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Ex-presidente do Fla, Márcio Braga destaca pioneirismo do clube em revolução no futebol brasileiro

IMAGEM: REPRODUÇÃO/FLA TV

POR TULIO RODRIGUES

Márcio Braga é seguramente um dos maiores presidentes da história do Flamengo. Além de ostentar seis mandatos no currículo, é o que mais conquistou títulos expressivos em seus mandatos. O ex-dirigente acumula muitos momentos marcantes que além de colocá-lo como uma das grandes figuras do clube, o deixa na história do futebol brasileiro.

O site “Ser Flamengo” divulgou uma entrevista com o ex-presidente feita em 2013. Nela, foram revelada várias histórias que mostram o pioneirismo do Mais Querido no futebol brasileiro.  A primeira delas é sobre quando o Rubro-Negro passou a cobrar royalties na venda de camisas, o que não era feito no Brasil.

— Eu me lembro bem o dia em que começamos a policiar a marca do Flamengo. Elsa Maria, minha primeira mulher, redesenhou esse CRF, rompemos o contrato com a Adidas e fizemos um contrato com a Hering. Pela primeira vez no futebol brasileiro, um clube exigiu participação na forma de royalties na venda das camisas. Nós crescemos tanto que a Hering não suportou e voltamos para Adidas e tivemos uma parceria muito exitosa.

A lembrança de Márcio trouxe a tona outro fator histórico. Elsa Braga, sua esposa em 1980, foi quem redesenhou o “CRF” e os uniformes número 1 e 2. É criação dela do Manto Sagrado com listras grosas e da emblemática camisa branca, usada no Mundial de 1981. Com o primeiro, o Fla conquistou a Libertadores e o Mundial com o segundo.

Assunto mais comentado até bem pouco tempo, quando o Presidente da República editou à MP 984/2020, que entregava ao mandante da partida os direitos de transmissão, também foi ponto de debate e muita polêmica lá em 1977, ano do início do primeiro mandato de Braga. Naquela época, a TV Educativa filmava os jogos e repassava o sinal para as demais emissoras que comercializavam as partidas sem pagar nada aos clubes. Num Fla x Flu pelo Campeonato Brasileiro, Márcio proibiu a transmissão da partida até que entrassem num acordo pelo ‘novo’ produto. Era o Fla sendo pioneiro e revolucionando o futebol nacional mais uma vez.

— Em 15 de novembro de 1977, ia ter um jogo do Campeonato Brasileiro, um FlaxFlu, no Maracanã. Era o único jogo para todo Brasil naquela data, no feriado nacional, aniversário do Flamengo, no futebol brasileiro. A TV Educativa ia entrar no Maracanã como sempre entravam com seus equipamentos, filmava o jogo e dava o sinal para as demais emissoras que comercializavam o produto pra todo país. Ou seja, usavam as marcas do Flamengo de graça.

— Nós entramos com um interdito proibitório e impedimos a entrada da TV Educativa no Maracanã. Foi um escândalo. O Brasil inteiro não ia assistir ao FlaxFlu porque o Mácio Braga não deixou a TV Educativa transmitir. Isso mexeu com o Presidente da República pra baixo, principalmente com o doutor Roberto Marinho. Até aquele momento, os clubes recebiam zero da TV, propaganda na camisa nem pensar, era proibido pelo Conselho Nacional de Desportos. Os direitos de imagem a partir dali, mudaram —, finalizou.

Ouça a entrevista completa:

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Publicado em colunadofla.com.