Fragilidade defensiva e revés na Argentina expõem desafios do Flamengo na Recopa

O Flamengo iniciou sua participação na decisão da Recopa Sul‑Americana de 2026 com uma derrota por 1 a 0 para o Lanús, na noite de quinta‑feira (19), no Estádio La Fortaleza, na Argentina. Além de deixar o Rubro‑Negro em desvantagem na disputa pelo título, o resultado acendeu um alerta sobre a performance defensiva da equipe, que sofreu gols pelo oitavo jogo consecutivo — igualando uma das piores marcas recentes do clube.

A sequência de partidas com a defesa vazada atinge todas as frentes de disputa do Flamengo e remete a um período de fragilidade semelhante ao de 2020, quando, durante a transição técnica entre Domènec Torrent e Rogério Ceni, o time levou gols em nove partidas seguidas e acabou eliminado da Libertadores pelo Racing. Em 2026, o time foi vazado em clássicos, no Campeonato Brasileiro, na perda da Supercopa e em uma goleada no Carioca (7 a 1), sinalizando problemas táticos e físicos que Filipe Luís precisa corrigir com urgência.

Na Argentina, o Lanús impôs uma estratégia organizada que neutralizou as principais referências rubro‑negras. A imprensa local — Clarín, Olé e TyC Sports — elogiou a atuação grená, ironizou a disparidade financeira entre os clubes e apresentou o Lanús como um conjunto que soube anular jogadores como De Arrascaeta, além de pressionar Everton Cebolinha e Luiz Araújo. Os veículos destacaram o controle do jogo, o fechamento de espaços e a limitação das ações ofensivas do Flamengo.

Filipe Luís, na coletiva pós‑jogo, admitiu a atuação ruim e considerou a vitória do Lanús justa. “Eles foram superiores, competiram melhor, era claro como queriam jogar, souberam jogar muito bem como queriam, que era incomodar com a bola. Na hora de jogar, conseguiram defender bem, não conseguimos circular a bola quase nunca, não tivemos profundidade. Vitória justa, agora temos que reverter isso na nossa casa”, afirmou o treinador, mantendo a confiança na virada diante da torcida.

Do lado argentino, o técnico Mauricio Pellegrino elogiou a concentração e a intensidade da equipe, mas também pediu cautela para o jogo de volta: “Estou muito feliz pela equipe. Tivemos que fechar os espaços onde o Flamengo queria jogar; estivemos muito concentrados e intensos. Fizemos um primeiro tempo muito bom; a parte mais difícil ainda está por vir, o desafio é manter o ritmo.” O autor do gol, Rodrigo Castillo, atuou mesmo com um estiramento muscular, e o atacante Eduardo Salvio afirmou que o Lanús encara o jogo no Maracanã com confiança, embora reconheça a dificuldade.

O confronto de volta está marcado para quinta‑feira (26), às 21h30 (horário de Brasília), no Maracanã. Para conquistar a Recopa no tempo normal, o Flamengo precisa vencer por dois ou mais gols; vitória por um gol leva a decisão para os pênaltis. Se sofrer um gol em casa, o Rubro‑Negro terá de marcar três para ficar com o título no tempo regulamentar — um cenário que aumenta a pressão sobre a defesa já debilitada.

Antes da decisão continental, o Flamengo tem compromisso pelo Campeonato Carioca: neste domingo (22), enfrenta o Madureira, às 20h30, no Maracanã, pelo jogo de ida da semifinal estadual. A partida surge como última oportunidade para ajustes e recuperação de confiança antes do duelo decisivo pela Recopa.