João Luis Jr.: “Pode avisar o gari: o Flamengo jogou outra temporada no lixo”

João Luis Jr.: “Pode avisar o gari: o Flamengo jogou outra temporada no lixo”

Começar bem a partida, pressionar o adversário, fazer um gol, aí recuar até levar o empate ou até mesmo a virada. Ter a posse de bola, dominar totalmente as ações, não conseguir transformar isso em chances claras e aí perder com um gol aleatório do adversário no segundo tempo. Atuar bem numa partida importante, ter o jogo nas mãos, mas não não vencer porque alguém no nosso ataque parece acreditar que gol de dentro da pequena área não vale.

Essas são apenas algumas das maneiras que o Flamengo encontrou, não apenas nessa temporada como também nas últimas, para torturar a sua torcida – e estamos falando apenas do que os jogadores fazem dentro de campo, nem entramos nas avançadas técnicas de guerrilha psicológica da nossa direção, que vão desde negar carências óbvias para fazer com que a torcida se sinta maluca até investir maciçamente numa posição já cheia de jogadores e não querer gastar um centavo em outra onde não temos ninguém.

E por que eu digo tortura? Porque existe algo de muito especial e cruel na maneira como o Flamengo vem perdendo. Veja o jogo desse domingo, contra o São Paulo. Um empate para o torcedor rubro-negro, apesar de frustrante, apesar de praticamente acabar com as nossas chances de título nesse Brasileirão, não seria um absurdo. A partida era fora de casa, o São Paulo é uma equipe do G4, seria um resultado desagradável mas ainda assim compreensível. Mas claro, o Flamengo não pode apenas empatar com o São Paulo.

Afinal, um 0x0 seria um resultado normal. Até mesmo o 2×2, que foi o placar final da partida, seria um resultado frustrante mas que talvez até deixasse na boca algum gosto de triunfo, por termos chegado a estar perdendo de 2×1. Mas não, o Flamengo precisa, após empatar, perder algum gol incrivelmente feito, para te proporcionar, por alguns segundos, a sensação de que sim, dá, sim, é possível, apenas para, no momento seguinte te lembrar que não, com esse Flamengo não vai dar, com esse Flamengo não vai ser possível.

E não foi assim só hoje, na chance que Vitinho perdeu e talvez seu filho de 11 anos não perderia, ou na semana passada, quando Paquetá errou uma bola que fez o atacante Negreiros sorrir onde quer que ele esteja, jogadas que juntas nos custaram 4 pontos e possivelmente definiram que esse ano não vamos ganhar nada além de, talvez no caso do torcedor, um agravamento do problema de gastrite.

Vem sendo assim desde 2013, em variados graus, com uma equipe que parece tirar algum prazer do fato de criar no torcedor expectativas que ela mesma vai destruir, mais ou menos como quando o Pará rouba uma bola e você começa a imaginar o contra-ataque mas aí ele erra o passe e você lembra que, bem, era o Pará, o que você esperava que fosse acontecer?

Ser campeão brasileiro nesse momento é matematicamente possível? Sim, realmente. Mas como criar algum tipo de expectativa, algum tipo de esperança, numa equipe que trata os nossos sonhos da mesma maneira que trata uma bola pipocando na pequena área, ou seja, chutando com muita força para muito longe?

Reprodução: João Luis Jr. | Blog Isso Aqui é Flamengo