O árbitro Davi Lacerda foi hostilizado por torcedores dentro de um avião após a derrota do Flamengo por 3 a 0 para o Palmeiras, no Maracanã, no sábado (23). A atuação polêmica, marcada pela expulsão de Jorge Carrascal sem revisão de VAR, provocou uma enxurrada de críticas de jogadores, comissão técnica e da Nação rubro-negra.
Em vídeo que circula nas redes sociais, torcedores podem ser ouvidos xingando o juiz do Espírito Santo. “Pilantra! Recebeu upgrade do Palmeiras, né, filho da mãe. O pix caiu, né, seu safado?”, foram alguns dos gritos direcionados a Lacerda. A hostilização reflete o nível de indignação gerado pela partida, que tinha tudo para ser diferente se as decisões arbitrais tivessem seguido critérios coerentes.
A controvérsia começou nos primeiros 30 segundos. Andreas Pereira cometeu uma entrada fortíssima no tornozelo de Jorginho, lance que mereceria cartão amarelo de imediato. O árbitro não marcou nada. Minutos depois, o mesmo meia tomou uma advertência por infração bem menos grave. Ou seja, só não foi expulso antes do intervalo por coincidência.
Carrascal expulso sem VAR confirmar a versão da arbitragem
O ponto de inflexão veio aos 20 minutos. Carrascal foi expulso por suposto contato violento com o zagueiro Murilo. O colombiano atingiu o adversário com a sola da chuteira no rosto e no peito em lance com o placar ainda 0 a 0. Até aqui, a expulsão teria lógica — se tivesse sido revista com coerência.
O VAR, sob comando de Caio Max Augusto Vieira, recomendou a manutenção do cartão vermelho. Mas havia um detalhe crucial: Carrascal tocou na bola antes de atingir Murilo. Davi Lacerda, porém, nem quis olhar as imagens no monitor. A decisão foi mantida, e o Mengão ficou com um homem a menos desde o começo do primeiro tempo.
Com a vantagem numérica, o Palmeiras capitalizou rapidamente. Flaco López, Allan e Paulinho marcaram os três gols que selaram a goleada. O Mais Querido chegou a criar volume mesmo com dez jogadores, principalmente em contra-ataques, mas não conseguiu traduzir em gols.
Estatísticas expõem a disparidade de critérios
Os números denunciam a inconsistência da arbitragem. O Flamengo cometeu nove faltas e recebeu seis cartões amarelos, além do vermelho de Carrascal. Já o Palmeiras infracionou 19 vezes e teve apenas seis jogadores amarelados. A diferença é gritante: praticamente o dobro de faltas resultou em metade das advertências.
Leonardo Jardim não poupou críticas na coletiva de imprensa realizada no Maracanã. O técnico evitou fazer acusações diretas, mas deixou os dados falarem por si. “Vocês sabem qual é o aproveitamento do Palmeiras com esse árbitro? Vocês têm uma ideia? 90 e tantos por cento. O aproveitamento do Flamengo com esse árbitro? Menos de 50%. Uma equipe que normalmente ganha muito”, disparou Jardim.
O treinador prosseguiu com tom contido, mas firme: “Eu vejo os conceitos e ideias de apitar, mas eu gosto de regulamentar as coisas. Não podemos ter a mesma situação com critérios diferentes, é isso que eu não posso aceitar na competição”. Jardim também reconheceu que a expulsão condicionou todo o jogo. “A expulsão foi uma situação que condicionou o jogo e todos os nervos”, completou.
A suspensão automática decorrente do cartão vermelho afastará Carrascal do confronto contra o Coritiba na próxima rodada, na 18ª rodada do Brasileirão. O Flamengo terá que improvisar a formação exatamente no momento em que precisa recuperar pontos perdidos.
Com a vitória, o Palmeiras abriu uma vantagem de sete pontos na liderança do Brasileirão. A equipe de Abel Ferreira saltou para 38 pontos, enquanto o Mais Querido parou em 31. A diferença seria menor se o Flamengo tivesse recuperado algo do jogo, mas a expulsão aos 20 minutos inviabilizou qualquer possibilidade de resultado positivo.
O Mengão volta a campo terça-feira (26), quando enfrenta o Cusco pela Libertadores. No sábado (30), recebe o Coritiba pelo Brasileirão — sem Carrascal e com a esperança de que a arbitragem siga critérios mais equilibrados.

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