Prólogo
Primeiramente, gostaria de agradecer ao meu xará Ricardo Perez, pelo convite para escrever aqui no site. Conheci o Ricardo aqui mesmo, neste espaço, há mais de 15 anos, e nos tornamos grandes amigos. Agradeço também ao Lani, por possibilitar meu espaço para escrever às sextas-feiras. Prometo honrá-lo como o Flamengo e a Magnética merecem.
Por fim, se me permitem estender, gostaria de agradecer aos bem vestidos com os quais assisto aos jogos, por me incentivaram a aceitar este múnus: meu pai Murilo, minha esposa Joanne, meu primo Rubinho e meus brothers Ivaldo, Tarcísio, Marcus Vinicius e Newton.
No morro do Império Inca
Toda vez que eu assisto ao sorteio da fase de grupos da Libertadores (não sei por que diabos eu gosto de assistir a sorteios), torço o nariz quando algum time que joga na altitude cai no nosso grupo. E o pior é que sempre cai. Não temos o mesmo pacto com o Belzebu que o Palmeiras tem, de sempre pegar barbadas em sorteios. Com isso, balão de oxigênio virou item obrigatório nos voos rubro-negros na Libertadores. Todos sabem que a desvantagem disto está na parte física, ainda mais em um momento da temporada em que algum “gênio da lâmpada” botou a gente para jogar quatro jogos em apenas dez dias.
Filipe Luís conferia minutagem adequada ao elenco, como forma de evitar lesões (adendo: será que algum dia veremos um técnico competente, jovem e identificado com o clube perdurar por anos?). Leonardo Jardim parece estar fazendo a mesma coisa, ao que presumo. Assim, saímos com a vitória, mais uma vez no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, com uma atuação inteligente, tal qual a vitória no mesmo local em 2008, sobre o sumido Cienciano. Bom resultado na estreia da Libertadores virou praxe: sem novidade, boa notícia.
Sobre o jogo, confesso que me surpreendi com a fragilidade do Cusco. Com 10 min. de partida, dava para sentir que a vitória era possível. Mais do que isto, era provável. E a vitória veio com a cabeça da turma de 2019, de dois dos meus maiores ídolos daquela geração: Bruno Henrique, em uma das especialidades da casa, e Arrascaeta, quando o jogo parecia casados x solteiros.
Lado negativo: mais uma vez a imprensa esportiva bota em pauta o “VARmengo”, este sofisma que nem os antigos gregos conseguem explicar. Querem brigar com a tecnologia, sendo que, se há alguma crítica plausível ao impedimento no gol anulado do Cusco, deveria ser em relação à espessura da linha do VAR. Dose de sorte, sim; erro de arbitragem, não. Lado positivo: grande atuação individual do BH e daquele que eu gostaria de ver titular com mais frequência, nosso “De La SUS”. Nico é papo reto, joga para frente, com elegância, e chuta muito bem. Pena que o lado físico o tem impedido de ter constância. Nico me parece o substituto natural – e ideal – do nosso malvadão Pulgar, para compor a volância com Jorginho. Mas deixo a dúvida em aberto: se estiver em plena forma física, diante das recalcitrantes expulsões de Pulgar, não deveria Nico ser o titular?!
Peixe fresco se come cedo
Não entendi, de cara, a escalação inicial do Leonardo Jardim na partida contra o Santos (só fui entendê-la quando vi a escalação inicial contra o Cusco). Carrascal e Samuel Lino vivem uma relação tensa com a torcida, especialmente o segundo. Enquanto Carrascal tem a incrível capacidade de perder gols fáceis e fazer gols difíceis, Lino nem isso. Parece estar cada vez mais se tornando um Vitinho – que também já fez gol de título, lembrando.
Escalação à parte, fato é que o Flamengo precisou tomar um gol do Santos para acordar. Peixe fresco se come cedo, dizem, mas, no caso, a refeição começou mais tarde, o que não lhe diminuiu o sabor. Acordamos com café tomado e aquela proteína matinal típica de quem precisa de força até dezembro. No gol anulado do Léo Ortiz, a posição de impedimento do nosso zagueiro no início da jogada era clara. O que não foi claro é que, a partir do momento em que haveria uma suposta interferência do jogador impedido no desenrolar do lance, não se tratava mais de uma questão de fato, não é?! Logo, o VAR deveria ter chamado o soprador de apitos para ir ao monitor interpretar a jogada. Se eu estiver equivocado, me corrijam, por favor. Sabemos que segurança jurídica nunca foi o ponto forte do Brasil e no futebol não é diferente. Pelo menos, o gol anulado não fez diferença, acordamos e viramos o jogo contra o Santos. Destaco a atuação individual do Varella, para mim o melhor em campo no último domingo. Foi um leão na defesa, ajudou no ataque e até drible de salão meteu no adversário. E, claro, a boa entrada de Lucas Paquetá, jogador que dispensa comentários.
Bragança Paulista e as três frases que se difundem no Clube de Regatas do Flamengo
Não gostaria de falar dessa longínqua partida justo na minha primeira coluna aqui no site, mas sabemos que o tempo não é somente o senhor da razão como também é o curandeiro oficial de todos os males. O tempo curou minha raiva depois deste horripilante jogo contra o time do energético.
Há anos escuto de amigos bem vestidos frases que são verdadeiros fantasmas a respeito do nosso Mengão, mais precisamente de certos jogos específicos. Uma delas é que o Flamengo puxa os adversários para cima. Isso é verdade. Seja porque somos o time a ser batido, seja porque nosso estilo de jogo envolve muita posse de bola e exige um antídoto, mas a verdade é que o Bragantino não joga contra os outros adversários o mesmo que jogou contra o Flamengo: fazendo dois golaços, tocando a bola muito bem e etc. Ontem, já perdeu do Carabobo, pela Copa Sul-Americaninha. Está certo que tudo deu errado para nós e certo para eles. Está certo que, na minha opinião, Ayrton Lucas entregou dois escanteios de graça, que originaram dois gols. Está certo que o Pulgar foi expulso por uma total falta de inteligência emocional. Mas fato é que voltamos da data-Fifa tomando peia em Bragança Paulista, o que não é inédito.
Aliás, sobre isto é a segunda frase que eu costumo ouvir: a data-Fifa, para o Flamengo, é o caos. O time, em vez de ter mais tempo para treinar e melhorar, piora. Parece que tem mais tempo para farrear sob o céu noturno da capital carioca. Não são apenas os desfalques – interrompem o campeonato na data-Fifa, mas os clubes jogam no dia seguinte aos jogos dos selecionáveis -, mas a postura com que o time fica após data-Fifa é uma coisa a ser estudada, não tem lógica.
A terceira e última frase que eu costumo ouvir é que o Flamengo é um ressuscitador de mortos. Interligo com a primeira frase que falei, que é o fato de o Flamengo puxar os times para cima. O Flamengo gosta de jogo grande. O Flamengo, contra Palmeiras, Chelsea e River Plate, é um time. Contra Bragantino, Chapecoense, Fluminense, Fortaleza e afins, parece ter outra postura. E aí, mermão, guarda baixa é nocaute certo.
Epílogo
No domingo tem Fla-Flu, jogo que, por bom senso, saiu de sábado para o dia seguinte. O Fluminense é o único adversário no Rio que tem sido uma pedra em nosso sapato. Se eu pudesse escolher um oponente para meter aquele sapeca-iaiá, seria o Fluminense. Vamos para cima!
Isto posto,
SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS.

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.