A chegada de Leonardo Jardim ao comando técnico do Flamengo abre um novo capítulo para o Rubro-Negro às vésperas da final do Campeonato Carioca. O treinador português assinou contrato na última quarta-feira (4) e foi oficialmente apresentado na quinta-feira (5). Neste domingo, Jardim terá seu primeiro desafio em uma partida decisiva: a final contra o Fluminense, marcada para 8 de março de 2026, às 18h (horário de Brasília), no Maracanã.
Transição e expectativas
O momento de transição é estratégico: o clube chega ao clássico vindo de dois vice-campeonatos em 2026 — Supercopa do Brasil (contra o Corinthians) e Recopa Sul-Americana (contra o Lanús) — e a direção do Flamengo espera uma guinada rápida no desempenho. Jardim tem a missão de imprimir sua identidade e buscar o primeiro título do ano para o Mais Querido.
Jardim e a filosofia de trabalho
Na sua primeira coletiva no Ninho do Urubu, o treinador foi questionado sobre a fama de “linha dura” e comentou sua visão sobre gestão de grupo e relação com os atletas:
“Não sei se sou linha-dura. Tenho minhas ideias e tem uma coisa: tenho uma relação de respeito muito grande pelos jogadores, de proximidade. Mas sempre na linha: o pai tem uma relação de respeito pelo filho, mas uma linha que não pode passar. Sempre defendendo os interesses do clube. Na carreira, não tive grandes problemas com os jogadores. Sempre defendo o bem-estar do grupo, as relações, a dinâmica. É inegociável alguém estar à frente do grupo e os interesses individuais estarem à frente dos interesses do clube. Acredito em um grupo forte, boas dinâmicas, boas relações, acredito que vão correr por mim e dar o máximo se tiver uma boa relação e conseguir incutir uma ideia. Se não conseguir incutir a ideia, não tem trabalho que vá para a frente.”
Embora tenha destacado proximidade e respeito, cabe lembrar que, em passagem anterior pelo Cruzeiro, Jardim teve autonomia para intervir no ambiente e afastar jogadores por questões disciplinares — caso do atacante Dudu — fato que contribuiu para a percepção pública sobre seu estilo exigente de comando.
A ênfase no “bem-estar do grupo” e nos “interesses do clube” indica uma abordagem que privilegia coesão e prioridade coletiva, essencial para o Flamengo num calendário apertado e em disputa por posições no elenco, pensando não só na final imediata, mas na sustentabilidade do ambiente nas próximas competições.
Desafios e escalação para a final
Jardim estreia em um clássico e deve promover mudanças significativas após a goleada por 8 a 0 sobre o Madureira. A expectativa é de até sete alterações na equipe titular em busca do equilíbrio tático e de rendimento no confronto decisivo.
As mudanças projetadas indicam a entrada de Rossi, Varela, Danilo, Léo Pereira, Erick Pulgar, Arrascaeta e Gonzalo Plata nos lugares de Andrew, Emerson Royal, Léo Ortiz, Vitão, Evertton Araújo, Carrascal e De La Cruz. Assim, o provável Flamengo para a decisão seria:
Rossi; Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Lucas Paquetá e Arrascaeta; Everton Cebolinha, Pedro e Gonzalo Plata.
Essa formação mostra a tentativa de Jardim de impor rapidamente sua visão tática, buscando equilíbrio entre defesa e criação ofensiva já na estreia.
Contrato e salário
O treinador assinou vínculo de dois anos com validade até dezembro de 2027, com cláusula de multa rescisória caso alguma das partes decida encerrar o acordo antes do término. O salário anual informado é de aproximadamente 4 milhões de euros líquidos, o equivalente a cerca de R$ 24 milhões por ano (R$ 2 milhões mensais). Esse valor é similar ao pago ao técnico anterior, mas o custo total para o clube será maior quando considerados impostos e a remuneração da comissão técnica que o acompanha.
O início de Jardim no Flamengo será acompanhado de perto pela torcida e pela diretoria, que esperam que sua filosofia e ajustes imediatos resultem na conquista do título estadual e na implantação de uma base sólida para o restante da temporada.

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