Na próxima quinta-feira (3), a 50ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior terá seu pontapé inicial. Certame que tradicionalmente abre o calendário futebolístico no Brasil, a Copinha de 2019 contará com 128 clubes, postulantes ao título mais importante da categoria Sub-20. O Flamengo chega à competição com status de atual campeão, tendo batido o São Paulo por 1 a 0 na decisão de 2018. Mas afinal, qual é a importância do torneio pensando a nível profissional? Onde estão os garotos rubro-negros vitoriosos no ano passado?
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Vencer competições nacionais nas categorias inferiores é sinônimo de trabalho bem-sucedido, mas erguer um troféu importante na base não significa, obrigatoriamente, o surgimento/ascensão imediatos de novos craques ao profissional do clube. Analisemos os times titulares de Flamengo e São Paulo na decisão de 2018: a equipe vice-campeã contava com Luan, Liziero e Helinho, nomes que já integram qualitativamente o profissional do Tricolor Paulista e participaram ativamente da campanha são-paulina no Brasileirão. Por outro lado, a escalação titular rubro-negra que conquistou a Copinha não traz nenhum nome “conhecido” do grande público.

O que é mais importante, então? Vencer ou formar para lucrar? A glória esportiva e o bom desenvolvimento de cada atleta são as grandezas que precisam guiar o trabalho de formação. Mesmo na era mais mercadológica do futebol, produzir para revender não pode ser o lema norteador do trabalho de base. Todavia, receitas oriundas da negociação de jovens revelações, como Paquetá, Vinícius Júnior e Rodrygo – vendidos ao futebol europeu em 2018 -, têm se mostrado cada vez mais vitais para clubes brasileiros conseguirem amarrar suas finanças. O endividamento dos clubes nacionais aumenta a responsabilidade das categorias de base, solução caseira “milagrosa” para aliviar o vermelho das finanças. Um caso que ilustra isso perfeitamente é o Fluminense, que vem rifando seus jovens antes mesmo de suas estreias no profissional.

Em resumo, o ideal é que os clubes não tratem a base com esse viés de solução dos problemas, já que isso cria uma dependência/urgência da renovação contínua de gerações, acelerando o processo de formação e criando atletas deficitários em fundamentos. Mas como a realidade financeira da grande maioria dos clubes brasileiros já está “refém” das negociações – e o mercado estrangeiro, em paralelo, prioriza cada vez mais os jovens jogadores -, é preciso encontrar um balanço: formar qualitativamente, obter resultados positivos que ajudam a captar recursos para investir na base, e revender bem, de preferência após um mínimo de reforço esportivo profissional.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.