O Flamengo iniciou sua jornada na Recopa Sul-Americana com um revés de 1 a 0 contra o Lanús, em partida disputada na Argentina nesta quinta-feira. O gol da equipe adversária, que garantiu a vantagem para o jogo de volta, trouxe à tona discussões sobre o desempenho da equipe e as condições físicas do elenco, repercutindo nas análises dos jogadores e da comissão técnica.
Um dos lances que marcou a partida foi o gol do Lanús, assinalado por Rodrigo Castillo, que aproveitou um cruzamento para cabecear entre Léo Ortiz e Léo Pereira. A reação de Léo Ortiz, em especial, chamou a atenção, conforme relatado por Pedro Henrique Torre, repórter da ESPN. O zagueiro demonstrou visível desolação após o gol, balançando a cabeça negativamente por um tempo considerável, o que foi interpretado como um sinal de que o atleta sentiu o impacto do lance.
Análise de Léo Ortiz e a Busca pela Reversão
Na saída do gramado do Estádio La Fortaleza, Léo Ortiz não se esquivou de analisar a atuação do Flamengo, reconhecendo que a equipe teve um desempenho aquém do esperado para um confronto decisivo. Apesar do revés, o defensor manteve o otimismo em relação à possibilidade de reverter o placar no Maracanã, destacando a complexidade do duelo e a necessidade de evolução para a partida de volta.
Em sua declaração pós-jogo, o zagueiro foi direto sobre a postura que o elenco precisa adotar para buscar o título da Recopa. “Jogo difícil, temos que ser melhores. É um resultado que dá para reverter em casa. Temos que ser melhores em casa para ganhar o jogo e ser campeão”, afirmou o jogador, ressaltando a importância do fator casa e do apoio da torcida rubro-negra.
Ortiz também abordou a responsabilidade que acompanha a camisa do Flamengo, alertando que o status de favorito, embora presente, não se traduz automaticamente em vitórias em campo. “A responsabilidade de jogar pelo Flamengo é sempre ser campeão. Viemos sabendo da nossa responsabilidade, do nosso favoritismo, mas isso não ganha jogo. Temos que trabalhar mais forte para reverter dentro de casa”, completou o defensor, indicando um foco intenso na preparação para o segundo jogo.
Filipe Luís e a Questão Física do Elenco
O técnico Filipe Luís trouxe uma perspectiva sobre as causas do desempenho do Flamengo na Argentina, apontando a questão física como um fator preponderante para a derrota. Segundo o treinador, a equipe rubro-negra teve de antecipar a volta do time titular para escapar do quadrangular de rebaixamento no Campeonato Carioca, o que gerou um número de jogos maior do que o inicialmente planejado.
Essa antecipação, de acordo com Filipe Luís, impactou a preparação física do grupo, que agora estaria “pagando o preço”. O comandante explicou que buscou equilibrar o físico dos jogadores ciente das dificuldades que o confronto imporia. “Hoje, basicamente dado o momento físico que vivemos e mais jogo que imaginávamos, tentei equilibrar o máximo possível o físico, porque eu sabia que seria difícil, da mesma forma que foi contra o Vitória, conseguiram afogar bastante no nosso campo”, detalhou o técnico.
O planejamento original do Flamengo para o Carioca previa a utilização do time sub-20 durante toda a primeira fase. No entanto, a necessidade de resultados levou o elenco principal a disputar três partidas não programadas contra Vasco, Fluminense e Sampaio Corrêa. Filipe Luís concluiu sua análise sobre a questão física afirmando a necessidade de melhorias: “Sabendo que no segundo tempo poderia fazer uma mistura de jogadores para equilibrar com a entrada do Pedro e do Arrasca, mas continuamos faltando o que é essencial para desbloquear um jogo assim, que é profundidade. Jogaram confortáveis, sempre pressionando e saltando na viagem da bola. Temos que melhorar urgentemente”.
Escolhas Táticas e a Montagem do Elenco
As escolhas táticas de Filipe Luís para o confronto contra o Lanús também foram tema de questionamentos. O treinador surpreendeu ao escalar um quarteto ofensivo com Everton Cebolinha, De Arrascaeta, Luiz Araújo e Carrascal, o que levou a indagações sobre a ausência de um centroavante de ofício no esquema.
Ao ser questionado sobre a formação sem um “9” de referência e uma possível lacuna no elenco, Filipe Luís direcionou a responsabilidade pela montagem do grupo para a diretoria. O técnico afirmou que o diretor de futebol, José Boto, é o responsável por planejar e executar a composição do elenco. “Montagem de elenco é sempre com o Boto, com o diretor de futebol, que é quem faz e planeja a montagem. Eu, claro, participo”, declarou.
O comandante também justificou a ausência de Pedro e De Arrascaeta entre os titulares por uma questão de condicionamento físico. “Acredito que, sim, podem jogar Pedro e Arrasca juntos. Poderiam ter jogado juntos, mas acredito que não estejam na melhor forma física para jogarem um jogo físico como eu esperava que fosse hoje”, explicou. Ele reconheceu que a estratégia pode gerar críticas, mas reiterou que suas decisões visam o que considera melhor para o Flamengo. “Por isso optei por essa variação no sistema e com as trocas tentar ajustar, com a entrada do Pedro. Claro, o jogo não foi como esperávamos, então vão existir justas críticas pela minha escolha, mas escolhi pensando no que era melhor para a nossa equipe”, acrescentou Filipe Luís.
Apesar da mobilidade da formação, o ataque do Flamengo criou poucas oportunidades claras de gol, registrando apenas um chute perigoso de Everton Cebolinha no primeiro tempo.
Desempenho Individual e o Coletivo
A análise pós-jogo de Filipe Luís também incluiu uma avaliação do desempenho individual de Lucas Paquetá, que teve 82 ações com a bola na partida, mas sem gerar grande perigo ofensivo. O técnico explicou que o desempenho do jogador está intrinsecamente ligado ao funcionamento coletivo da equipe.
“O que falta ao Paquetá é o que falta à equipe também. Se em níveis coletivos estivermos bem, ele também vai jogar melhor. Ele vai crescer. Contra o Botafogo ele foi o melhor da partida porque a equipe foi bem e ele foi potencializado. Um jogador não joga sozinho e depende de toda a equipe para que ele cresça”, destacou Filipe Luís, enfatizando a interdependência entre a performance individual e o sucesso do conjunto.
Próximos Desafios do Flamengo
Com a derrota por 1 a 0 na Argentina, o Flamengo precisa vencer o jogo de volta da Recopa Sul-Americana, que acontece na próxima quinta-feira (26), no Maracanã, por dois gols de diferença para conquistar o título no tempo regulamentar. Uma vitória simples por um gol de diferença levará a decisão para a prorrogação e, persistindo o empate no agregado, para a disputa de pênaltis.
Antes do confronto decisivo pela Recopa, o Flamengo ainda terá um compromisso importante pelo Campeonato Carioca. No domingo (22), o Rubro-Negro enfrentará o Madureira pela semifinal do Estadual, também no Maracanã. Este duelo, no formato de ida e volta, servirá como mais um teste para o elenco em um calendário que se mostra desafiador para a equipe.

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