“A bola pune.” — Muricy Ramalho
Hoje, Carrascal completa 28 anos. Parabéns para ele. Porém, alguns integrantes de uma torcida organizada (não quero citar o nome) ficaram sabendo de uma suposta festa de aniversário e foram até a porta de seu condomínio protestar por conta da expulsão no jogo contra o Palmeiras. E nós é que acabamos recebendo o verdadeiro “presente de grego”.
Desde já, não compactuo com esse tipo de protesto. O jogador deve ter sua vida privada preservada, pois existem outras maneiras de protestar sem interferir em sua intimidade. Por outro lado, também entendo que um atleta do Flamengo precisa ter sensibilidade para perceber o momento adequado de realizar determinadas comemorações pessoais.
Carrascal, neste ano, está muito longe da performance apresentada na temporada passada, o que é estranho, pois era para estar mais adaptado. Só espero que ele não esteja mais adaptado às noites cariocas do que ao futebol, porque seu desempenho em 2026 não chega nem perto do que foi em 2025.
Com a expulsão de sábado, ele já soma três cartões vermelhos apenas nesta temporada — todos, na minha visão, evitáveis. O primeiro foi contra o Corinthians, pela Supercopa do Brasil; o segundo, no Fla-Flu do Brasileirão; e agora este diante do Palmeiras.
Pela imagem mostrada durante a transmissão, inicialmente pensei que ele não tivesse acertado o rosto do adversário. Porém, vendo os lances posteriormente, por outros ângulos, realmente houve contato após ele tocar na bola. Diante disso, o árbitro Davi Lacerda aplicou corretamente o cartão vermelho direto, e o VAR apenas confirmou.
O que me chama atenção é que esse árbitro possui um histórico de polêmicas envolvendo Palmeiras e Flamengo. Contra o Juventude, por exemplo, marcou um pênalti que depois foi anulado pelo VAR. Já em outro lance envolvendo o Flamengo, deixou de marcar um pênalti claro de Thiago Silva em BH.
Portanto, mesmo sem intenção, achei correta a expulsão de Carrascal. Podemos discutir se foi rigorosa ou não, mas uma coisa é certa: ele deu margem para o azar.
Logo, um jogador que sonha disputar uma Copa do Mundo precisava ter plena noção da dimensão daquela partida importantíssima para nossas pretensões — ainda mais pela atmosfera criada previamente em torno da arbitragem, alimentada pela “Dona Carminha” e pelo Abel.
Alguém precisa dar uma chamada nele, assim como foi feito com Plata, que melhorou consideravelmente.
O JOGO FRUSTRANTE
Começamos muito bem a partida, amassando o Palmeiras. A sensação era de que venceríamos o jogo, e eu não tinha a menor dúvida disso.
Paquetá perdeu um gol incrível. Não fez — e aí, como diria Muricy, “a bola puniu”.
Veio a expulsão de Carrascal, o time se perdeu, Rossi falhou em dois gols e tudo desandou.
Na minha opinião, era o momento para o Jardim “fechar a casinha”, entregar a bola ao Palmeiras e tentar explorar os contra-ataques e as bolas paradas. Pelas circunstâncias da partida, não era para o time se expor tanto.
O correto seria buscar um gol nas oportunidades que aparecessem e sustentar o resultado até o fim — inclusive porque o empate já não seria um mau resultado.
Entrou BH, que oferece justamente essas opções de velocidade e contra-ataque, mas acredito que o De la Cruz deveria ter sido colocado mais cedo. Além disso, Ayrton Lucas — mesmo em péssima fase — poderia ter entrado no lugar de Alex Sandro, que parece sem intensidade, seja pelo desgaste físico ou pensando na Copa.
Entendo que, se o jogo fosse em São Paulo, dificilmente teríamos perdido. Lá, provavelmente o Jardim teria adotado uma postura mais cautelosa. Porém, como era no Maracanã, empurrado pela torcida, ele entrou na “trocação”.
O problema é que nos perdemos taticamente e acabamos levando um verdadeiro sacode muito por conta de nossa expulsão.
O segundo gol deles simboliza bem isso: subimos demais as linhas, eles quebraram nossa marcação e, com um jogador a menos e Rossi falhando, ficou impossível sustentar.
No terceiro gol, o time já estava completamente bagunçado — prefiro nem comentar.
Enfim, comentem aqui embaixo a opinião de vocês sobre a expulsão e sobre o que o Jardim deveria ter feito.
PRÓXIMO JOGO: LAMBER AS FERIDAS, REAGIR E BUSCAR A MELHOR CAMPANHA
Agora é virar a chave, porque, na terca feira, teremos jogo contra o Cusco, pela Libertadores.
Embora para o adversário a partida não valha muita coisa, para nós existe um objetivo importantíssimo: garantir a melhor campanha geral da competição e, consequentemente, decidir os mata-matas em casa.
Não podemos entrar de salto alto por conta da fragilidade do adversário, nem deixar que a derrota para o Palmeiras abale o elenco. Precisamos jogar bola, impor nosso ritmo e transformar o jogo em algo confortável pela nossa postura dentro de campo.
Confesso que a derrota de sábado, principalmente pela maneira como aconteceu, deu-me uma boa desanimada. Mas ainda há muita água para passar debaixo da ponte, e águas passadas não movem moinhos.
Vamos com tudo pelo penta.
SRN!

Fabio da Silva Gonçalves, casado, pai da Lorena, mora atualmente em Rio das Ostras RJ, Pastor auxiliar da ADVEC, Engenheiro, Professor concursado da FAETEC, estudou na Universidade Estácio de Sá, UCAM e Fasul, Mestrando em Ciências da Educação na UAP, foi figura assídua do Maracanã e tem como um dos maiores orgulhos de sua vida ser colunista do MELHOR site sobre Flamengo da Internet. O Flamengo RJ.