Flamengo no Azteca: cinco passagens pela casa que agora abre a Copa

O Estádio Azteca, na Cidade do México, está prestes a ganhar destaque planetário. Nesta quinta-feira (11), o palco histórico recebe o jogo de abertura da Copa do Mundo, com México e África do Sul em campo às 16h (horário de Brasília). Mas o gramado mexicano guarda memória de encontros importantes com um clube carioca: o Flamengo já pisou ali cinco vezes na história.

O Rubro-Negro coleciona lembranças variadas do Azteca. Vitórias expressivas, derrotas sem explicação e empates contra a seleção mexicana fazem parte do dossiê do Mengão naquele estádio. A última passagem, em 2008, resume bem essa dualidade: goleada fora de casa seguida por humilhação em casa.

2008: vitória que virou derrota no Maracanã

A última vez que o Flamengo atuou no Azteca foi a mais marcante. Em 30 de abril de 2008, pelas oitavas de final da Libertadores, o clube enfrentou o América do México. O resultado foi impressionante: 4 a 2 para o Rubro-Negro. Marcinho marcou duas vezes. Diego Tardelli e Léo Moura completaram a goleada rubro-negra em solo mexicano.

A torcida saiu do Azteca com esperança. Afinal, uma vitória de dois gols fora de casa em uma decisão continental é praticamente uma classificação. Na volta, no Maracanã, o Mais Querido teria que apenas não perder para avançar. O cenário era confortável demais.

A realidade foi brutal. O América retornou ao Rio e venceu por 3 a 0. A derrota eliminou o Flamengo de forma precoce e inesperada. A comemoração do gol conquistado semanas antes evaporou. Até hoje, essa traição tática e técnica marca a memória dos torcedores rubro-negros. Não é apenas um resultado ruim — é uma das maiores decepções continentais do clube.

Os outros confrontos: da vitória isolada aos fracassos em torneios

Além de 2008, o Flamengo disputou quatro partidas no Azteca, todas em fases anteriores da história do clube. Nenhuma delas resultou em traumas como a de 2008, mas tampouco em glórias duradouras.

Em 1987, o Mengão participou do Torneio Azteca, uma competição que reunia clubes mexicanos e convidados. O resultado foi decepcionante. Em 16 de agosto daquele ano, o Flamengo perdeu para o América por 3 a 0. Dois dias depois, em 18 de agosto, enfrentou o Cruz Azul e saiu derrotado novamente, dessa vez por 1 a 0. Duas partidas, duas derrotas — o Azteca já mostrava sua natureza desafiadora para o Rubro-Negro.

Antes disso, em 4 de abril de 1967, um amistoso contra o Necaxa terminou em derrota: 2 a 1. Fechando o histórico, em 11 de fevereiro de 1962, o Flamengo enfrentou a seleção do México em jogo amistoso que não passou de um empate sem emoção: 2 a 2.

Ao todo, em cinco passagens pelo Azteca, o Mengão venceu apenas uma vez — exatamente a que mais dói na memória. Isso porque aquela vitória não selou uma classificação, não encerrou uma campanha triunfal. Virou símbolo de desperdício.

O palco agora e o legado do Mengão no México

A Copa do Mundo que começa hoje no Azteca não envolve o Flamengo como clube, mas sim seus atletas. O Rubro-Negro tem nove jogadores na competição e pode ver seus representantes escreverem novas histórias no palco que tantas vezes foi inhóspito para a camisa vermelha e preta.

O histórico do Flamengo em Copas do Mundo é marcante. Leônidas foi o artilheiro da Copa de 1938 com sete gols, recorde que permanece isolado. Zico marcou cinco vezes em Mundiais (1978, 1982 e 1986). O clube soma 21 gols em Copas do Mundo, distribuídos entre oito jogadores diferentes. Nos últimos anos, apenas Arrascaeta marcou em Mundial pela Nação rubro-negra, com dois gols contra Gana em 2022.

O Azteca é histórico. Hospedou duas Copas do Mundo — 1970 e 1986 — e coleciona recordes de público e emoção. Para o Flamengo, representa uma página de memória que não é exatamente gloriosa. Mas é real.

Hoje, enquanto México e África do Sul ocupam o gramado mexicano, a torcida rubro-negra pode refletir sobre esses cinco encontros. Vitória isolada que virou derrota, três derrotas claras em competição, um empate sem brilho. Nem sempre o Azteca foi amigo do Mengão.