A muralha rubro-negra começou a ceder. Após oito jogos praticamente impermeável, o Flamengo sofreu 3 gols em apenas dois partidas — o empate brigado contra o Estudiantes, na Argentina, e o clássico contra o Vasco que escapou por pouco no Maracanã. O recorte é preciso e preocupante: a defesa que havia concedido uma média de 0,75 gol por jogo agora sofre 1,5 por confronto.
O contraste é grande. Nos oito jogos anteriores ao empate em Buenos Aires — uma sequência que começou com o 2 a 0 sobre o Fluminense no final de abril — o Mengão havia acumulado apenas 6 gols sofridos. A marca que fazia o time rondar competições com segurança agora apresenta fissuras.
O empate com o Vasco carregou drama adicional. O time abriu dois a zero e vencia até os acréscimos — momento em que Hugo Moura selou o 2 a 2 após checagem do VAR. Diante de 61.800 espectadores no Maracanã, o Mais Querido reconheceu a queda. Leonardo Jardim, após o apito final, foi direto ao ponto: “Acabamos entregando”.
Lesão, expulsão e momento fora do timing
A partida na Argentina trouxe duas complicações que ampliam a preocupação defensiva. Arrascaeta sofreu fratura da clavícula direita durante o jogo contra o Estudiantes — lesão que retira um jogador de importância tática da escalação. No mesmo duelo, Leonardo Jardim recebeu cartão vermelho, abdicando da possibilidade de dirigir no banco de reservas no próximo compromisso da Libertadores.
Esses desdobramentos não explicam tudo, mas contextualizam o período de transição. A delegação enfrentou logística adversa: viagem direta para a Colômbia, treinos em centros de treinamento locais, rodas curtas de recuperação. O desgaste acumula.
Quatro viagens, quatro riscos: a maratona que vem
Enquanto o Flamengo passa por esse momento de instabilidade defensiva, o calendário não oferece trégua. Nos próximos catorze dias, o time enfrentará quatro partidas fora de casa em sequência: Independiente Medellín pela Copa Libertadores (07 de maio), Grêmio pelo Brasileirão (10 de maio), Vitória pela Copa do Brasil (14 de maio) e Athletico-PR novamente pelo Brasileirão (17 de maio).
As viagens pesam também nesse cenário defensivo. Os tempos para trabalho defensivo encolhem entre os deslocamentos. A equipe técnica terá pouco tempo para corrigir padrões, reforçar posicionamentos e recuperar o ritmo que havia antes dos últimos dois empates.
O Mengão segue vivo em todas as competições. Mas a solidez que o caracterizava — aquela marca de apenas 0,75 gol sofrido por jogo — precisa retornar antes que a maratona de visitante agrave o cenário. Os próximos quatro compromissos dirão se o tropeço recente foi correção de rota ou sinal de que a defesa rubro-negra começou seu período de fragilidade em uma das piores janelas possíveis do calendário.

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