O Flamengo implementou um serviço de scout de arbitragem e o anúncio foi feito pelo presidente Luiz Eduardo Baptista em podcast da Flamengo TV. A ferramenta representa uma tentativa de preparar melhor a comissão técnica para as partidas, fornecendo análise detalhada sobre o comportamento e características dos árbitros que irão apitar os jogos do clube.
O relatório de scout possui 20 páginas e é enviado ao técnico Leonardo Jardim antes de cada partida. Ele contém informações aprofundadas sobre como cada árbitro trabalha durante as partidas, incluindo seu comportamento diferenciado com equipes da casa e visitantes. Bap explicou a premissa do serviço em suas declarações públicas: “A gente avalia os árbitros. Eles contra eles mesmos. Quando eles apitam o jogo, como é que eles apitam o jogo para o time da casa, para o time visitante?”. Essa análise comparativa permite que a comissão técnica se prepare de forma mais específica para o estilo de cada árbitro.
A ferramenta foi desenvolvida pelo escritório RefData, coordenado por João Marcello Costa, que identificou uma demanda clara no futebol brasileiro, especialmente entre treinadores estrangeiros que chegavam ao país sem conhecimento prévio dos padrões de arbitragem locais. O Cruzeiro foi pioneiro na adoção da ferramenta em 2023, seguido pelo Botafogo em 2024. O Flamengo começou a utilizar o relatório no segundo semestre de 2025 e formalizou o anúncio publicamente em 2026.
A construção da base de dados do scout combina múltiplas fontes de informação. O cruzamento entre súmulas oficiais e análises manuais, com suporte de ferramentas de inteligência artificial, garante a precisão dos dados coletados. O relatório avalia árbitros que apitaram mais de cinco partidas, criando um perfil consolidado. Um exemplo concreto é o árbitro Rodrigo José Pereira de Lima, descrito no relatório como “disciplinador” e “rígido com atletas”, caracterização que se reflete no alto número de cartões que ele distribui durante os jogos.
João Pedro Andrade, sócio da RefData, ressaltou a importância prática dessa análise prévia para as equipes. Segundo ele, “os clubes podem preparar seus técnicos (brasileiros ou não) e, consequentemente, jogadores, para o rigor e os hábitos de determinados árbitros, o que pode gerar vantagem tática na prática”. Essa declaração reconhece explicitamente que o conhecimento antecipado do perfil arbitral oferece um diferencial competitivo mensurável.
A divulgação pública do serviço gerou resposta imediata da Confederação Brasileira de Futebol. A CBF enfatizou que não permite veto ou preferência de clubes na escalação de árbitros e reafirmou a independência do seu processo de escolha. A entidade destacou que as decisões sobre qual árbitro apitará cada partida são baseadas em histórico profissional e experiência, garantindo a isenção.
A implementação dessa ferramenta reflete uma tendência crescente no futebol moderno de utilizar dados e análises para ganhar vantagens competitivas. Para o Flamengo, especificamente, a adoção do scout de arbitragem alinha-se com a presença de Leonardo Jardim, técnico estrangeiro que se beneficia de informações estruturadas sobre a arbitragem brasileira. O serviço permite preparar melhor os jogadores e comissão técnica para lidar com diferentes estilos de apitação, reduzindo surpresas e permitindo ajustes táticos mais precisos.

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