Leonardo Jardim deixou claro em entrevista coletiva que não pensa em apressar o desenvolvimento do jovem lateral Johnny. O técnico do Mengão afirmou ter experiência em lançar jogadores da base e que, com o lateral de 19 anos, a prioridade é a preparação correta antes do lançamento.
Johnny foi relacionado para o duelo contra o Grêmio, no domingo (10), pelo Brasileirão, e chegou em Porto Alegre na sexta-feira (08) para ocupar a vaga de Alex Sandro, suspenso automaticamente. Apesar da presença na lista, o jovem não entrou em campo quando Ayrton Lucas saiu por cansaço na segunda etapa. Jardim optou por improvisar Varela na esquerda e movimentar Emerson Royal para a direita.
Na falta do lateral esquerdo trouxemos o Johnny, um menino que está começando, não iríamos queimá-lo. Na carreira já lancei dezenas e dezenas de grandes jogadores. Os jovens têm de ser preparados para fazerem bem, e ainda não tive tempo para preparar.
A declaração de Jardim sinalizou cautela com um promissor da base. Diferente de uma escolha técnica precipitada durante um jogo, o técnico vê em Johnny um projeto a ser desenvolvido com cuidado. O lateral já havia atuado pelo profissional na temporada anterior, contra o Mirassol, na última rodada do Brasileirão, acumulando experiência mesmo que ainda limitada.
Pré-temporada como laboratório para a base
Jardim revelou um plano específico para maximizar o contato com jogadores da base. Durante o final de maio e a pré-temporada que se estenderá por junho e julho — período que coincide com a pausa para a Copa do Mundo 2026 — o técnico pretende observar os melhores talentos do sub-20 e das categorias inferiores do clube.
Segundo Jardim, as circunstâncias atuais não permitem esse tipo de avaliação. Com o calendário sobrecarregado — o Flamengo disputa simultaneamente Campeonato Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil — e com viagens constantes, fica difícil criar dinâmicas de trabalho que façam emergir o potencial dos jovens. Na rotina de competições, os garotos da base têm poucas oportunidades de treinar regularmente com o elenco principal.
A pausa para a Copa do Mundo abre uma janela que Jardim pretende aproveitar. Sem compromissos de clubes por algumas semanas, será possível submeter promissores como Johnny a situações de treinamento mais intensas e contextualizadas. O técnico já indicou que a aposta no momento recai sobre jogadores que trabalham diariamente com ele, mas a base seguirá sendo avaliada sistematicamente.
Essa abordagem reflete a experiência acumulada por Jardim. O técnico ressaltou que já lançou dezenas de grandes jogadores em sua carreira, sugerindo que conhece bem o timing correto para inserir um jovem no profissional. Johnny, portanto, segue sob supervisão — nem descartado, nem apressado.
O contexto de um calendário apertado
A decisão de Jardim também carrega nuances do momento vivido pelo Mengão. O técnico já havia apontado que o calendário comprimido e as lesões dificultam o trabalho tático da equipe. Com três frentes simultâneas, não há margem para experimentos arriscados em posições sensíveis como a lateral esquerda.
Alex Sandro segue como titular indiscutível, e Ayrton Lucas representa a alternativa imediata. Johnny entra como terceira opção, alguém que pode ser integrado gradualmente sem comprometer resultados no presente. A estratégia é clara: proteger o jovem lateral da pressão de ser lançado prematuramente e permitir que cresça na base antes de assumir papéis definitivos no elenco.
A partida de volta contra o Vitória, marcada para quinta-feira (14) às 21h30 no Barradão, pela quinta fase da Copa do Brasil, exemplifica bem essa dinâmica. Com vantagem de 2 a 1 da ida, o Flamengo precisa apenas de um empate para avançar. Nesse cenário, mantendo a rotina com jogadores consolidados é a opção mais prudente.
Jardim segue traçando seu caminho no Mengão ponderando experiência, calendário e desenvolvimento de talentos. Johnny terá sua oportunidade — mas quando a preparação estiver completa.

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