Resolução e solução
Quando um jogo de futebol está definitivamente resolvido? A resposta é a mais padrão possível: depende. Tem jogo em que um segundo gol mata, sobretudo quando o adversário está com a moral baixa. Mas isso é incomum, salvo se já na reta final. Um 3×0 ainda no primeiro tempo não é sinônimo de “já ganhou” se o adversário voltar para o segundo tempo com a testosterona acima de mil, após aquele esporro misturado com incentivo dado pelo técnico no vestiário. Porém, geralmente, já na etapa final, um 3×0 resolve a parada.
E o Flamengo? O que tem feito? Tem controlado seus jogos, sim, mas dado chances ao azar. No domingo, contra o time do energético, que só costuma jogar bem contra a gente, eis que, do nada, surgiu um gol-contra do Bruno Henrique, que recolocou o Bragantino de novo no jogo.
Antes disso, Carrascal, que até fez boa partida como passador, mostrou em demasia seu maior defeito: é alérgico a gol. Ainda mais se esse gol estiver fácil de ser feito, a alergia do colombiano beira a necessidade de uma loratadina imediata.
Gostaria, entretanto, de destacar um jogador de que sempre gostei e que lamento não estar podendo ser titular: Saúl Ñíguez. Elegante, eficiente, sabe o que faz. Ocupa bem os espaços. É uma dupla e tanto Jorginho/Saúl, tal qual fizeram no Chelsea em 2021. Eu, sinceramente, gostaria de ver Saúl, assim como De La “SUS” e Lucas Paquetá, como titulares absolutos (foi mal, Pulgar…). Mas entendo que só cabem 11 titulares em campo e, costumeiramente, só dois na “volância”.
Vitória boa, saborosa, indene de outras reclamações, que ampliou nossa distância para o segundo colocado. Agora, mini férias até a partida contra o Santos.
“Um nove bolado”
Pedrão, o Faraó do Egito daquela musiquinha engraçada que fizeram para ele, saiu, de novo, bolado de campo. Consta-me que reclamou de ter sido substituído de novo, again and again, pelo Leonardo Jardim. A vida do Pedrão não está fácil, apesar do golzinho no domingo, essencial para nossa vitória.
Todavia, o tema aqui é outro: até que ponto o jogador tem direito de reclamar de ter sido ou não substituído? Ficar chateado, ok. Mas existe uma autoridade no time, que está fora de campo. E ela é o técnico, o seu chefe. Quando o chefe manda, o funcionário cumpre. Tal atitude me parece ser não só uma ligeira insubordinação como também um ignóbil desrespeito com o colega que está entrando em seu lugar.
O Flamengo é um time. E ser um time é diferente de ser apenas 11 jogadores.
O maior inimigo do torcedor: a data-Fifa
Que prazer o torcedor-raiz tem de ficar 15 dias sem ver seu clube do coração jogar porque a pífia Seleção Brasileira está jogando amistosos do outro lado do globo terrestre contra potências como Austrália, Japão e Índia? Nenhum.
O pior disso tudo é que não adianta interromper os campeonatos e recomeçá-los um ou dois dias depois da data-Fifa. Simplesmente não dá tempo de o jogador retornar e se recuperar. Provavelmente ficaremos sem Arrascaeta e Varela em um jogo cascudíssimo, contra o Santos, que vem crescendo no campeonato, na Vila, porque a Seleção Uruguaia estará em Calcutá dois dias antes.
Ademais, é rezar para que a diferença de intensidade de jogo entre as comissões técnicas não faça vítimas no elenco rubro-negro, pois não é incomum nossos jogadores retornarem da data-Fifa com alguma lesão. Voltemos cinco anos no tempo: isso pode ter nos custado a Libertadores e/ou o Brasileiro em 2021.
Post-scriptum
Me digam: quem em sã consciência acha que Hugo Souza é goleiro de Seleção?!
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.