Jorginho revela: vida no Flamengo mudou tanto que um ano parece três

Jorginho virou flamenguista. A confissão do volante, feita em entrevista à Flamengo TV nesta segunda-feira, marca um ponto de virada em seu primeiro ano no Mengão. Não se trata apenas de uma filiação técnica, mas de uma transformação pessoal que o jogador descreve com impressão e gratidão.

“Ah, virei flamenguista. Aprendi muito sobre o que ia ser Flamengo”, disse o ítalo-brasileiro, que chegou ao clube em junho de 2025. A mudança não foi superficial. Jorginho nasceu na Itália, cresceu em Portugal e começou sua carreira europeia — era são-paulino na infância, conforme relata seu pai. No Flamengo, porém, algo diferente aconteceu.

A intensidade do futebol rubro-negro o surpreendeu. “Um ano no Flamengo parece ser uns três da Europa, com a quantidade de jogos, com as distâncias de viagem, com as logísticas, com a intensidade da torcida, do carinho”, explicou. A observação não é aleatória. Jorginho conquistou o Brasileirão e a Libertadores em seu primeiro ciclo, experiências que consolidaram sua conversão ao Mais Querido.

Preparação para a retomada: amistosos como laboratório

Com a parada prolongada da Copa do Mundo, o volante compreende o papel dos amistosos na retomada. Para ele, esses confrontos funcionam como espelho do trabalho realizado em campo. “A partir do momento que você entra em campo representando o manto e a nação, você tem que jogar para valer, porque querendo ou não, são esses jogos que te preparam para quando começar de novo o campeonato e chegar a Libertadores”, afirmou.

A recomposição do grupo também pesa. “Reagrupar a equipe, porque teve uma parada bastante longa, cada um foi para um lado, curtir sua família, seu tempo livre. Então passar esse tempo junto, todo dia no hotel, no treino, você se reconecta com o grupo”, detalhou Jorginho. Essa dinâmica, segundo ele, prepara o elenco para fluir bem quando a temporada recomeçar.

O trabalho de Leonardo Jardim nos treinos merece destaque em sua análise. O técnico tem cobrado intensidade e aproveitado a folga para trabalhar situações específicas: pressão alta, parte ofensiva, construção na saída. “A cobrança maior é sempre treinar como se fosse jogar, né? Porque o jogo é o espelho do treino”, ressaltou o volante. Durante a temporada regular, com jogos a cada três dias, essas circunstâncias não cabem na programação.

Torcida, expectativas e o peso de representar o Flamengo

A relação com a torcida ocupa um lugar especial em sua reflexão. Jorginho descreve o momento em que parou para observar genuinamente o que se passava: “Muitas vezes a gente esquece de parar um minuto para entender o que tá ocorrendo realmente. Sou uma pessoa que gosta de observar, de poder realmente sentir tudo que tá se passando e compreender.” Esse instante de lucidez, segundo ele, foi importante.

Quanto às expectativas para Libertadores e Brasileirão, Jorginho não tira os pés do chão. “A expectativa quando você joga pelo Flamengo é sempre alta, mas a expectativa vem do que o clube em si e a equipe vêm fazendo.” O raciocínio é direto: as conquistas anteriores justificam a pressão. Diante do Cruzeiro nas oitavas da Libertadores, sabe que enfrenta um time forte, mas reconhece que há muito caminho pela frente.

A comparência na Copa do Mundo como comentarista trouxe reflexões sobre sua carreira. Jorginho assistiu aos jogos como torcedor brasileiro — país onde nasceu e ama profundamente — mas confessou o peso de ver a Itália fora do torneio. “É um momento difícil e triste para a seleção italiana. É algo que, infelizmente, tá faltando na minha carreira, uma trajetória gigante, de onde saí, a minha história. E essa é uma coisa que tá meio que marcada assim para mim”, admitiu.

Sobre o confronto com o Benfica nos amistosos, Jorginho enxerga um teste de alto nível. O time português, um dos maiores do continente, busca controle de jogo — assim como o Flamengo. “Acredito que vai ser um belo espetáculo”, previu o volante, reconhecendo que as diferenças táticas entre o futebol europeu e o brasileiro devem criar dinâmicas interessantes no duelo.

A trajetória de Jorginho no Mengão está longe de ser apenas uma contratação. É uma transformação que ele mesmo reconhece e abraça, consolidada por títulos, aprendizado constante e um sentimento que, até um ano atrás, era improvável: ser flamenguista de verdade.