Luiz Eduardo Baptista reconheceu, em entrevista ao videocast Sport Insider, que a venda de Juninho ao Pumas foi um erro do Flamengo. O presidente admitiu que o clube deveria ter dado mais tempo ao atacante para se adaptar antes de liberá-lo para o México.
A confissão de Bap toca em um ponto sensível da gestão: a contratação mais surpreendente de sua era no Mengão foi justamente Juninho, trazido após trabalho de scout do clube. Menos de um ano depois, porém, o atacante saía para o Pumas, deixando dúvidas sobre a real capacidade de adaptação que recebeu.
— Eu estou muito satisfeito com as contratações que a gente fez desde que eu assumi o clube. Até uma que não deu tão certo como a do Juninho. Eu entendo que não foi por causa do atleta, foi um erro nosso —, afirmou o mandatário rubro-negro.
Bap usou exemplos internos para justificar sua reflexão. Citou Léo Pereira, que demorou um ano e meio para ser abraçado pela torcida. Michael levou mais de um ano. Rodinei precisou de quase dois. Pulgar, um ano. A mensagem era clara: adaptação em um grande clube não é instantânea.
A pressão de jogar no Flamengo
O presidente foi além e diagnosticou o problema estrutural. Segundo ele, a dificuldade não está apenas no jogador, mas na exigência do ambiente rubro-negro.
— É que hoje o jogador chega e todo mundo quer que ele chegue voando, arrebente a boca do balão. Não é simples jogar em um clube como o Flamengo. Nível de exposição, de cobrança, a pressão… É um pacote —, declarou o presidente na última quinta-feira.
A reflexão de Bap toca em um dilema real da Nação rubro-negra: o Flamengo exige resultados imediatos. Cada contratação cara gera expectativa de performance no primeiro mês. Poucos conseguem lidar com essa pressão de entrada. Juninho sofreu justamente com isso.
Os números que falam por Juninho
O investimento inicial foi robusto: R$ 52,7 milhões pagos ao Qarabag (AZE) pela contratação. Com o Manto Sagrado, Juninho fez 32 jogos, sendo apenas sete como titular. O saldo ofensivo foi de quatro gols. Números modestos à primeira vista.
Mas três daqueles gols foram decisivos. Um deles abriu a vitória sobre o Fluminense no título carioca. Outro marcou a estreia triunfal na Libertadores diante do Táchira (VEN). O terceiro foi fundamental na virada contra o Sport, essencial para a conquista do Brasileirão. Juninho, portanto, deixou marcas em conquistas importantes.
Depois de sair do clube, porém, o atacante explodiu. Vendido por 5 milhões de euros (aproximadamente R$ 32,3 milhões à época), o jogador brilhou no Pumas. Em 20 partidas, marcou oito gols e deu quatro assistências. Números que alimentam a reflexão de Bap sobre o apressamento da saída.
A diferença entre 32 jogos com quatro gols e 20 jogos com oito gols é mais que aritmética. É a comprovação de que Juninho precisava de tempo que o Flamengo não estava disposto a dar. Na época, a torcida cobrava soluções rápidas. O Mengão cedeu à pressão.
O reconhecimento de Baptista não é apenas mea culpa. É uma lição institucional sobre paciência estratégica. Grandes contratações têm ciclos de adaptação. Ignorar isso, como o clube fez com Juninho, pode significar perder um atleta em desenvolvimento por uma quantia menor do que se investiu.
Para a torcida do Mais Querido, a confissão levanta questões: quantos outros Juninhos o Flamengo apressou demais? Quantos foram vendidos prematuramente por falta de paciência? A reflexão de Bap abre espaço para um debate necessário sobre gestão de elenco e construção de projetos a médio prazo no futebol atual.

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