O Flamengo emitiu nota oficial neste sábado (23) criticando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela recusa em adiar o jogo contra o Coritiba, marcado para 30 de maio, pela 18ª rodada do Brasileirão. Obrigado a entrar em campo com cerca de nove desfalques devido às convocações para a Copa do Mundo, o Mais Querido denunciou falta de isonomia na decisão e apontou um conflito de interesses estrutural da entidade.
A nota do Mengão questiona diretamente como uma competição de pontos corridos mantém integridade quando equipes são obrigadas a atuar desfalcadas exclusivamente porque cederam atletas para as seleções nacionais. “Numa competição de pontos corridos, em que todas as rodadas têm o mesmo peso na definição do campeão, não há isonomia nem paridade de forças quando uma equipe é obrigada a entrar em campo sem diversos jogadores”, afirma o documento.
O Flamengo cederá quatro jogadores para a Seleção Brasileira nesta janela de convocações: Danilo, Alex Sandro, Léo Pereira e Lucas Paquetá, todos convocados pelo técnico Carlo Ancelotti. Além deles, o clube terá ausências de Gonzalo Plata (Equador), Jorge Carrascal (Colômbia), além de Arrascaeta, De La Cruz e Varela (Uruguai), totalizando os nove desfalques.
As convocações e o recorde histórico do Mengão
As quatro convocações para a Seleção Brasileira elevam o Flamengo a 39 atletas cedidos ao Brasil em Copas do Mundo ao longo da história, consolidando a terceira posição no ranking de clubes que mais contribuíram. Botafogo lidera com 48 convocados, seguido pelo São Paulo com 46 jogadores. O Vasco, que estava empatado com o rubro-negro em 35 convocados até a janela anterior, agora fica para trás.
A convocação de Ancelotti também iguala um número histórico: em 1958, quando Vicente Feola comandava a Seleção na primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil, o Flamengo também cedeu exatamente quatro jogadores. Sete décadas depois, a marca se repete, ainda que numa realidade completamente distinta do futebol contemporâneo.
Léo Pereira, um dos convocados, afirmou que não pretende descansar antes da Copa e seguirá disponível pelo Flamengo caso esteja fisicamente bem. O zagueiro descreveu sua fase atual como “espetacular” e condicionou sua participação exclusivamente à sua condição física, sinalizando disposição em manter o ritmo tanto pela Seleção quanto pelo clube.
O conflito estrutural apontado pelo clube
O ponto central da nota é contundente: o conflito de interesses entre a CBF como gestora da Seleção Brasileira e como responsável pelo Campeonato Brasileiro prejudica sistematicamente os clubes. O Flamengo citou a UEFA como exemplo de entidade que defendeu seus filiados e conquistou, junto à FIFA, liberação para que a final da Liga dos Campeões tivesse seus astros em campo.
“Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes”, diz o documento rubro-negro. A nota reconhece avanços da atual gestão da CBF, mas defende que o problema estrutural permanece insolúvel dentro da configuração atual.
O Mais Querido alerta que quando equipes são obrigadas a jogar sem seus principais jogadores, o maior perdedor é o torcedor. Quem paga ingresso ou acompanha transmissões vê a qualidade do espetáculo ser comprometida, além de ser criada uma lógica inversa: as equipes que mais investem são justamente as mais penalizadas pelas convocações.
O documento também menciona que o Flamengo é recordista de público como mandante e possui ingressos esgotados no setor visitante em 100% dos jogos fora de casa até aqui, demonstrando o peso que a Nação rubro-negra confere ao Campeonato Brasileiro. Justamente por essa importância que o clube lamenta entrar em campo desfalcado.
A solução oferecida que foi ignorada
O Flamengo ofereceu uma alternativa viável: jogar contra o Coritiba no dia 4 de agosto de 2026, uma data que não geraria conflito com as datas de Copa do Brasil, já que ambas as equipes caíram precocemente da competição. A CBF, porém, alegou que o tema foi debatido anteriormente com os clubes e manteve a decisão de não alterar os jogos da 18ª rodada.
A nota conclui apelando por uma mudança mais profunda: a criação de uma liga organizada no Brasil, liderada pelas agremiações, com a CBF participando ativamente da construção, mas entendendo que o movimento deve partir dos clubes. “O Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a ótica dos clubes, de seus atletas, de seus torcedores e de seus investidores e no fortalecimento do próprio produto”, encerra o Mengão, deixando claro que o problema não é pontual, mas estrutural.

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