Jorge Jesus se emocionou ao falar do Flamengo neste domingo (27), logo após a vitória de Portugal por 2 a 1 sobre a Noruega, fora de casa, pela Nations League. Em entrevista à ESPN, o ídolo rubro-negro abriu o coração e admitiu que pensou sempre em voltar ao Mengão, mas reconheceu que “as coisas se tornaram mais difíceis”. Aos 72 anos e com contrato até dezembro de 2030 com a Seleção Portuguesa, o técnico vê a possibilidade de retorno cada vez mais distante.
A declaração de Jorge Jesus reflete a ligação visceral que mantém com o clube carioca. Em sua fala à emissora, o Mister recordou a profundidade do vínculo estabelecido durante sua passagem pelo Mengão. “Significa muito. Talvez, o melhor período da minha carreira como treinador de clube. Foi um marco histórico, não apenas desportivamente, como sentimentalmente. A forma como os torcedores me abraçaram, me acarinharam, nunca vou esquecer”, disse.
A frustração expressa por Jorge Jesus está ancorada em oportunidades que não se concretizaram. O técnico deixou o Flamengo em 2020, durante a pandemia, após uma trajetória vitoriosa que rendeu cinco títulos: Libertadores, Brasileirão, Campeonato Carioca, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana. Desde então, o Mais Querido demonstrou interesse em seu retorno em mais de uma ocasião, particularmente entre 2022 e 2023.
As tentativas que quase aconteceram
Naquele período, após as saídas de Paulo Sousa, Dorival Júnior e Vítor Pereira, o então vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, visitou pessoalmente o Mister em sua residência em mais de um momento para negociar seu retorno. A proximidade chegou ao ponto de haver conversas avançadas, mas o obstáculo era o mesmo: Jorge Jesus respeitou seu compromisso com o Benfica e optou por não rescindir o contrato.
Houve um episódio particularmente próximo de concretização. Quando Paulo Sousa foi demitido do Benfica, o Flamengo se movimentou rapidamente e acertou com o ex-técnico da Seleção Polonesa poucos dias antes de Jorge Jesus ser afastado do clube português. A diferença de dias transformou aquela oportunidade em um “quase” que marcaria sua trajetória.
O compromisso ético do técnico com seus empregadores anteriores — primeiro o Benfica, depois o Al Nassr — funcionou como barreira nos momentos em que a Nação rubro-negra esperava seu retorno. Essa característica, embora tenha afastado Jorge Jesus do clube, reforçou sua reputação como profissional íntegro no futebol europeu e asiático.
O presente e a realidade do afastamento
Após vencer o Campeonato Saudita na temporada 2025/26 pelo Al Nassr, Jorge Jesus optou por não renovar contrato com o clube da Arábia Saudita. Em julho de 2026, assinou com a Seleção Portuguesa, um projeto de grande responsabilidade que o afasta ainda mais de uma possível volta ao futebol de clube no Brasil. O contrato com os lusos vai até dezembro de 2030, período longo que torna qualquer retorno ao Mengão uma perspectiva cada vez mais remota.
O início da jornada pela Seleção Portuguesa tem sido promissor. No primeiro jogo, Portugal venceu o País de Gales por 1 a 0. Neste domingo, a vitória sobre a Noruega, em plena casa do atacante Erling Haaland — carrasco do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 — consolidou um início empolgante na Nations League.
A fala emocionada de Jorge Jesus deixa claro que a ligação com o Flamengo permanece viva, mas as circunstâncias profissionais e etárias trabalham contra seu desejo declarado de retorno. O técnico, que deixou marcas indeléveis na história rubro-negra e segue sendo lembrado pela Nação como um dos maiores técnicos do clube no século XXI, reconhece que o tempo e as oportunidades não se alinham mais a seu favor.
Com o Flamengo em plena disputa por títulos nacionais e internacionais sob comando de outros técnicos, e Jorge Jesus consolidado na estrutura da Seleção Portuguesa até o final da década, a realidade é que o reencontro entre o Mister e o Mengão no banco de reservas segue cada vez mais como um capítulo fechado da história de ambos.

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