Por: Higor Neves
Após uma semana conturbada, o clima no Flamengo voltou a ser tranquilo e de confiança. Com duas vitórias consecutivas – uma sobre o Fortaleza e outra em cima do Corinthians -, o Rubro-Negro parece ter ganhado força não só em campo, mas também no dia-a-dia de trabalho. Isso se passa também pelas ideias do técnico interino Marcello Salles. E não só pelas ideias que ele aplica dentro das quatro linhas, mas também pelo que diz.
Na coletiva após o triunfo por 1 a 0 sobre o Corinthians, que confirmou o favoritismo do Fla e levou a equipe às quartas de final da Copa do Brasil, Marcelo fez questão de destacar o apoio que recebeu internamente, citando a diretoria como fundamental para o bom trabalho que realizou neste curto período.
– O Flamengo tem alguns profissionais que são fixos da análise, preparação física, de goleiros. E eu também faço parte e me cerquei com todos eles. São amigos, profissionais muito capacitados. Sou muito grato à minha comissão técnica. Em nenhum momento eles deixaram de me ajudar. Estendo o agradecimento ao presidente, ao Marcos Braz, diretores, Noval, Pelaipe, todos me apoiaram nesse momento de transição.
Esse foi mais um dos quesitos em que Salles se diferenciou de Abel Braga. Afinal, ao pedir demissão de seu cargo no Flamengo, o ex-treinador detonou a cúpula rubro-negra, afirmando que não teve respaldo da diretoria em momento algum.
“Não aceito “trairagem”. Agora mesmo soube que o Landim disse, na entrevista, que eu sai por problema pessoal. Mais uma mentira! Apoio e respaldo zero foi o que tive! O Fla é o máximo. Mas as pessoas que o dirigem, não”, foi o que disse Abel em entrevista ao Uol. Além disso, em áudio vazado em redes sociais, o treinador chegou a dizer que a diretoria do Flamengo o “entregou aos leões”.

NÃO PARA POR AÍ…
A postura do Flamengo em campo é claramente outra, com a equipe propondo o jogo e tentando fazer valer a superioridade técnica de seus atletas. Foi assim, por exemplo, contra o Fortaleza, partida em que o Fla buscou mais gols a todo momento. Na ocasião, após o trinfo por 2 a 0, Salles deu uma leve alfinetada em relação ao estilo que Abel tentou empregar no Rubro-Negro, com ideia mais reativa.
– Não tem como ficar jogando bola longa com esses três jogadores tão talentosos como Diego, Everton Ribeiro e Arrascaeta. Em algum momento, esses três jogadores da frente iam achar o Gabriel nos espaços vazios que trabalhamos –, declarou o interino, que ainda fez outra afirmação elogiando as ideias pedidas por rubro-negros: “A torcida do Flamengo é muito inteligente. Ela sabe o que esperar do treinador. Nós que recebemos conselhos da Nação. Nós que buscamos o aprendizado”.
Enquanto isso, Abel não escondia seu apreço por explorar espaços para contra-ataques após chamar o adversário para seu campo de jogo. Tática que, em determinadas ocasiões, como a semifinal da Taça Guanabara (contra o Fluminense) e partida contra a LDU, na quinta rodada da Libertadores, não deram certo.
“O Flamengo é muita posse de bola e estou tentando tirar isso um pouquinho, algo mais real, mais reativo, mais na direção do gol. Não significa que eu não queira a posse de bola, mas para mim, quanto mais rápido chegar no gol adversário, melhor”, foi o que disse Abel em entrevista ao jornalista Mauro Cezar Pereira.
SALLES PREPARA ‘PASSAGEM DE BASTÃO’ EM ALTA E COM MORAL
Apesar do bom início na equipe principal, Salles sabe que seus dias no cargo de treinador não vão durar muito. Isso porque, desde o último sábado (01), o Flamengo já havia acertado com Jorge Jesus para a função de técnico. Porém, se mantiver o nível do trabalho nas duas partidas que ainda restam antes da pausa para a Copa América – quando o novo treinador assumirá -, é certo que Salles passará a ter mais confiança interna e, principalmente, prestígio do torcedor rubro-negro.


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