Jorge Jesus era apenas uma criança quando prometeu disputar uma final de Copa à família. Mesmo criado em um país onde a liga é mais valorizada, o português adquiriu paixão incomum por este formato. Tomou gosto e se tornou “supercampeão”. E quando o Flamengo entrar em campo contra o Athletico hoje, às 11h, em um Mané Garrincha que promete maioria rubro-negra nas arquibancadas, pela Supercopa do Brasil, o treinador terá a chance de se tornar tetracampeão desse modelo de torneio — o primeiro no Fla, depois de vencer em Portugal e Arábia Saudita.

A Supercopa, que volta a ser disputada hoje depois de três décadas, coloca frente a frente o campeão brasileiro e os paranaenses, que venceram a Copa do Brasil. Até ontem, 48 mil ingressos foram vendidos. O Flamengo está na capital federal desde quinta-feira e vem sendo acompanhados de perto pela torcida — Brasília concentra o maior número de sócios-torcedores fora do Rio.

Em Portugal, Jesus triunfou em Supercopas com Benfica (2014) e Sporting (2015). Na Arábia Saudita, levantou o caneco com o Al-Hilal, em 2018. Vencer Supercopas não é novidade para Jorge Jesus, mas algo inédito para o Flamengo, que foi vice-campeão em 1991 — derrotado pelo Corinthians por 1 a 0, na segunda e última edição do formato.

A paixão do treinador por Copas — ou Taças, como é dito em terras portuguesas —, tem uma história de dor. Não é apenas pela participação esportiva, é pela chance de honrar a memória de um parente querido. Foi vendo um jogo de Copa Portugal que Jorge Jesus perdeu o avô, quando tinha apenas 13 anos. A história é confirmada por Rui Pedro Braz, autor da biografia do técnico.

— O avô morreu ao lado do Mister na final da Taça Portugal, entre Vitória de Setúbal e Acadêmica de Coimbra. Não aguentou a emoção e faleceu. Isso marcou tanto o Mister, que disse à família que “o veriam jogar uma final de Taça”. Não conseguiu como jogador, mas conseguiu como técnico — conta o escritor.

Apesar de ser uma novidade no Brasil, a Supercopa foi tratada como o primeiro grande objetivo do Flamengo no ano. O técnico valorizou a possível conquista:

— Vamos disputar um troféu importante entre os vencedores. É um troféu que na Europa valorizamos muito. Todos os brasileiros vão valorizar também.

Relembre as conquistas de Jorge Jesus:

Supertaça Cândido de Oliveira de 2014: Benfica 0 (3) x (2) 0 Rio Ave

O primeiro título de Jorge Jesus no torneio veio nos pênaltis. Após empate por 0 a 0 no tempo normal, o Benfica venceu o Rio Ave por 3 a 2 nas penalidades. Os brasileiros Artur Moraes, Luisão, Jardel, Anderson Talisca, Lima e Derley estavam no Benfica, enquanto o Rio Ave tinha Cássio, atualmente no Corinthians, e Filipe Augusto.

Jorge Jesus no Benfica Foto: Reprodução

Supertaça Cândido de Oliveira de 2015: Sporting 1 x 0 Benfica

O Sporting conquistou a Supertaça Cândido Oliveira ao vencer o Benfica por 1 a 0, no Estádio Algarve, com gol de Carrillo, aos 53 minutos. O chute de fora da área desviou em Téo Gutierrez e enganou o goleiro Júlio César.

Jorge Jesus no Sporting Foto: Reprodução
Jorge Jesus no Sporting Foto: Reprodução

Supercopa da Arábia Saudita de 2018: Al-Hilal 2 x 1 Al-Ittihad

Jorge Jesus conquistou a Supercopa da Arábia Saudita com o Al-Hilal ao vencer por 2 a 1 o Al-Ittihad. Curiosamente, a partida foi disputada em Londres e contou com gols marcados por Carlos Eduardo e Gelmin Rivas para a equipe do português. Karim El Ahmadi descontou.

Jorge Jesus no Al-Hilal Foto: Reprodução
Jorge Jesus no Al-Hilal Foto: Reprodução