Flamengo não precisa de um "paizão", mas sim de um organizador de times

Flamengo não precisa de um "paizão", mas sim de um organizador de times

​O ​Flamengo tem um grande elenco? Sim. Abel Braga é um treinador de currículo vitorioso? Sim. Isso significa que Abelão trabalhando no Rubro-Negro é sucesso garantido? Com certeza não. E digo mais: depois de 40 dias de trabalho, só aumenta minha convicção de que, talvez, este não fosse o momento ideal para o técnico assumir o clube com maior holofote do Brasil.

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Falo isso pelo seguinte motivo. Quando muitas estrelas se juntam, é preciso, acima de tudo, alguém que saiba organizar um time, colocar cada um na sua função e, até mesmo, deixar de fora quem não encaixa na ideia de jogo pensada. E para dar certo, todos precisam entender que, acima de tudo, está o objetivo coletivo.

Gabriel Barbosa

Abel nunca foi um técnico de grandes modelos táticos, embora não se tire dele a alta capacidade de ler o que acontece dentro das quatro linhas. Ou seja, sempre prezou seus trabalhos pela motivação, pelo fortalecimento de um grupo. E, olhando para os grandes momentos de sua carreira (Inter e Fluminense), sempre teve um time muito bom, com peças perfeitas para determinadas funções (Fernandão/Fred, Iarley/Rafael Sobis, Alex/Deco), mas sem aquela fartura de nomes capaz até mesmo de fazê-lo se perder.

FBL-BRA-FLAMENGO-FLUMINENSE

Sinceramente, o que o Flamengo precisa, neste momento, é de organização. A equipe não está conseguindo criar e, ao mesmo tempo, fica vulnerável. Isso é sinal de que a engrenagem como um todo não está funcionando. E nesta hora não é preciso um paizão. O que precisa aparecer é o treinador que saiba identificar as dificuldades coletivas, que saiba juntar as peças e forma, literalmente, um time. Até agora, este não saiu do papel. E eu não vi muito esforço do técnico para fazer mudar esta situação. A mim, ele me parece muito convicto de que o modelo adotado no passado vai dar resultado. O que eu duvido.