminar de Noronha até que o Conselho Técnico dos clubes da Série A se reúna no dia 28 de setembro.

A decisão caiu em suas mãos porque os clubes entraram nesta quarta-feira com o chamado recurso voluntário, que obrigatoriamente deveria ser distribuído no STJD entre seus auditores, de forma livre. Caiu com Bevilacqua.

No caso da decisão liminar obtida pelo Flamengo, proferida por Otávio Noronha, o pedido de reconsideração feito pelos clubes foi endereçado obrigatoriamente ao presidente do STJD, que negou esta reconsideração. Contra esta negativa que foi dado entrada no recurso voluntário. 

Com o adiamento da decisão liminar, o julgamento segue marcado para o dia 23, na próxima semana, no Pleno do STJD, do qual Bevilacqua também é relator.

Segundo os clubes, já havia movimentação do tribunal em seu colegiado contra a posição individual de Noronha. O que deve se confirmar no julgamento. Até lá, a articulação para o retorno da torcida de forma equilibrada entre as cidades estará encaminhada para a decisão sair de forma oficial no Conselho Técnico no dia 28.

Desta forma, a vitória dos clubes sobre o Flamengo se estabelece em respeito ao que eles alegam ter sido decidido no encontro de agosto, no qual o Flamengo participou. Que quem tem que decidir sobre o campeonato são os clubes, não o tribunal.

A movimentação de bastidores teve contatos recorrentes por telefone entre os presidentes de Grêmio, Romildo Bolzan, do Palmeiras, Maurício Galliote, do Bahia, Guilherme Belintani, e do Fortaleza, Marcelo Paz, todos muito ativos pela derruada da liminar e perplexos com a ação unilateral do Flamengo. A postura, inclusive, enfraqueceu as conversas pela criação de uma liga de clubes no futebol brasileiro, na visão dos dirigentes.