Lucas Paquetá encerrou qualquer dúvida sobre sua posição preferida no Flamengo. Após marcar um golaço na vitória por 3 a 1 contra o Santos na décima rodada do Brasileirão, o meio-campista foi direto: prefere atuar como meia no centro do campo. A declaração chega em momento crucial, poucos dias antes da estreia do Rubro-Negro na Copa Libertadores contra o Cusco, nesta quarta-feira (08), no Peru.
A questão sobre posicionamento em campo não era menor no Flamengo. Desde sua reestreia pelo clube carioca, Paquetá mostrou versatilidade, atuando inclusive como ponta direita em algumas oportunidades. Contudo, o jogador deixou transparente que essa adaptação é apenas uma disponibilidade tática, não uma preferência. “Eu procuro sempre me colocar à disposição, deixar à vontade para que o treinador decida, mas a gente conversa bastante. Ele sabe que atuar pelo centro do campo é uma situação que me deixa mais confortável”, afirmou Paquetá em declaração após o jogo contra o Santos.
O meio-campista não hesitou em detalhar sua trajetória e a função que melhor domina. “Segundo volante é uma função que eu já fiz na Copa do Mundo, a maior parte da carreira foi assim. Mas como eu disse, estou à disposição para fazer o meu melhor e ajudar o Flamengo”, completou. A menção à Copa do Mundo reforça sua experiência em posições defensivas no meio-campo, algo que o técnico Leonardo Jardim pode considerar em futuras escalações.
O gol marcado por Paquetá contra o Santos exemplificou sua importância quando bem posicionado. Entrando no segundo tempo como meia armador centralizado, o jogador recebeu passe de Gonzalo Plata pela direita. Após dominar a bola, Paquetá chutou no ângulo, superando o goleiro Gabriel Brazão sem qualquer chance de defesa. Foi um golaço de bom técnico, resultado direto de sua atuação no setor onde se sente confortável.
A performance de Paquetá contra o Santos ganha ainda mais relevância considerando o contexto do Flamengo para os próximos compromissos. O clube enfrenta desafios significativos na montagem do elenco para a estreia na Libertadores. Com cinco desfalques confirmados para o duelo contra o Cusco — Jorginho, Alex Sandro, Saúl, Erick Pulgar e Everton Cebolinha —, o técnico Leonardo Jardim precisará reorganizar a escalação. Jorginho sofreu lesão muscular na panturrilha esquerda diagnosticada por ressonância magnética, enquanto outros se recuperam de problemas físicos.
Além disso, Nicolás De La Cruz é dúvida por histórico de mal-estar em altitude, o que pode levar a comissão técnica a poupar o uruguaio para este compromisso. Tudo isso significa que o Jardim pode precisar recorrer a soluções criativas, incluindo eventualmente o recuo de Paquetá para segundo volante, exatamente uma das posições que ele conhece bem. Essa versatilidade controlada — não aleatória — pode ser fundamental na campanha da Libertadores.
O próximo jogo será justamente no Peru, em condições desafiadoras. A partida contra o Cusco está marcada para quarta-feira (08), às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Garcilaso de la Vega, em Cusco, que fica a 3.399 metros de altitude. A altitude extrema exigirá adaptação fisiológica dos atletas, e o Flamengo planeja reduzir ao máximo a permanência na região: chegará na noite anterior e partirá na manhã seguinte ao jogo. Com essa logística apertada e os desfalques confirmados, a performance de jogadores em bom momento físico como Paquetá torna-se ainda mais crítica.
O Cusco, por sua vez, passa por transição. O clube perdeu seu treinador Miguel Rondelli para o Melgar e ainda não anunciou substituto, o que pode criar uma oportunidade para o Flamengo. O duelo marca o retorno do clube carioca à Libertadores, competição que exigirá consistência e ajustes táticos. Com Paquetá seguro sobre sua melhor posição e em alta após golaço, o Rubro-Negro tem um trunfo importante para esse compromisso de abertura na campanha continental.

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