Leonardo Jardim sofreu sua primeira derrota à frente do Flamengo nesta quinta-feira, quando o time perdeu por 3 a 0 para o Red Bull Bragantino no Estádio Municipal Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista. A goleada marcou a nona rodada do Campeonato Brasileiro e interrompeu um início promissor do treinador, que havia acumulado três vitórias e dois empates. Com o resultado, o Rubro-Negro parou nos 14 pontos e viu a distância para o Palmeiras aumentar para oito pontos — o líder tem 22 e ainda joga nesta rodada.
A noite foi de irreconhecibilidade para o time carioca. O período de Data FIFA, suposto momento para treinar e recuperar jogadores, não surtiu efeito. Desde os primeiros minutos, o Flamengo se comportou como um time desorganizado, sem propósito e vulnerável. Aos 16 minutos do primeiro tempo, Juninho Capixaba descolou um lançamento milimétrico nas costas da defesa flamenguista; Isidro Pitta infiltrou com velocidade e, com um toque sutil de cobertura, superou Agustín Rossi para abrir o placar.
O segundo gol ampliou o vexame. Aos 38 minutos, em cobrança curta de escanteio, o volante Gabriel — raramente um artilheiro — recebeu na intermediária e acertou um chute potente do meio da rua, mandando a bola no ângulo. O Flamengo não oferecia resistência. Mantinha 60% de posse de bola, mas não criava chances reais de ataque. A qualidade técnica cedia espaço à apatia.
No intervalo, Leonardo Jardim tentou mudar o panorama com duas substituições: entraram Everton Cebolinha e Carrascal nas vagas de Lucas Paquetá e Luiz Araújo. A tentativa de reação durou pouco. Aos 4 minutos do segundo tempo, Erick Pulgar cometeu um ato de indisciplina que resumiu a noite do Flamengo. Após Sant’anna tomar a bola do volante chileno, Pulgar perdeu completamente o controle emocional e agrediu o adversário com um soco na nuca. O VAR chamou a atenção do árbitro, que aplicou cartão vermelho direto. Uma expulsão desnecessária e infantil.
Com um jogador a menos, o Flamengo desabou. Aos 9 minutos, Lucas Barbosa subiu sozinho em cobrança de escanteio e cabeceou firme para fazer o terceiro gol. O time havia dado apenas um chute na direção do gol em toda a partida. Nas arquibancadas, a torcida do Bragantino gritou “olé” — sinal de humilhação. Henry Mosquera ainda marcaria um quarto gol, mas o VAR anulou o lance por toque de mão na origem da jogada.
A derrota revelou problemas que vão além de uma noite ruim. Pedro, principal atacante do Flamengo, tocou na bola apenas 16 vezes e teve apenas uma situação de gol clara — quando Ayrton Lucas, que deveria passar a bola, preferiu chutar. O lateral esquerdo foi questionável: não desarmou nenhuma jogada, sofreu dois dribles, errou seus cruzamentos e perdeu a posse oito vezes. O lado defensivo também falhou sistematicamente.
Após o apito final, veio a revolta. Danilo, zagueiro e referência do elenco, pediu a palavra e desabafou. “Vergonha. O que a gente fez em campo verdadeiramente foi algo que não pode acontecer com a camisa do Flamengo. Nem só com a camisa do Flamengo, mas a história individual de cada um”, começou o defensor. Danilo cobrou exame de consciência e pediu uma postura diferente dentro e fora do vestiário. “Agora não é hora de falar muito, precisamos agora estar calados, trabalhar e melhorar, porque a história do Flamengo, hoje é um capítulo que eu não me orgulho nem um pouco de passar por isso”, finalizou.
A humilhação em Bragança Paulista abre o mês de abril com uma maratona de partidas decisivas já começada de forma desastrosa. O Flamengo permanece fora do G4 e precisa reagir rapidamente. O próximo compromisso é no domingo, às 17h30, contra o Santos no Maracanã, pela décima rodada do Brasileirão. Pulgar será desfalque automático devido à suspensão pela expulsão; Leonardo Jardim deve escalar Evertton Araújo em seu lugar, já que Saúl ainda não está apto para jogar. A urgência em recuperação agora não é mais editorial — é sobrevivência.

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