Esse será um dos textos de opinião que talvez desagrade alguns torcedores e “analistas” de desempenho pelo mundo do futebol. Porém, é extremamente necessário que o dito aqui seja pontuado.
É notório que o treinador Domènec não agrada parte da torcida, e com razão, não se pode culpar um torcedor que se irrita com diversas goleadas em uma temporada na qual se tem o melhor elenco do país, num clube que paga em dia a folha salarial mais alta do Brasil, enfrenta rivais com meses de atraso salarial e joga de igual para igual com elencos muito abaixo e que não possuem a estrutura que temos.
Falta tempo para treinar? É óbvio que falta. As convocações para as seleções, lesões e o ano atípico atrapalham? É óbvio que atrapalham.
Mas agora sejamos honestos, só o Flamengo perde os melhores jogadores para as seleções? Os que ficam, são inferiores aos não convocados dos adversários? Só o Flamengo possui jogadores lesionados? Só o Flamengo enfrenta um calendário atípico?
Reflitam sobre essas perguntas antes de dizerem a resposta padrão que o Atlético-MG disputa só o Campeonato Brasileiro e não engrena com Sampaoli. Primeiro porque esse texto não se trata do Atlético, segundo que não é uma questão de comparar Dome, Abel, Jorge Jesus, Sampaoli ou qualquer outro e sim de reconhecer que certas desculpas não cabem, sejamos lúcidos aqui, independente do ponto de vista.
Após enumerar o óbvio para alguns e nem tão claro assim para outros, vamos aos meus argumentos. Quando alguém atribui a ineficiência do ataque, seja na conversão de pênaltis ou as chances de Gabigol no início do campeonato, bem como as bisonhas e frequentes falhas na defesa de Gustavo Henrique e Léo Pereira, ao treinador, não sejam ingénuos, a culpa é sempre compartilhada. Não cabe aqui blindar treinador e nem atleta, quem errou para todos verem é quem está em campo, mas quem possui a função de corrigir isso é a comissão técnica. Não cabe, falha após falha, blindar a comissão, achando que foram erros pontuais. A única pontualidade que existe nesses casos é a certeza de que basta haver a chance para o erro acontecer.
Por outro lado, aos emocionados do #ForaDome, sejamos racionais. Trocar de treinador a essa altura é a certeza da condenação da temporada ao fracasso. Qualquer um que chegue para substituí-lo nesse momento não terá tempo de aplicar mudanças significativas. A Libertadores e a Copa do Brasil já estão nas oitavas, metade do Brasileiro já foi, o que nos resta é entender a limitação dos que aqui estão, apoiar na medida do possível e exigir que os dirigentes tenham um substituto para a próxima temporada. Não é feio mudar, feio é insistir no erro.
É indefensável, ao meu ver, um treinador que põe a culpa de uma derrota no gramado, o desempenho da melhor equipe sempre ficará prejudicado em um gramado ruim, mas nada que justifique apatia e uma goleada sofrida, afinal, o campo deveria atrapalhar os dois lados e não apenas o time que mais vezes jogou nele.
É indefensável um jogador fazer uma partida pífia e termos que ouvir que ele “jogou maravilhoso”, não precisa falar mal ou queimar o atleta para imprensa, mas é tirar o torcedor de idiota um comentário desses, como fez com Michael. Antes tivesse desconversado.
É indefensável o treinador argumentar que a equipe sente falta da torcida e por isso não se motiva, a ausência da mesma não é exclusividade nossa e teremos que saber lidar com ela!
Falta melhorar muito, do gramado ao psicólogo, do zagueiro ao atacante, do treinador ao dirigente. Ou melhora, ou aceita que é do mesmo patamar dos demais, ou entende que a cobrança aqui no Flamengo é diferente sim, ou então vai torcer/trabalhar no Bangu!
Saudações Rubro Negras
Por: Marcus Souza