A CBF marcou reunião com as diretorias dos clubes da Série A para debater a arbitragem do empate por 1 a 1 entre Flamengo e Corinthians — episódio que ganhou nova atenção após a divulgação dos áudios do VAR, nos quais Wagner Reway recomenda que o lance de Éverton Araújo não justificaria cartão vermelho, mas o árbitro de campo Rodrigo José Pereira de Lima manteve a expulsão.
O confronto em Itaquera foi diretamente afetado por aquele lance: aos sete minutos do segundo tempo, Éverton dividiu com Breno Bidon e recebeu cartão vermelho direto. Nos áudios liberados pela CBF sobre a revisão no VAR, Reway descreve o toque como lateral e afirma que “cartão vermelho é muito forte”, recomendando a revisão pelo árbitro de campo — orientação que, após checagem no monitor, não foi seguida.
Áudios do VAR e a divergência com o árbitro
Nas conversas entre a cabine de vídeo e o juiz, Wagner Reway orienta que o contato foi um “pé com pé” ou de calcanhar, sem intensidade suficiente para expulsão. Rodrigo Pereira, porém, sustenta a marcação explicando que houve “trava da chuteira acima do tornozelo” e que o jogador atingiu o rival “em cima e embaixo”, argumento usado para manter o vermelho mesmo após a visualização das imagens.
CBF convoca reuniões para debater critérios
Segundo apuração, a Confederação Brasileira de Futebol incluiu o caso na pauta das reuniões com as diretorias da Série A previstas para esta segunda-feira (23). Os encontros são rotina, mas a análise do episódio de Flamengo x Corinthians terá destaque institucional, com o objetivo de discutir critérios do VAR, parâmetros de revisão e transparência das comunicações entre cabine e campo.
Histórico e posição do Flamengo
O clube usa o episódio como exemplo de uma suposta rigidez excessiva aplicada a seus jogadores: levantamento interno aponta que Rodrigo Pereira aplicou quatro expulsões diretas a atletas do Flamengo em cinco partidas nesta temporada. A diretoria e a comissão técnica reclamam da falta de uniformidade na aplicação de critérios em lances semelhantes.
“[Na Supercopa] Conseguiu descobrir em 30 minutos uma agressão de Carrascal no Bidon, mas hoje não conseguiu ver a agressão do Gabriel Paulista no Jorginho. Um escanteio, e ele fez a mesma coisa que Carrascal no Bidon. Esse VAR não conseguiu ver isso, teve muito tempo e não conseguiu.”
O diretor de futebol José Boto usou a divulgação dos áudios para reforçar a cobrança por critério e transparência. O técnico e a comissão técnica também apontaram que a expulsão mudou diretamente a dinâmica do jogo e prejudicou o desempenho rubro-negro.
Consequências imediatas
Além do debate institucional que será levado à CBF, o episódio tem desdobramentos práticos: caso a expulsão seja mantida nas instâncias disciplinares, Éverton pode cumprir suspensão e ficar fora do próximo compromisso do Flamengo, que está programado após a Data FIFA. O clube anunciou que acompanhará os procedimentos e buscará esclarecimentos formais sobre os critérios aplicados.
Até o momento, a CBF divulgou apenas os áudios relativos ao lance de Éverton; a falta de publicação de material sobre outros incidentes apontados pelo Flamengo segue como ponto de disputa entre o clube e a arbitragem.

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