José Boto abriu fogo contra a decisão da CBF de reduzir gradualmente o número de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro. O diretor de futebol do Flamengo não apenas contestou a medida aprovada, mas propôs uma alternativa que, segundo ele, faria muito mais sentido para o futebol nacional.
A CBF aprovou o corte no limite de estrangeiros que poderão ser relacionados por partida. Atualmente, os clubes podem inscrever até nove atletas estrangeiros. A partir de 2027, esse número cai para oito. Em 2028, o limite desce a sete. Em 2029, seis. E em 2030, chega ao teto de apenas cinco. A redução ocorre ao mesmo tempo em que a entidade estabeleceu novas regras de inscrição: cada clube poderá registrar 50 atletas no total, sendo obrigatoriamente pelo menos 20 com até 23 anos de idade.
Boto, porém, enxerga na medida um risco real à competitividade do Brasileirão. Para o dirigente do Mengão, a restrição não resolve o problema que o futebol brasileiro enfrenta há anos: a evasão precoce de talentos para a Europa. “Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro. Pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo para a Europa muito novos”, afirmou.
A alternativa proposta pelo diretor do Flamengo
Ao criticar o limite de estrangeiros, Boto defendeu uma mudança que, em sua avaliação, resolveria questões mais estruturais do mercado nacional. Ele sugeriu restringir as transferências entre clubes brasileiros, uma prática que, segundo ele, não existe em nenhuma outra parte do mundo.
“Acho que há uma medida que essa sim faria todo o sentido, que era a de não limitar as transferências entre clubes brasileiros a um número de jogos, porque isso é algo que não existe em mais nenhuma parte do mundo”, declarou. Boto se referia à regra que impede um jogador de atuar por uma segunda equipe nacional após fazer 12 partidas pela primeira no mesmo ano civil — uma restrição que ele acredita prejudicar o desenvolvimento e a movimentação de atletas domésticos.
O diretor do Mais Querido acredita que flexibilizar esse mecanismo permitiria maior circulação de jogadores dentro do país, potencialmente fortalecendo a competição e reduzindo a necessidade de trazer estrangeiros. A proposta será levada à discussão na próxima reunião entre os clubes e a CBF, abrindo espaço para que outras instituições se posicionem sobre a sugestão.
Flamengo e Bahia votam contra a decisão
O Flamengo não ficou sozinho na contestação. O Bahia, clube que também tem presença relevante no mercado internacional, votou contra a mudança. A dupla formou bloco de oposição à medida, sinalizando que a decisão não é unânime entre as agremiações do futebol brasileiro.
A aprovação da redução de estrangeiros reflete uma discussão mais ampla sobre o futuro da liga. Enquanto alguns clubes veem na medida uma forma de fortalecer a formação de talentos nacionais, outros — como o Flamengo — argumentam que o efeito será inverso: enfraquecerá o nível geral da competição e não barrerá a saída de jovens prometedores para o exterior.
O cenário de divergências mantém o tema em aberto. A forma como a restrição será implementada nos próximos anos, especialmente como a liga absorverá o impacto nas temporadas 2027, 2028, 2029 e 2030, permanece em debate. Caso a redução proceda como aprovada, o Brasileirão enfrentará uma transformação significativa no seu perfil competitivo, com menos espaço para contratações internacionais e maior dependência de atletas desenvolvidos domesticamente ou já consolidados no mercado nacional.
Boto deixou claro que o Flamengo continuará atento ao desdobramento das discussões e que a entidade está aberta a outras soluções que considere mais eficazes para o futebol brasileiro. A próxima reunião de clubes com a CBF será o palco onde essas questões ganharão novo impulso, e as posições de dirigentes como a do rubro-negro tendem a influenciar o tom e o rumo da conversa.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.