Saúl disparou contra a proposta de reduzir o número de estrangeiros no Brasileirão. Em coletiva de imprensa no Ninho do Urubu nesta quinta-feira, o meia espanhol questionou a medida e alertou para uma possível queda na qualidade técnica da competição. A preocupação do jogador é clara: o limite não pode ser justificado apenas pela nacionalidade dos atletas.
“Eu só posso falar de mim, mas acredito que isso não é bom para a liga. Se você precisa colocar mais jogadores brasileiros, tem que ser porque eles têm bom nível, não porque são brasileiros. Não sei se a mudança vai acontecer ou não, mas, se acontecer, acredito que vai baixar o nível do Brasileirão”, afirmou o camisa 8 em tom crítico.
A declaração de Saúl surge em momento sensível para as discussões sobre o futebol brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol aprovou uma redução gradual no número de estrangeiros relacionados por jogo no Brasileirão. O objetivo é abrir mais espaço para atletas formados nas categorias de base dos clubes nacionais. No entanto, a posição do meio-campista reflete a inquietação de jogadores estrangeiros com a iniciativa.
A visão de Saúl sobre a medida da CBF
Para o espanhol, a exigência por mais atletas locais é válida apenas se fundamentada em desempenho e qualidade técnica. Saúl sustenta que pautar a decisão unicamente na nacionalidade compromete a competitividade geral da competição. Ele não nega a importância de investir em formação brasileira, mas contesta o método que privilegia a origem em detrimento do nível.
A preocupação do jogador não é isolada. O Mengão integra dez estrangeiros ao elenco profissional: os uruguaios Arrascaeta, Varela e De La Cruz; o chileno Pulgar; o próprio Saúl; os argentinos Joaquín Freitas e Agustín Rossi; os equatorianos Anthony Valencia e Gonzalo Plata, além do colombiano Carrascal. Essa força ofensiva moldou o futebol do Mais Querido nos últimos anos.
Durante a coletiva, Saúl também abordou a ausência de Arrascaeta, que está lesionado e representa uma baixa importante para o time. O meia aproveitou para elogiar o compatriota uruguaio e reconhecer as limitações do elenco sem o craque.
“Arrascaeta é único, não tem outro jogador como ele. Você pode colocar aí Carrascal, Lino, Paquetá, De La Cruz, Plata. Tem muitos jogadores que podem atuar ali, mas não como ele. É único, trabalhou muito para ser a lenda que ele é”, declarou o espanhol, que mantém amizade próxima com o compatriota pelo idioma e convivência diária.
Retorno à titularidade e perspectiva para os próximos jogos
A participação de Saúl em coletiva sinaliza sua importância renovada no projeto do Flamengo. Após passar por período afastado do time titular, o meia vinha buscando recuperar a regularidade. Jogou 90 minutos completos na vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino no Maracanã em 20 de setembro, reencontrando-se com o ritmo após longa ausência. Antes disso, não completava um jogo inteiro desde 19 de novembro do ano anterior, quando se recuperava de cirurgia no calcanhar.
Saúl desabafou sobre o nervosismo que marca seu retorno à titularidade e a falta de oportunidades que enfrentou no passado recente. Sua volta ao time principal abre possibilidades importantes para o Rubro-Negro, especialmente com o técnico Leonardo Jardim buscando maior regularidade no meio-campo.
O contexto de disponibilidade de atletas também favorece o espanhol. Evertton Araújo pode não se recuperar a tempo para os próximos compromissos, enquanto Jorginho está suspenso. Essa conjuntura cria espaço para que Saúl ganhe mais minutos e se consolide novamente como opção estratégica.
A Data Fifa se encerra em 6 de outubro, e o Mengão volta a campo no dia 8, contra o Santos, na Vila Belmiro, às 19h30, pelo Brasileirão. Saúl deverá estar disponível para o confronto, continuando sua jornada de reconstrução dentro do elenco rubro-negro.

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