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Nasi: 'Torcida do Flamengo é chata pra c***; se pudesse, Ceni estaria até hoje no São Paulo em ...

Nesta quarta-feira, o São Paulo visita o Rentistas, no Uruguai, pela 4ª rodada da fase de grupos da Conmebol Libertadores. A partida terá transmissão exclusiva do FOX Sports e do FOX Play, além de acompanhamento em tempo real com vídeos no ESPN.com.br.

E se tem um torcedor tricolor que certamente estará ligado na partida, ele atende por Marcos Valadão Ridolfi.

Se você não reconheceu o nome, certamente saberá quem é pelo apelido: Nasi, vocalista do Ira!, banda fundada em 1981 e que é um dos grandes baluartes do rock nacional.

Além da paixão pela música, Nasi é um torcedor alucinado pelo clube do Morumbi. Extremamente ligado ao São Paulo, já chegou a tocar o hino do clube antes de jogo contra o Corinthians, pela Libertadores de 2015, além de ter participado de muitos programas de rádio e televisão para falar da equipe paulista.

Em mais de uma hora de entrevista ao ESPN.com.br, o cantor, atualmente com 59 anos e a mesma voz que embalou hits como "Flerte fatal", "Envelheço na cidade", "Dias de luta", "Tarde vazia", "O girassol", e "Flores em você", entre tantos outros, falou muito sobre a dureza de enfrentar o jejum de títulos que vem desde 2012 - e todas as provocações de torcedores rivais que o reconhecem na rua.

Com amplo conhecimento de futebol, Nasi ainda abordou vários outros temas na entrevista, que pode ser conferida na íntegra abaixo:

Como lida com o jejum de títulos do São Paulo?

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4:58

Nasi conta como lida com o jejum de títulos do São Paulo, que o atormenta desde 2012

Vocalista da banda Ira! conversou com exclusividade com os canais Disney

As provocações de rivais e a briga no trânsito: 'Subi no capô do carro'

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5:21

Nasi diz que lida bem com provocações de rivais, mas lembra briga no trânsito: 'Subi no capô do carro'

Vocalista da banda Ira! conversou com exclusividade com os canais Disney

Quem é o maior rival: Palmeiras ou Corinthians?

Você sabe que o São Paulo e o Palmeiras têm uma rivalidade que não é do meu tempo. É dos mais antigos, os palmeirenses mais velhos odeiam o São Paulo porque na época da II Guerra Mundial teve a tentativa do São Paulo em tomar o Parque Antarctica, aquela coisa toda. Os pais dos meus amigos palmeirenses geralmente têm essa birra.

No meu caso, minha rivalidade pessoal geralmente flutua para quem está melhor, mas, se eu for puxar na memória, tenho mais rivalidade com o Corinthians. Não sei se é porque a torcida do Corinthians é muito grande, ou porque eles são mais folgados... É muita coisa!

Eu até acho uma coisa legal no Palmeiras, foi uma sacada muito boa deles. O símbolo do Palmeiras sempre foi o periquito, mas eles incorporaram o porco. O porco é um animal que é visto como sujo, mas é um animal fofo, engraçado. Tanto é que tem vários personagens de desenhos que são legais, como a Peppa Pig. Além disso, o porco faz muita parte da culinária italiana. Eles tiveram essa sacada de incorporar o porco, então não tem mais um apelido pra tirar sarro do palmeirense.

Já para o corintiano tem: o gambá! Pô, como é que os caras vão adotar o gambá? Lógico que ninguém vai gritar: 'Eu sou gambá com muito orgulho, com muito amor! (risos)'. Eu acho que, até por causa dessas provocações, tendo a ter uma rivalidade maior com o Corinthians, por mais que eu ache que, historicamente, o maior rival do São Paulo é o Palmeiras.

A pior memória em Libertadores e a briga no bar: 'Eu estava na minha fase Wolverine'

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2:18

Nasi relata trauma com o São Paulo em noite de Libertadores e revela briga feroz em bar: 'Eu estava na minha fase Wolverine'

Vocalista da banda Ira! conversou com exclusividade com os canais Disney

'Que delícia foi ver a torcida do Palmeiras ficando muda'

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1:21

Nasi lembra vitória favorita em clássico contra o Palmeiras: 'Que delícia foi ver a torcida deles ficar muda'

Vocalista da banda Ira! conversou com exclusividade com os canais Disney

Quem gostaria de ter visto jogar com a camisa do São Paulo?

O Alex, sem dúvida nenhuma, eu adoraria ter visto jogar no São Paulo.

Outros que gostaria de ter visto, pensando no futebol carioca, eram o Petkovic e o Roger Flores. Ambos quase foram para o São Paulo, mas ficou no quase...

O Roger, aliás, foi algoz nosso... Aquele gol do meio-campo que ele fez no Rogério Ceni foi inacreditável.

O Ceni, aliás, muitas vezes pagou o preço por ter sido um goleiro que saía jogando, se posicionava quase como um líbero. Por isso, tomou alguns gols por cobertura na carreira. E o Roger Flores fez o mais incrível deles, que eu me lembre.

Então seriam esses três: Alex, Petkovic e Roger Flores.

'Se dependesse dele, Ceni estaria até hoje no São Paulo; torcida do Fla é chata pra c***!'

Não ligo de jeito nenhum por ele hoje ser técnico do Flamengo! Eu acho uma besteira tão grande essa parte da torcida que fica criticando o Rogério Ceni... Eu falo: 'Gente, pelo amor de Deus...'. Primeiro de tudo que o São Paulo foi o primeiro time do Ceni como técnico, e ele só saiu do clube por sacanagem do Leco. Eles nunca se deram bem. O clima com o Leco no jogo de despedida dele já não era legal. Aliás, aquela festa não foi algo que o São Paulo fez. Foi uma festa que meu irmão [o empresário Aírton Valadão], que é muito amigo do Ceni, e o (Vinícius) Pinotti fizeram. Foram eles que organizaram tudo. Depois apareceu a diretoria na hora do bem bom...

Se dependesse do Rogério, ele estaria dirigindo o São Paulo até hoje num grande projeto. Quando ele saiu, começaram a falar: 'Ah, foi prematuro ele aceitar o São Paulo'. Se foi, se não foi, eu não sei... As decisões aparecem na vida de uma pessoa e a gente tem que respeitar o que elas escolhem. Para muitos, ele deveria ter começado antes em times menores, ou em categorias de base, mas não sei...

Eu tenho certeza absoluta que o Rogério Ceni vai chegar à seleção brasileira. Não só por eu ser fã e me considerar amigo dele, mas porque ele é um cara muito estudioso, dedicado, perfeccionista ao extremo, um cara que não aceita derrota. Com certeza, ele vai se transformar num grande técnico.

No Fortaleza, ele fez um trabalho excelente. Só acho que - e é claro que é fácil ser comentarista de coisas que já aconteceram - o único erro dele foi o Cruzeiro. Todo mundo, e não precisava nem ser do meio do futebol, sabia que aquele grupo do Cruzeiro era dividido, cheio de 'cobras', com muito cacique para pouco índio, e que não ia dar certo.

Já no Flamengo, ele chegou num bom momento. Na medida do possível, eu torço por ele. Óbvio que espero que a freguesia do Flamengo para o São Paulo continue. Mas, por exemplo, na Supercopa do Brasil entre Flamengo e Palmeiras, eu torci para o Fla ser campeão. Já que o São Paulo não estava na disputa, preferi que o Flamengo fosse campeão, porque foi uma conquista importante para o Rogério se firmar, ter autoconfiança e ter mais lastro para aguentar a pressão da torcida. Aliás, a torcida do Flamengo é chata pra c***! Não estou contentes com nada! Parece que o Flamengo tem que ganhar tudo, tudo! Não é assim, meu (risos)! Ô torcida chata!

E se não der certo no Flamengo, que o Rogério busque depois o Inter, o Atlético-MG, clubes grandes. Agora, ele tem que entrar no patamar da elite do futebol para ficar. E, um dia, eu espero, ele volte ao São Paulo com uma diretoria boa, com casa arrumada, com situação financeira acertada, para que seja o técnico do São Paulo novamente em um projeto legal. Imagina a sensação que vai ser um dia o Rogério levar o São Paulo para uma final, ser campeão da Libertadores? Tenho certeza que é algo que ele deseja muito. Ele é um jovem treinador, tem uma carreira brilhante ainda pela frente.

'Não dava mais para o Diniz, a saída dele foi boa para todo mundo'

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3:15

Nasi: 'Eu apoiei a demissão do Diniz no São Paulo, não dava mais e foi bom para o clube e para ele'

Vocalista da banda Ira! conversou com exclusividade com os canais Disney

A esperança em Hernán Crespo - e um aviso ao Atlético-MG

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6:15

Nasi exalta Crespo, diz ter enorme esperança e ainda faz alerta ao Atlético-MG: 'Está na mesma rota do Cruzeiro'

Vocalista da banda Ira! conversou com exclusividade com os canais Disney

O que concorda e o que discorda na escalação atual de Crespo

Primeiro de tudo: Daniel Alves é ala e tem que seguir como ala. Acho que até pela própria carreira é melhor o Daniel Alves jogar como ala, porque ele está com desejo de ir para a próxima Copa do Mundo. Se ele ficar no meio-campo, por mais que o Tite saiba do talento dele na lateral direito - não à toa, ele foi eleito o melhor da última Copa América -, ele não será convocado como meia, até porque o Tite não joga no 3-5-2, pelo menos até hoje... Mas ele está se destacando exatamente por ter voltado a esse terreno do campo onde ele é melhor. E isso é uma coisa que já cobrávamos muito do Diniz.

Quanto ao resto do time, eu tenho duas dúvidas, que acho que só a sequência de jogos vai nos motrar. Acho que o Pablo, que veio com um currículo excelente do Athletico-PR, ainda vive muitos altos e baixos. O Crespo aposta muito nele. Se tem uma pessoa que pode 'recriar' o Pablo e recolocá-lo num caminho mais regular, esse alguém é o Crespo. Se não der certo, tem um cara chamado Eder pedindo passagem. Ele tem um currículo invejável e já começou fazendo gols.

Minha segunda dúvida é em relação a um dos três zagueiros. Eu não gostava muito do Léo Pelé como zagueiro-zagueiro, quando o São Paulo jogava com linha de quatro atrás. Agora, com 3-5-2, eu já tenho uma dúvida. Apesar de gostar muito do Bruno Alves, creio que a melhor opção é o Léo para fazer a saída de bola, indo de encontro ao Reinaldo.

No meio-campo, o Luan é soberano. Tem o Rodrigo Nestor, que acompanho desde a Copinha e sempre se destacou, mas ainda precisa ganhar mais corpo. Nessa posição, tem muitos jogadores de Cotia para brigar por vaga, como Igor Gomes e Gabriel Sara.

O Benítez, se ele tivesse condição de jogar essa maratona de jogos, era o jogador que faltava no São Paulo, o camisa 10 de antigamente. Mas como ele parece ter um histórico de contusões, pode ser que ele seja um jogador que vai sempre se revezar com outros. No geral, 90% do time que todo são-paulino quer é o que eu acho que tem que ser. São esses dois pontos mesmo que eu tenho dúvidas, e só a continuidade, o tempo e os jogos vão dizer qual é de fato a melhor opção.

'Eu quero muito ganhar o Paulista! Não existe isso de Paulistinha'

Todos nós, são-paulinos, queremos bastante o título do Paulista. O Paulista, quando alguém não ganha, vira "Paulistinha". Quando alguém ganha, é o 1º título do ano... Para o São Paulo, é especialmente importante, pois com certeza vai tirar um peso. Por mais que seja um campeonato sem o mesmo porte de Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores, ele tira um peso, tira uma "inhaca".

Vamos lembrar que o São Paulo não é campeão paulista desde 2005, com o (Emerson) Leão como técnico. Na época, o São Paulo vinha de um pequeno jejum, uma "crise pós-Telê", na qual até o Rogério Ceni foi questionado pela torcida. Foi uma "inhaca" que durou até 2005, quando ganhou o Paulista. Depois disso, ganhou a Libertadores, o Mundial, o tricampeonato do Brasileiro... De alguma maneira, aquele Paulista foi a faísca que ajudou a colocar fogo na lenha.

Quando aos Estaduais, sou da opinião que são torneios históricos e importantes para a cultura do futebol brasileiro. Não acho que eles têm que acabar, mas sim passar por reformulação. Num país do tamanho do Brasil, os Estaduais funcionam como as ligas europeias, porque tem a questão das rivalidades. As pessoas podem falar: 'Ah, mas os grandes se enfrentam no Brasileiro e na Copa do Brasil'. Tudo bem, eventualmente vão se enfrentar. Mas quer dizer que tem que ter só dois Fla-Flus por ano, por exemplo?

E como seria essa reformulação? Eu acho que os clubes de interior dos principais estados, como São Paulo, Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, poderiam passar por um classificatório antes para selecioanar talvez seis ou oito melhores, e depois juntar com os grandes para fazer um campeonato de umas 12 datas, mas ou menos. E para definir o acesso e rebaixamento, os caras que se virem. As Federações já criam tantas coisas mirabolantes, arrumem mais uma ideia maluca para definir rebaixamento, principalmente, porque concordo que os grandes não podem ficar impedidos de caírem.

Acho que tinha que ser algo nessa linha: os clubes grandes entrarem depois, o que ajudaria a cumprir as férias e uma pré-temporada de qualidade maior. Depois, eles entrariam numa reta final já definida com os melhores do interior. Aí sim, daria para dividir em dois grupos e ter vários clássicos significativos, tanto para os grandes quanto para os menores.

Os Estaduais não podem acabar, mas também não podem ser como estão sendo hoje. Eles têm que ser reformulados, sim.

As discordâncias da postura de torcida organizada após empate com o Corinthians

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4:46

Nasi provoca Corinthians ao falar de tabu do São Paulo na Neo Química Arena e rebate post de organizada tricolor: 'Absurdo'

Vocalista da banda Ira! conversou com exclusividade com os canais Disney

Seu lance mais famoso no Rockgol e as lendas do torneio

Nasi era um dos grandes destaques do Rockgol, saudoso torneio de futebol entre músicos que era organizado pel MTV.

O "Wolverine", como era chamado pelo narrador Paulo Bonfá e pelo comentarista Marco Bianchi, protagonizou um dos lances mais célebres da história da competição.

Após uma bomba de longe, a bola bateu no travessão e nas costas do goleiro Nasi. Em seguida, ela rodopiou em uma estranho efeito e não entrou, de forma inacreditável!

No entanto, a arbitragem assinalou gol, o que fez o vocalista do Ira! se revoltar e abandonar a partida, em um momento hilário.

Relembre no vídeo abaixo:

E aí, Nasi, a bola entrou ou não?

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1:08

Nasi lembra lance mais marcante da história do Rockgol e se diverte: 'A bola desafiou as leis da física e não entrou, eu garanto!'

Vocalista da banda Ira! conversou com exclusividade com os canais Disney

Publicado em www.espn.com.br.