Flamengo endurece estratégia ‘anticalote’, recusa proposta por Carrascal e redefine mercado para 2026

O Flamengo adotou uma postura mais rígida nas negociações para 2026 com o objetivo de proteger receitas e blindar a base do elenco. A diretoria tem priorizado garantias contratuais, cláusulas de proteção e negócios com segurança financeira, ao mesmo tempo em que organiza saídas estratégicas para ajustar o grupo rumo à próxima temporada.

Por que o Flamengo mudou a abordagem

A decisão de endurecer as negociações surgiu a partir de lições recentes: transferências com pagamentos parcelados ou não totalmente quitados levaram o departamento de futebol a rever mecanismos de proteção. Casos como o envolvendo Thiago Maia e a transação que terminou envolvendo Vitão estão entre os episódios que motivaram a adoção da chamada estratégia “anticalote”.

Com essa postura, o clube exige garantias mais sólidas — pagamentos imediatos, cláusulas condicionais bem definidas e obrigações de compra atreladas à participação em jogos — para reduzir o risco de prejuízo futuro. A prioridade declarada é manter a base do time para disputar todas as competições de 2026 com competitividade.

Casos práticos: Allan, Viña e ofertas com permutas

Negociações como a do volante Allan, pretendido pelo São Paulo, estão sendo tratadas com cautela. A instabilidade política e financeira do clube paulista é um fator considerado pela diretoria, o que pode manter as conversas estagnadas até meados de janeiro.

O empréstimo de Matías Viña ao River Plate ilustra a nova fórmula: pagamento imediato de taxa e obrigação de compra condicionada à participação do atleta em ao menos metade dos jogos da temporada — um modelo que equilibra risco e ganho. Propostas que envolveram permutas, como a tentativa de usar Everton Cebolinha como moeda de troca para contratar Kaio Jorge (analisada com participação do Cruzeiro), não evoluíram após recusa do clube; Cebolinha permanece no elenco buscando mais minutos em 2026.

Saídas definidas e blindagem de peças-chave

Apesar do endurecimento, o Flamengo já acertou saídas para ajustar o elenco: Juninho foi vendido ao Pumas por 5 milhões de euros, Matheus Cunha teve contrato encaminhado com o Cruzeiro, e jogadores fora dos planos como Carlinhos, Cleiton, Pablo e Petterson deixaram o clube — alguns por empréstimo, outros por rescisão ou transferências.

Ao mesmo tempo, a diretoria foi firme em proteger suas peças-chave. O meia Jorge Carrascal, importante no sistema tático, teve oferta de 20 milhões de euros recusada — valor próximo a R$ 125 milhões pela cotação atual. Outros clubes europeus também demonstraram interesse com propostas inferiores, e o Flamengo sinalizou que só consideraria negociações a partir de um patamar bem mais alto, acima de 30 milhões de euros.

Com contrato longo até dezembro de 2029 e valorização após as atuações de 2025, Carrascal se reapresenta com o elenco na segunda-feira, 12 de janeiro. A diretoria segue alinhada em priorizar estabilidade esportiva e segurança financeira, fazendo do critério de pagamento um filtro essencial nas próximas transações.