“Eu sou da América do Sul…”
Dizem que Medellín superou um cartel comandado por Pablo Escobar. Supondo que isto seja verdade e que não há mais resquícios, por que não poderia superar o poderoso Flamengo?! Simples: por que, na Gávea, foram-se os tempos das drogas. Não falo de drogas no sentido de narcotráfico, mas, sim, drogas como Wellinton, Irineu, Erazo, Negreiros, Dênis Marques, Josafá, Sambueza e, pros mais coroas, Tinteiro e Vanderlei (ele mesmo).
Mas, diferente dos cartéis, insistentes ou não, e das drogas de outrora, o jogo não persistiu. Para quem ama futebol, além do Flamengo, o sentimento é de frustração. Você passa o dia pensando na partida e ela não acontece. Arrisco dizer que era isso que aquelas barra bravas do Medellín gostariam: não ter jogo para prejudicar o clube e a diretoria. Conseguiram. Parabéns. No fundo, não lamento não: descansamos e aguardamos um justo W.O. que nos classifica matematicamente. Se o W.O. se confirmar, venceremos a partida por 0x3, o que – permitam-me a cara-de-pau ou excesso de confiança – poderia até ser prejudicial a nós no quesito saldo de gols, pois acho que o Flamengo meteria uma sacolada ontem, na casa dos caras.
Importante informação foi dada pelo repórter de jogo da ESPN, que estava no estádio: teria havido uma reunião antes da partida, em que se discutiu a possibilidade de esse jogo ser de portões fechados. Quer dizer: o Ind. Medellín tinha ciência de que algo não estava bem, de que havia um risco e o assumiu. Culpa consciente ou dolo eventual. Diante disto, não há outra possibilidade se não a do Flamengo ficar com os pontos do jogo. O Flamengo cumpriu seu papel e não pode ser prejudicado por algo alheio às suas forças. Como diz aquele brocardo jurídico, o Ind. Medellín não pode se valer da própria torpeza. Se fosse um Campeonato Brasileiro, em que há calendário e fase única, até poderia se admitir reagendar o jogo. Mas não é o caso: é um calendário internacional, com viagem longa, logística diferente, encerramento das fases em datas já previstas e etc. Até o momento em que posto essa coluna, não há definição, até pelo curto espaço de tempo, mas aguardamos o W.O., pois há precedentes do tribunal da Conmebol, vide Colo Colo x Fortaleza, e disposição expressa no art. 24.2 do Código Disciplinar da entidade. A Conmebol adora fazer aquele mise-èn-scene contra racismo e violência, que, na prática, não evita nada, então tá na hora de mostrar isso à vera.
Por fim, para quem é supersticioso, a última vez que o Flamengo ganhou uma partida por W.O. foi contra o Atlético Mineiro, em Goiânia, pela Libertadores de 81. Acabamos campeões.
Água morro abaixo, fogo morro acima…
…Vasco quando quer ser rebaixado e Flamengo quando quer tomar gol, ninguém segura.
Uma derrota por 2×2. Noutros termos, o velho clichê “empate com sabor de derrota”. E o pior é que o resultado foi justíssimo. O Flamengo abriu 2 a 0 em um momento que o Vasco estava mais perto de empatar do que a gente de fazer o segundo gol. Curiosamente, o jogo estava atípico. Mesmo com tal risco, ou por causa dele, o Vasco dava espaços. Carecemos de material humano para explorar estes espaços melhor. Como disse meu xará Perez, o jogo não estava difícil, mas estava fácil para o Flamengo se complicar. Não entendi o Sgt. Wilton dar 7 min. de acréscimo no segundo tempo, mas é melhor olhar para os próprios erros do que colocar a culpa em terceiros, se quisermos evoluir. Achei que o Evertton Araújo, jogador que vem crescendo e que venho elogiado por aqui, “pastelou” feio no primeiro gol dos Vices, ficando de costas e marcando o Gasparzinho, o Fantasminha Camarada. Já o Wallace Yan… Pausa para respirar fundo. Prosseguindo. O Wallace Yan, depois dos gols na Copa do Mundo de Clubes, parece que teve o sucesso e a arrogância subidos em sua cabeça. Virou um expectador de reality show dentro de campo, que joga para ganhar votos do público, custe o que isto custar. No caso, só se for um público bastante alienado. Wallace Yan fez jus ao seu nome de Enzo: nem sequer deu combate e permitiu o cruzamento do gol de empate dos Portugas. Lamento que sua ida ao Bragantino não tenha dado certo (lá tô eu citando o Bragantino de novo…), pois precisa mudar os ares e ganhar canja.
Assim, a Maria-Fumaça da Colina comemora o empate como se fosse um título, algo plenamente natural em “São Sanitário”. Desde 2023 eles não nos vencem, naquela funesta temporada que começou com a obscura passagem do Sr. “Evicto” Pereira pelo Flamengo. Se for contar Brasileiros, desde 2015. Acho que desde essa época eu não via o Vasco tão sem-medo do Flamengo, o que, claro, nalgum momento iria acontecer, ainda mais depois daquela sapatada de seis no lombo, no inverno de 2024.
Da parte boa do Flamengo no jogo: golaço do Pedro, desfilando categoria a cada jogo; gol de Jorginho, sempre de pênalti, mas agora sem pulinho; por fim, Emerson Royal não entrou em campo. Da parte ruim: Luiz Araújo ainda errando muito; BH entrou meio mequetrefe; nossa defesa foi envolvida nalguns momentos do jogo; e Saúl se atrapalhou como uma banana bêbada em uma chance clara de fazer o terceiro e matar a partida.
Sigamos em frente! Domingo tem o Grêmio e esperamos dar alegria às mamães flamenguistas!
Isto posto,
SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS.

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.