Marcos Braz, agora no Remo, fez um balanço crítico da sua passagem pela direção de futebol do Flamengo e admitiu erros em pontos sensíveis que marcaram o clube. Em entrevista, o dirigente falou sobre a gestão da tragédia do Ninho do Urubu, decisões sobre técnicos e também relembrou a briga em um shopping que teve ampla repercussão.
Reconhecimento sobre o Ninho do Urubu
Braz destacou que a diretoria poderia ter tido mais cuidado nas negociações com as famílias das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu e assumiu que faltou habilidade para fechar acordos no mandato.
“Acho que a gente poderia ter alguns cuidados a mais do que a gente teve. (…) Independentemente do prazo, um pouco mais ou menos, a nossa gestão deveria ter feito o último acordo. Faltou habilidade em todos os sentidos em relação a isso, é o único ponto”
O dirigente reforçou que acompanhou cenas difíceis no local e que houve atuação de um comitê de crise, mas manteve que o desfecho das negociações deveria ter sido diferente.
“Eu vi cenas que não gostaria que nem meu pior inimigo visse, mas tratamos o assunto como deveria ser tratado. Existiu um comitê de crise instalado e foi isso. Para responder à pergunta, eu acho que deveríamos ter feito o último acordo e não fizemos. Não sei se o diferencial foi grande, nunca participei dessas negociações e não posso ser incorreto, mas deveríamos ter encerrado e não foi feito”
Treinadores, o episódio no shopping e o legado
Sobre a política de treinadores, Marcos Braz disse que se arrepende da demissão de Rogério Ceni em 2021 e justificou ter mantido uma postura firme em relação à saída de Dorival Júnior após 2022.
“Eu me arrependo muito de demitir e não fui coerente. Eu segurei ele antes de ser campeão, a torcida pedindo para me demitir e demitir ele… Seguro ele, o Flamengo é campeão do Brasil, da Supercopa, tricampeão estadual, e mais na frente por questões internas, pressão de A, de B, eu demiti”
Sobre Dorival, Braz foi objetivo ao avaliar sua decisão.
“Eu trocaria de novo”
Ao recordar a briga em shopping, o ex-vice justificou a reação pelo fato de estar acompanhado da filha e de amigas dela e criticou a forma como a opinião pública reagiu ao episódio.
“Talvez pelo resultado da briga… Se o mesmo torcedor de torcida organizada, o mesmo, me dá um tapa na cara e um soco, talvez o julgamento desta situação teria sido diferente. Nesta o rapaz levou azar. Naquele momento, ele estava sozinho, mas o deixaram sozinho em função da minha reação do jeito que foi”
Marcos Braz encerrou lembrando sua trajetória como dirigente no Flamengo e como essas experiências influenciaram sua carreira.
Estudante e colaborador em produção de conteúdo esportivo. Torcedor do Flamengo, participa da criação de textos sobre partidas, elenco e atualizações do clube.