Flamengo reencontra Cusco e altitude de 3.350m na estreia da Libertadores

O Flamengo retorna ao Estádio Inca Garcilaso de la Vega nesta quarta-feira (08) para enfrentar o Cusco na primeira rodada da Libertadores, reencontrando o palco de um dos seus maiores triunfos na competição. A última vez que o Rubro-Negro pisou naquele gramado foi em 2008, quando goleou o Cienciano por 3 a 0 pela mesma fase de grupos, com gols de Renato Augusto, Toró e Juan sob comando de Joel Santana.

O retorno a Cusco não é apenas uma questão de memória histórica. O estádio localiza-se a 3.350 metros de altitude, transformando o duelo em um teste de resistência física tanto quanto técnico. A altitude é uma variável que historicamente penaliza o Flamengo. Em seus 18 confrontos acima dos 2.500 metros, o clube conquistou apenas quatro vitórias, sofreu nove derrotas e empatou cinco vezes. Um recorde que ilustra por que este jogo transcende os três pontos imediatos.

Leonardo Jardim, técnico atual do Rubro-Negro, enfrenta uma equação complexa para esta estreia continental. Cinco jogadores estão indisponíveis: Alex Sandro, Pulgar, Jorginho e Cebolinha tratam de lesões no Departamento Médico, enquanto Saúl segue seu processo de recuperação após cirurgia no calcanhar esquerdo. A ausência desses atletas força o treinador a improvisos que, combinados com o fator altitude, elevam o grau de dificuldade do confronto.

Para mitigar os efeitos da altitude, o Flamengo adotou uma estratégia logística específica. A delegação chegará à noite anterior ao jogo e partirá na manhã seguinte, minimizando a exposição prolongada às condições extremas de oxigenação. Além disso, o clube se hospedará no JW Marriott El Convento Cusco, que possui quartos pressurizados capazes de aumentar a entrada de oxigênio e reduzir a sensação de altitude em aproximadamente 1.000 metros. Uma margem que, ainda que parcial, oferece algum alívio fisiológico aos atletas.

A partida será disputada às 21h30 (horário de Brasília), com transmissão confirmada pela GE TV, Globo e Paramount+. A escolha do horário noturno é uma tentativa adicional de reduzir o impacto da altitude, já que as temperaturas mais baixas facilitam a respiração. O Cusco, por sua vez, é um adversário que conhece bem as condições do seu estádio e joga em ambiente radicalmente diferente daquele ao qual os cariocas estão acostumados.

Aquele jogo de 2008 contra o Cienciano permanece como referência positiva do Flamengo em terras altas. Foi uma demonstração de que, apesar das dificuldades, a qualidade técnica e a organização podem superar a adversidade física. Renato Augusto, um dos autores daquele triunfo, simboliza a capacidade do clube em se impor mesmo em condições desfavoráveis. O desafio de Jardim é repetir esse feito com um elenco desfalcado e sob pressão de estreia na competição continental, onde os primeiros pontos ganham peso redobrado.

A história do Inca Garcilaso para o Flamengo é marcada mais pelo incômodo que pela satisfação. Mas a vitória de 2008 prova que o incômodo não é sinônimo de derrota inevitável. Tudo dependerá de como o Rubro-Negro conseguir se adaptar às condições extremas e manter a concentração nos 90 minutos. A altitude é um adversário invisível, mas presente. E nesta quarta, será tão importante quanto o próprio Cusco que estará do outro lado do campo.