Júlio César revelou nesta terça que teve papel decisivo nos bastidores da contratação de Jorge Jesus pelo Flamengo em 2019. O ex-goleiro, que trabalhara com o técnico português no Benfica, conversou com dirigentes e jogadores do Mengão antes da chegada do treinador, influenciando a decisão de trazer o Mister para o Brasil.
Tudo começou quando Marcos Braz, então diretor de futebol, ligou para Júlio César perguntando como era Jorge Jesus. “O Marcos me liga me perguntando como era o Jorge. Aí falo pra ele: assina correndo com ele, pois ele está esperando a proposta do Porto. O sonho dele era treinar os três grandes de Portugal”, revelou o ex-atleta.
A recomendação do Mais Querido carregava peso. Júlio César havia sido comandado por Jorge Jesus na Europa e conhecia em profundidade o trabalho do técnico. A urgência na fala do ex-goleiro não era casual: o Porto realmente havia demonstrado interesse no português, e o risco de perder a oportunidade era real.
Conversas com jogadores antes da chegada
Mas a influência de Júlio César não parou na conversa com a diretoria. Depois que o acerto começou a ganhar forma, jogadores experientes ligaram para o ídolo rubro-negro em busca de informações sobre quem estava chegando. “Depois que as coisas foram acontecendo, me ligaram Diego Ribas, Diego Alves, Tannure, uma galera daquele grupo, para saber quem era Jorge Jesus”, contou.
Novamente, Júlio César ofereceu sua propriedade e experiência. Alertou que o Mister tinha um jeito especial de ser, mas orientou o grupo a se dedicar às ideias que o técnico traria. “Falei para eles que, se a ideia do Jorge fosse comprada, eles ganhariam tudo”, completou.
A previsão do ex-goleiro se mostrou profética. Jorge Jesus chegou ao Flamengo e conquistou títulos em sequência. Ainda em 2019, conquistou o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores — encerrando jejuns de décadas para o rubro-negro nas duas competições. O Mengão não vencia o Brasileirão desde 2009 e estava fora da Libertadores desde 1981.
A explosão de títulos em pouco mais de um ano
No início de 2020, Jorge Jesus somou mais três troféus rapidamente: Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana e Campeonato Carioca. Saiu do cargo no meio do ano com um total de quatro conquistas em pouco mais de 12 meses — um trabalho que moldou o futebol da Nação rubro-negra por anos seguintes.
O impacto dessa gestão transcendeu números. O Mengão redescobriu seu potencial vencedor após período prolongado de seca. A torcida respirou alívio e esperança renovada. E Júlio César, discretamente, havia sido um dos agentes daquela transformação.
A propriedade do ex-goleiro para falar de Jorge Jesus vinha direto da vivência europeia. Ambos trabalharam juntos no Benfica, clube português onde Júlio César construiu boa parte de sua reputação internacional. Aquela experiência não era apenas conhecimento de jogador — era propriedade comprovada de quem havia treinado sob o comando do técnico e podia atestar sua qualidade com base em fatos concretos, não em boatos.
Após sair do Flamengo, Jorge Jesus seguiu carreira em alto nível. Comandou Neymar no Al Hilal e Cristiano Ronaldo no Al Nassr, ambos times sauditas. Atualmente, o português está à frente da Seleção Portuguesa com foco na preparação para a Copa do Mundo de 2030, um passo à frente em sua trajetória como treinador.
Enquanto isso, o Flamengo segue seu calendário comprometido. O rubro-negro volta a campo no dia 8 de outubro, numa quinta-feira, quando enfrenta o Santos pelo Brasileirão na Vila Belmiro. O confronto está marcado para às 19h30 (horário de Brasília), com transmissão pelo Premiere.

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