O Flamengo protocolou no STF um pedido para participar da ação que questiona a Medida Provisória que proíbe apostas esportivas. A movimentação ocorreu nesta terça-feira, 30 de setembro, com o clube endereçando a solicitação ao ministro Luiz Fux. Na petição, o Mengão argumenta que a proibição afeta diretamente o financiamento do esporte e coloca em risco compromissos já assumidos para as próximas temporadas.
Na documentação enviada ao Supremo, o Flamengo destaca o impacto de um patrocínio de R$ 268,5 milhões por ano, válido até 2028, que está sob ameaça. O clube sustenta que o prazo de 10 dias para as empresas de apostas deixarem o mercado é insuficiente para mitigar os efeitos de uma saída abrupta de receitas. Segundo a argumentação do Mais Querido, a interrupção imediata de financiamento pode repercutir não apenas no futebol profissional, mas também em esportes olímpicos, no futebol feminino e nas categorias de base.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, já havia criticado a Medida Provisória desde o momento da assinatura. Com o protocolo no STF, o clube reforça sua contestação ao modelo de retirada previsto no texto legal e busca garantir que a transição seja menos traumática para o setor.
A pressão sobre as receitas do clube
O impacto financeiro projetado vai além do patrocínio master. O clube estima que a perda total de receitas pode chegar a 20% do orçamento anual, considerando tanto o contrato direto com a empresa de apostas quanto desdobramentos indiretos no mercado. Bap já admitiu publicamente que o Flamengo não possui um plano B para enfrentar a possível perda de R$ 400 milhões em receitas caso a MP restrinja ou proíba as apostas esportivas de forma definitiva.
A questão se torna ainda mais delicada quando se considera que o clube tem compromissos contratuais de vulto já assumidos. A contratação de Lucas Paquetá, por exemplo, custou 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 315 milhões), com parcelas previstas para janeiro de 2027 e janeiro de 2028. A possibilidade de redução drástica de receitas coloca sob pressão o cumprimento desses compromissos.
A Betano, empresa de apostas que patrocina o Flamengo em contrato de grande magnitude, sinalizou informalmente a possibilidade de rescindir o acordo diante da proibição. O clube inclusive antecipou recebíveis com a patrocinadora, uma medida que revelava o nível de preocupação interna com a possibilidade de ruptura. Internamente, o Rubro-Negro iniciou conversas com possíveis substitutos, como Lubrax e Banco BRB, mas sem conseguir fechar acordos que compensem a perda.
A articulação no futebol e a defesa de uma transição
A movimentação do Flamengo não é isolada. O clube conta com o apoio de outras entidades do setor e do Sinafut, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional. A articulação defensiva envolve uma proposta clara: a implementação de um período de transição de seis meses para as empresas de apostas deixarem o mercado.
Essa transição seria fundamental para reduzir o impacto imediato previsto na Medida Provisória. A proposta reconhece a necessidade de regulamentação, mas apela por um calendário que permita aos clubes e ao setor esportivo se reorganizarem financeiramente. O argumento central é que uma saída abrupta desorganiza não apenas os compromissos de custeio, mas toda a estrutura de planejamento do futebol profissional brasileiro para 2027 e 2028.
Bap criticou publicamente a medida ao apontar que ela pode comprometer até mesmo o pagamento das parcelas de contratações importantes, transformando a proibição em uma questão que transcende o debate regulatório e toca na viabilidade financeira dos clubes. A Nação rubro-negra acompanha de perto como a administração do clube conduz essa batalha institucional, ciente de que o resultado pode afetar diretamente a capacidade de investimento e a sustentabilidade do futebol que se torce.
O pedido protocolado no STF, endereçado ao ministro Luiz Fux, representa a escalação da disputa do Flamengo pela manutenção de suas receitas de patrocínio. A decisão do Supremo sobre se aceita ou não o ingresso do clube na ação pode determinar se o Mengão terá voz no debate legislativo sobre as apostas esportivas ou se ficará sujeito às consequências de uma decisão tomada sem sua participação.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.