Alejandro Orfila chegou cansado das limitações. Antes de levar o Cusco ao Maracanã para a última rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, o técnico peruano desabafou sobre a escassez de jogadores e apontou falhas internas que o prejudicam. Com apenas 17 atletas disponíveis para viajar, Orfila citou que nem sequer Bellota, jovem promessa de 15 anos, pôde integrar a delegação por falta de registro.
O Flamengo enfrenta o Cusco nesta terça-feira, 26 de maio, às 21h30 (horário de Brasília), em partida que pode selar a liderança geral da competição. Atual campeão da Libertadores, o Mengão precisa do resultado para terminar a primeira fase no topo do ranking geral. Do outro lado, o adversário chega pressionado — não apenas pelo elenco reduzido, mas pelo cenário técnico: três derrotas em três jogos, zero pontos e uma campanha sem gols marcados.
“Tenho apenas 17 jogadores para viajar. Se dependesse de mim, também levaria Bellota, mas isso não é possível porque ele ainda não está registrado”, disse Orfila em coletiva. O desabafo revelou mais que um simples problema de logística. Para o técnico, a restrição reflete uma questão institucional maior.
Comunicação interna em xeque
O treinador não poupou críticas ao funcionamento administrativo do Cusco. Além de apontar as limitações do elenco, Orfila ressaltou falhas de comunicação que o prejudicam na montagem da delegação e nas decisões técnicas. “É um erro institucional que acaba me prejudicando. Estamos falhando na comunicação, e, no futebol de hoje, a comunicação é vital”, completou o técnico.
A fala de Orfila sobre o Cusco contrasta com a solidez do Flamengo no torneio. O Mais Querido já está classificado para as oitavas com 10 pontos após cinco rodadas. No Maracanã, onde a Nação rubro-negra tem 78,6% de aproveitamento em 14 jogos (10 vitórias, 3 empates e 1 derrota), o time chega como favorito claro.
O cenário se torna ainda mais desfavorável ao Cusco quando se analisa o potencial ofensivo. O Flamengo já balançou as redes 62 vezes em 32 jogos na temporada. O adversário peruano, por sua vez, segue sem abrir o placar nesta sequência de 2026. No último encontro entre os clubes, em 8 de abril, o Mengão venceu por 2 a 0 — resultado que sintetiza a diferença técnica e tática entre as equipes.
Desfalques rubro-negros e pressão por resultado
Enquanto Orfila lamenta seus 17 jogadores, o Flamengo também enfrenta sua própria lista de ausências. Jorge Carrascal cumpre suspensão pela sexta rodada do Grupo A da Libertadores após ser expulso na derrota por 3 a 0 para o Palmeiras. O meia foi punido administrativamente pelo clube com multa descontada do salário — penalidade que a comissão técnica considerou encerrada, ainda que o jogador tenha pedido desculpas pela conduta.
A presença de Carrascal seria importante para o Mengão, um dos principais criadores do Flamengo na temporada. Sua ausência, porém, não representa risco real contra um Cusco que entrou em campo três vezes e perdeu todas. O retrospecto do adversário é devastador: saldo negativo de 4 gols, zero pontos e eliminação matemática da competição.
O que está em jogo para o Flamengo é a liderança absoluta da fase de grupos, posição que oferece vantagem no sorteio das oitavas e reforça a narrativa do atual campeão. O Cusco, por sua vez, já cumpriu seu calendário na Libertadores — a viagem ao Rio de Janeiro é mera formalidade administrativa, ainda que Orfila insista em preparar seu time para um resultado respeitável.
Às 21h30, quando o apito inicial soar no Maracanã, a diferença de realidades será evidente. O Flamengo entra em campo para consolidar sua hegemonia no torneio. O Cusco, limitado e sem perspectivas, terá apenas que tentar reduzir danos ante um elenco que marcou 62 gols em 32 jogos e atua em casa com eficiência rara na competição continental.

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