Fla-Flu recorre ao STJ para impedir Vasco x Boca Juniors no Maracanã

A concessionária Fla-Flu Serviços subiu a briga com o Vasco até o Superior Tribunal de Justiça. Na noite desta terça-feira (13), a empresa formada por Flamengo e Fluminense protocolou pedido no STJ para impedir Vasco x Boca Juniors no Maracanã, partida marcada para 20 de outubro, pela volta da semifinal da Copa Sul-Americana.

O movimento chega minutos após nova derrota da concessionária no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto reconsiderou decisão anterior e devolveu o jogo ao Maracanã, acolhendo pedido do procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira. Com a decisão, voltou a valer a ordem do desembargador Marco Antônio Ibrahim que mandara liberar o estádio para o Vasco com base em pareceres de segurança pública.

O pedido foi distribuído ao ministro Luis Felipe Salomão, presidente do STJ desde agosto. A distribuição ao topo da corte chamou atenção por um detalhe: Salomão é tio de Paulo Salomão, que ocupou o cargo de 1º vice-presidente geral do Vasco até dezembro de 2025, quando foi nomeado juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Rio.

Gramado e pressão dos ingressos mudam o jogo

Almeida Neto citou na sua decisão 46.014 ingressos já vendidos pelo Vasco com base na autorização judicial anterior. Pouco depois da decisão, a torcida vascaína esgotou todas as entradas para a partida. Para a Fla-Flu Serviços, essa realidade chega tarde.

A concessionária mantém sua tese principal: o gramado do Maracanã foi totalmente trocado entre 29 de setembro e 3 de outubro, logo após evento da NFL. A empresa defende intervalo mínimo de 72 horas entre partidas, o que tornaria impossível receber o Vasco em 20 de outubro com segurança.

Por isso, o Mengão sugeriu o Estádio Nilton Santos como alternativa. A Polícia Militar considerou o estádio viável: possui 44.661 lugares, acima do mínimo exigido pela Conmebol. O Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios, porém, manteve o Maracanã como opção preferencial, argumentação que serviu de base para o desembargador autorizar o jogo no estádio histórico.

Em nota divulgada na sexta-feira anterior, a Fla-Flu Serviços negou perseguição ao rival. “Não há nos autos qualquer prova de desavença pessoal” por trás das recusas, informou a empresa. Mesmo assim, o calendário carregado do Maracanã reforça o argumento técnico.

Flamengo e o efeito dominó da disputa

A briga judicial atravessa diretamente a agenda rubro-negra. O Flamengo recebe o Estudiantes em 22 de outubro, às 21h30, pela volta da semifinal da Libertadores. Na véspera, a Conmebol faz vistoria no estádio. Caso o Vasco jogue no Maracanã no dia 20, o intervalo entre partidas fica ainda mais apertado para o rubro-negro.

Além disso, a decisão desta terça afetou o basquete do clube. O desembargador determinou que Flamengo x Botafogo, pelo NBB, marcado para 20 de outubro às 20h30 no Maracanãzinho, mude de local ou de horário. A cascata de ajustes aumenta a complexidade da organização do estádio.

Na Argentina, a partida de ida da semifinal acontece nesta terça, às 21h30, na Bombonera, em Buenos Aires. Uma eventual decisão favorável à concessionária no STJ pode reabrir toda a indefinição sobre onde será jogada a volta.

Pablo Ramadas, sócio do Vasco que acompanha o caso, divulgou a movimentação. Além de participar da disputa judicial, Ramadas pediu ao Ministério Público, em setembro, apuração sobre a gestão do Maracanã. A pressão pelo acompanhamento do caso segue em múltiplos fronts.

O mandado de segurança seguirá para julgamento no Órgão Especial do TJRJ em sessão presencial marcada para a véspera do jogo, segundo teor da decisão. O agravo interno do Vasco também permanece pendente na 23ª Câmara de Direito Privado. A liminar concedida esta terça é apenas temporária, deixando a partida numa zona cinzenta até a decisão final.

A queda de braço deve atravessar o fim de outubro. Flamengo e Vasco voltam a se enfrentar em 29 de outubro, pelo Brasileirão, com mando de campo vascaíno. Até lá, a Nação rubro-negra acompanha uma disputa que vai além dos onze jogadores em campo: é uma batalha entre dois clubes pela infraestrutura compartilhada, com o STJ como árbitro final.