Pedra no sapato
Não sei o que me irrita mais: o Palmeiras aumentar a diferença de pontos ou o Palmeiras tropeçar e o Flamengo ter perdido uma chance boa de encostar. Trata-se de uma questão filosófica que deve ser respondida em conjunto com a psicanálise.
A verdade, amigos, é que o São Paulo é uma pedra no nosso sapato. Em condições normais de pressão e temperatura, o Flamengo venceria o jogo de domingo e até com provável tranquilidade. Mas o adversário tem a sina de jogar bem contra a gente e de fluminensizar a partida quando puxa o oponente para baixo. É dia do Calleri virar Harry Kane, de Rafael virar Neuer. Aliás, alguma vez o Calleri não fez gol, e de cabeça, quando nos enfrentou?! O pior é que ele não passa de um grosseirão. Ou alguém aqui queria o Calleri vestindo o Manto Sagrado? Tô fora!
Quanto à partida, em si, o Flamengo foi muito modorrento no 1º tempo. Parecia que comeu aquele prato de lasanha no almoço e repetiu três vezes. Por quê?! Estádio lotado, briga pela liderança, time descansado, vontade de devolver a derrota na primeira rodada… Isso tudo deveria ser motivo para sangue nos olhos! Ficamos devendo, sim, mas teve aquela pontinha de falta de sorte: a pontinha da chuteira do Wallace Yan. Os deuses do futebol não poderiam permitir que Emerson Royal e Wallace Yan acertem uma mesma jogada que resulte em gol?
Brincadeira de lado, a tecnologia do VAR não está imune a crítica. Isso aqui não é ciência. Posso cabalmente afirmar que, se fosse uma rodada atrás e traçassem as tais “linhas do VAR”, provavelmente o gol do Samuel Lino (merecidíssimo, aliás) teria sido validado. Ora, se o tal do frame continua sendo fixado pelos próprios árbitros da cabine, podemos dizer que, por mais tecnológico que seja o VAR semi-automático, ainda há uma intervenção humana por detrás, sujeita a falhas.
Ainda me alastrando no tema arbitragem, achei bem marcável o toque de mão do Wendell, que seria pênalti para a gente. O braço não estava tão colado junto ao corpo e o são-paulino ainda deu uma levantadazinha no braço para impedir a passagem da bola. Isso não é vôlei. Isso é pênalti, de acordo com o manual!
Noves fora, o jogo mostrou uma acentuada queda do coletivo do Flamengo. O lado positivo da partida foi a volta do Arrascaeta, dando outra dinâmica ao jogo, e as boas partidas do Royal e, de novo, do Samuel Lino. Por outro lado, o Vitão já vinha anunciando no decorrer do jogo que iria defecar e assim o fez, cochilando totalmente no gol do Calleri. Às vezes, o rapaz tem TDAH e ninguém sabe.
Sapato na pedra
Decidi falar primeiro do jogo contra o São Paulo do que do último jogo, contra o Inter. Ambos os adversários têm algo em comum: já foram temidos em um passado recente, quando conquistaram o mundo, e hoje são farelo de sal (redundância), mas que ainda podem salgar um pouco as nossas vidas.
E o que vimos contra o São Paulo se repetiu na quarta-feira: um time apático, lento na transição, sem criatividade, dando espaços ao adversário. Com isso, pergunto: Leonardo Jardim melhorou o Flamengo em quê? Em nada. Ao contrário, o time piorou em todos os setores, comparado ao time do Filipe Luís. Todos.
Tudo bem que, mais uma vez, o VAR foi o centro da polêmica, agora no gol colorado: eu tinha certeza da posição de impedimento no lance do gol e a estranheza foi fomentada pela transmissão do Prime: reparem que o Mauro Naves discorre que, três minutos após o gol, o VAR ainda estava revendo o lance. Em seguida, a Nadine o corrige, dizendo que o gol foi legal, embora a imagem da câmera de jogo lance dúvidas e a imagem do VAR não mostre o momento exato do passe. Enfim… Não estou convencido de nada, apenas da estranheza do lance e, sobretudo, das contundentes polêmicas envolvendo nosso adversário direto pelo título, no jogo de Salvador. Vivemos tempos obscuros, em que palavras, críticas, gestos e desabafos no calor do momento se tornam crime de lesa-majestade e são desproporcionalmente punidos, seja com prisão ou com cartão vermelho.
As polêmicas da arbitragem, todavia, não podem esconder as pífias partidas feitas pelo Flamengo nas duas últimas rodadas. Jorginho, por exemplo, está muito mal. Precisou o Nico “De La SUS” entrar para o Flamengo começar a tocar a bola menos para trás e mais para frente, apesar da boa marcação colorada. Agora, graças à incongruência da tabela da CBF e à nossa eliminação precoce na Copa do Brasil, teremos dez dias de folga, o que, no Rio de Janeiro, requer oração e vigilância por parte dos jogadores. Que, neste período, façam dieta, se abstenham da lasanha, botem tadalafila e testo goela abaixo e vamos em frente, para que nosso ano não se encerre em agosto.
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.