Queridos amigos flamenguistas, saudações rubro-negras!
A decisão do Governo Federal de proibir as bets, às vésperas da eleição, levanta questionamentos que vão muito além do futebol. O combate ao vício em apostas e ao endividamento das famílias é uma preocupação legítima e merece ações firmes do poder público. Mas uma medida dessa dimensão, tomada por meio de uma MP que extingue um mercado recentemente regulamentado, exige planejamento, diálogo e avaliação dos impactos. O governo não pode tratar uma questão complexa como se bastasse apertar um botão para resolver o problema. E, quando uma decisão tão abrangente é anunciada em período eleitoral, é natural que surjam questionamentos sobre sua oportunidade e seus possíveis efeitos políticos — sem que isso, por si só, prove qualquer motivação eleitoral.
No futebol, o impacto é concreto: os clubes construíram contratos, orçamentos e projetos contando com as receitas de patrocínio das casas de apostas. No caso do Flamengo, a parceria com a Betano representa um contrato de grande valor, e sua interrupção repentina pode exigir uma reorganização financeira. O problema não se limita à equipe profissional ou à contratação de jogadores: os recursos dos clubes também ajudam a sustentar as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e outras atividades. O próprio Flamengo alertou que a mudança pode atingir diferentes áreas do esporte brasileiro.
É preciso deixar claro: criticar a proibição não significa defender o vício, a exploração dos apostadores ou a atuação de empresas ilegais. Significa questionar se acabar com todo o mercado autorizado é a resposta mais adequada, especialmente quando seria possível discutir fiscalização rigorosa, proteção ao consumidor, limites à publicidade e punição aos operadores irregulares. O próprio Flamengo apontou a questão da segurança jurídica: empresas e instituições investiram e firmaram compromissos sob regras estabelecidas pelo Estado, que agora pretende alterá-las de forma abrupta. Portanto, entendo que, caso a proibição seja realmente o caminho escolhido, o melhor seria estabelecer uma espécie de período de transição.
Além disso, a proibição não elimina automaticamente o interesse pelas apostas. Por isso, é fundamental avaliar como o governo pretende impedir que essa atividade migre para plataformas clandestinas. Afinal, logo após a publicação dessa medida, surgiram notícias de mais de 300 bets ilegais. Resolveu o problema? O cigarro também não faz mal? E a bebida alcoólica? E o sujeito que perde bens e até a própria mulher em uma partida de pôquer? Vão devolver os impostos arrecadados? Será que proibir, por si só, resolve todos esses problemas?
O futebol brasileiro não pode ser colocado diante de uma escolha simplista entre proteger as famílias e preservar o esporte. É possível — e necessário — enfrentar os danos causados pelas apostas sem ignorar os empregos, os contratos e os projetos sociais e esportivos que dependem dessa cadeia econômica. Para o Flamengo, que investe em diferentes modalidades e mantém uma estrutura esportiva ampla, a decisão representa mais uma incerteza que precisará ser enfrentada. O governo tem o dever de explicar os fundamentos, os efeitos e as alternativas da medida, e não apenas anunciar uma proibição de grande repercussão em plena temporada eleitoral. Combater um problema social exige responsabilidade; não basta tomar uma decisão de impacto e deixar que clubes, trabalhadores e instituições descubram sozinhos como pagar a conta.
Por fim, deixo bem clara a minha posição pessoal: não gosto e não apoio jogos de apostas por causa da ludopatia, especialmente quando falamos do Jogo do Tigrinho e dos cassinos on-line. No entanto, entendo que, se o governo pretende realmente acabar com as bets, deveria estabelecer um período de transição, respeitando os contratos comerciais firmados pelos clubes e dando tempo para que eles se organizem e se adaptem a essa nova realidade. Caso haja uma reviravolta e a proibição não avance, que sejam criados meios mais eficazes de fiscalização das bets ilegais e que uma parcela maior dos impostos arrecadados seja destinada ao SUS, a fim de tratar as pessoas que sofrem com o vício em jogos.
PÉSSIMA NOTÍCIA
Arrascaeta sofreu uma lesão no punho e, possivelmente, não jogará as duas próximas partidas pelo Brasileirão nem as semifinais contra o Estudiantes, pela Libertadores.
Eu odeio data FIFA!
E você, leitor? Concorda ou pensa diferente? Comente aqui embaixo. Valeu?
SRN!

Fabio da Silva Gonçalves, casado, pai da Lorena, mora atualmente em Rio das Ostras RJ, Pastor auxiliar da ADVEC, Engenheiro, Professor concursado da FAETEC, estudou na Universidade Estácio de Sá, UCAM e Fasul, Mestrando em Ciências da Educação na UAP, foi figura assídua do Maracanã e tem como um dos maiores orgulhos de sua vida ser colunista do MELHOR site sobre Flamengo da Internet. O Flamengo RJ.