O ócio e o ópio
Neste meio-tempo sem partida oficial do Flamengo e com alguns jogos de menor relevância no cenário mundial, que estão acontecendo no México, nos Estados Unidos e no Canadá, urge-nos falar sobre o que está em voga no “mengocentrismo” do futebol. Assuntos não faltam: a lesão do Wesley, o término do relacionamento entre Vini Jr. e Virgínia, as férias do Pedro na Disney ou a nova espécie de camarão asiático gigante que tem invadido o Litoral Paulista, o que pode trazer doenças e ameaçar a biodiversidade se alguma malfadada e improvável onda levar a espécime das águas paulistas às águas da Lagoa, à beira da qual se situa a Gávea.
Mas temos que tomar cuidado com o ócio. Isto porque ócio e ópio andam juntos: um leva ao outro. No sentido figurado, o ópio é aquilo que causa alheamento da realidade, entorpecimento ou adormecimento moral.
Por aqui, um olho fica na Copa do Mundo e o outro olho, no Mengo. E nossa diretoria? Será que está com os dois olhos no clube? Ou está ociosa, curtindo o ópio da intertemporada? Digo isso porque há algumas pendências que devem ser resolvidas neste período, até o final de julho. Uma delas é recuperar os jogadores lesionados e acompanhar a situação do Arrascaeta. Sabemos que a Seleção Uruguaia é uma máquina de moer o físico dos jogadores (e a Seleção Brasileira não é muito diferente), pois não é de hoje que data-Fifa, para o Flamengo, é sinônimo de pânico e lesão. Não adianta escrever notinhas de repúdio à imprensa. Quero saber se Arrascaeta, Jorginho e afins estarão aptos após a Copa.
Não muito diferente é a situação das (possíveis) novas contratações. Ayrton Lucas, ouvi falar, pode estar de saída e, sinceramente, acho que o tempo dele se esgotou. Precisamos de laterais para ontem, meias e centroavantes, talvez até zagueiros (estes, para compor elenco). E agora li que o Palmeiras está perto de fechar com o Danilo Santos, do Botafogo. Das duas, uma: ou esse Boto é um folclore (com o perdão da figura de linguagem) ou o Flamengo simplesmente não quer contratar o cara e está deixando nosso principal rival se fortalecer.
O que vocês acham? Nossa diretoria está no ócio ou agindo quietamente? Nosso elenco precisa de quais reforços?
Doce memória: 27/05/2001
Dia desses fez 25 anos do “gol do Pet“, essa expressão que designa um lance específico, em meio a tantos outros que o sérvio proporcionou de alegrias ao Flamengo.
Para minha geração, que sofreu com os sombrios tempos flamengos entre 1995 e 2005, um tricampeonato estadual valia até mesmo uma estrela sobre o escudo no Manto. Hoje, não vai nem uma jujuba.
Em 2001, quem tinha um timaço era nosso Vice. Recém campeão brasileiro e da Mercosul em 2000, com uma Libertadores e outro Brasileiro dali para há três anos (1997), o Vasco não se criou no Carioca por algum período. Em 2001, novamente a Maria-Fumaça da Colina tinha a vantagem de dois resultados iguais e venceu o jogo de ida da final por 2×1, de virada. Na volta, cabia ao Mengo vencer por dois gols de diferença ou voltar pra casa sem o desejado tri. Petkovic e Edilson não se entendiam fora de campo. Apenas dentro. Isso já bastava. O ex-BBB meteu dois gols e o Pet fechou o caixão no “minuto M”, antes do apito final do saudoso Leo Feldman. Naquela partida, além do sérvio, claro, que fez o gol do título, e do Capeta Baiano, o grande destaque foi o goleirão Júlio César, que salvou diversas bolas desde o 1º tempo, principalmente do Juninho Paulista e do Euller.
O “gol do Pet” talvez tenha sido o gol do Flamengo que mais vi e revi nestes meus quase 40 anos de vida, de VHS ao YouTube e, hoje, nas redes sociais. É questão de tempo ser ultrapassado pelo “gol do Gabigol“, outra expressão que designa um lance específico, em meio a tantos outros que o Gabi proporcionou. Mas até lá…
Isto posto,
SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS.

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.