Flamengo x Sampaio Corrêa: Paquetá é testado e time vive cobrança externa

O Flamengo volta a campo neste sábado (07), às 21h, no Maracanã, para enfrentar o Sampaio Corrêa pelo Campeonato Carioca. O duelo traz equilíbrio entre oportunidades de ajuste tático — com Lucas Paquetá sendo testado por Filipe Luís — e um ambiente externo de cobrança após o empate com o Internacional no Brasileirão.

Essa combinação transforma a partida em algo além de mais um compromisso estadual: além de buscar os três pontos, o time terá de conciliar experimentos de formação ofensiva com a necessidade imediata de resultados. Decisões tomadas para este jogo podem influenciar escalações e testes táticos nas partidas seguintes.

O confronto tem histórico muito curto entre as equipes. O Sampaio Corrêa, novato na elite do futebol carioca, enfrentou o Flamengo apenas duas vezes até agora, e ambas terminaram com vitória rubro-negra por 2 a 0.

Retrospecto e números

Dados oficiais entre os clubes indicam: 2 jogos, 2 vitórias do Flamengo, 0 empates, 0 vitórias do Sampaio Corrêa, 4 gols do Flamengo e 0 do Sampaio Corrêa. O retrospecto reduz a incerteza estatística, mas não elimina a necessidade de atenção tática.

O primeiro encontro registrado ocorreu em 31 de janeiro de 2024, pela Taça Guanabara, no Estádio Mangueirão. O Flamengo venceu por 2 a 0, com gols de Gabigol e Bruno Henrique. Naquele jogo, sob o comando de Tite, a equipe começou com Rossi; Wesley, David Luiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Erick Pulgar, Gerson, De la Cruz e Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol — e teve entrada de Varela, Allan, Luiz Araújo, Matheus Gonçalves e Rayan Lucas. O mando foi do Sampaio Corrêa e a partida registrou público de 49.112 torcedores no Mangueirão.

O segundo jogo entre as equipes ocorreu em 30 de janeiro de 2025, novamente pela Taça Guanabara, com nova vitória por 2 a 0 do Flamengo. Os gols daquela partida foram marcados por Alcaraz e Wallace Yan. Já com Filipe Luís como técnico, a escalação inicial trouxe Matheus Cunha; Varela, Cleiton, João Victor e Ayrton Lucas; Evertton Araújo, Allan e Alcaraz; Matheus Gonçalves, Everton Cebolinha e Juninho, com entradas posteriores de Daniel Sales, Guilherme Gomes, Luiz Araújo, Wallace Yan e Arrascaeta.

Paquetá: função, estreia como titular e avaliação técnica

A volta de Lucas Paquetá ao Maracanã foi tratada como evento e recebeu grande recepção: mosaico 3D, bandeirão com o rosto do meia e arquibancada tomada por camisas com o número 20. Em campo, Filipe Luís escalou Paquetá como falso ponta-direita na estreia como titular diante do Internacional, um posicionamento distinto daquele que vinha ocupando anteriormente.

“Ele pode jogar em todas as posições do ataque. Ele encaixa muito bem nessa posição, tem chegada na área, profundidade, domina bem entre linhas, gira, tem gol. Hoje teve duas possibilidades claras. Se associa muito bem com o lateral, consegue fazer essa ida e volta que é exigente. Mas isso não quer dizer que ele só vai jogar ali. O mais importante é que ele é muito determinante. Mesmo não estando na melhor forma física, é um jogador que faz a diferença”

No jogo em que estreou como titular, Paquetá alternou funções: sem a bola, ajudava na marcação pelo setor; com a posse, flutuou pelo meio e abriu o corredor para as subidas de Emerson Royal. A dinâmica teve momentos de encaixe e também pontos a ajustar — o lateral, por exemplo, teve dificuldades nos cruzamentos ao longo da partida.

Em termos de participação ofensiva, Paquetá criou situações de perigo pelo corredor central: finalizou duas vezes — uma de primeira na meia-lua e outra cabeceada após cruzamento de Arrascaeta — e, ao mesmo tempo, um passe errado do meia desencadeou a jogada que resultou no gol de Borré, do Internacional. O conjunto da atuação reuniu sinais positivos de integração e áreas a serem corrigidas nos próximos jogos.

Cobrança pública, desdobramentos e calendário apertado

O empate por 1 a 1 com o Internacional, pelo Brasileirão, gerou manifestações públicas de cobrança. O presidente da organizada Raça Rubro-Negra publicou vídeo nas redes sociais criticando o rendimento do time e pedindo imposição em partidas diante de adversários considerados inferiores, citando partidas do Estadual e compromissos internacionais como referência de exigência.

“Vai ser fácil ganhar do Flamengo? Não. É o atual campeão de tudo. Nossa tabela é muito difícil, mas vamos encarar mais uma pedreira”

Essa declaração do técnico do Vitória, Jair Ventura, aparece no contexto do duelo do próximo dia 10, em Salvador, pelo Brasileirão. Jair ressaltou que sua equipe precisará adaptar postura para enfrentar o Flamengo e já projetou mudanças para tentar incomodar o Rubro-Negro.

Além do confronto com o Vitória na terça-feira (10), o calendário do Flamengo nos próximos dias exige decisões rápidas. Antes do compromisso em Salvador, o clube encara o Sampaio Corrêa no sábado (07), no Maracanã. A proximidade entre jogos estaduais e nacionais força o técnico a administrar minutos de jogadores, preservar recursos e, ao mesmo tempo, testar alternativas táticas.

O teste de Paquetá, a necessidade de recuperação de rendimento após o empate e o calendário repleto são elementos que se combinam para transformar a partida contra o Sampaio Corrêa em um relatório prático para Filipe Luís: rendimento individual, dinâmica ofensiva e resultado imediato serão avaliados à luz das próximas decisões de elenco.

Na prática, espera-se que a escalação para o jogo no Maracanã reflita um equilíbrio entre rodagem de peças e busca pelo resultado. Não há confirmação de mudanças definitivas, mas os desdobramentos da partida poderão sinalizar quais experimentos táticos terão continuidade e quais ajustes serão priorizados nas partidas seguintes.

Para o torcedor, o jogo oferece resposta rápida sobre dois pontos centrais: se o Flamengo consegue converter superioridade técnica em vitória diante de adversário de menor expressão histórica e se os testes ofensivos com Lucas Paquetá avançam na direção desejada por Filipe Luís.