A compensação financeira da FIFA pelos jogadores convocados para a Copa do Mundo virou alvo de crítica dura do presidente do Flamengo. Bap soltou o verbo contra os valores estipulados pela entidade máxima do futebol, argumentando que a quantia é insuficiente e que os clubes não têm sequer direito de se pronunciar sobre a remuneração de seus próprios ativos.
Em entrevista ao UOL, o dirigente rubro-negro apontou a falta de solidariedade entre os clubes como um dos problemas que impede ação coletiva no tema. “Poucos clubes sofrem porque muitos não têm tantos jogadores convocados. Então não há um senso de solidariedade entre os clubes no assunto, nem mesmo no critério de compensação financeira”, disparou.
A FIFA estabeleceu o valor de US$5 mil por dia (aproximadamente R$25 mil) para cada jogador convocado, com um teto máximo de 25 dias de compensação. O pagamento, conforme destacado por Bap, ocorrerá apenas em dezembro — após o encerramento do torneio. Essa defasagem temporal amplia a pressão financeira sobre os clubes durante o período em que seus atletas estão na Copa.
O protesto de Bap contra a remuneração mínima
A indignação do presidente vai além do valor absoluto. Bap questionou especialmente a falta de poder de voz dos clubes sobre como seus jogadores são remunerados durante as competições internacionais. “Veja só, 5 mil dólares por dia com teto de 25 dias pela utilização do seu ativo. Você não tem o direito de opinar sobre o valor da remuneração do seu ativo. E esses valores só serão pagos em dezembro”, concluiu.
A declaração expõe uma tensão estrutural entre os interesses dos clubes e as decisões unilaterais da FIFA. Enquanto a entidade controla calendários, competições e agora também as compensações por uso de jogadores, os clubes — especialmente aqueles com maior número de convocados — têm espaço reduzido para negociar melhores condições.
Mengão lidera arrecadação entre brasileiros
O Flamengo, apesar do protesto de Bap, é o clube brasileiro que mais se beneficia desse mecanismo na atual edição da Copa do Mundo. O Mais Querido teve nove jogadores convocados para o torneio, o que resultará em uma arrecadação de aproximadamente R$225 mil por dia junto à FIFA.
A distribuição dos convocados rubro-negros é variada, refletindo a amplitude do elenco. Na Seleção Brasileira, o Mengão contribui com quatro atletas: o zagueiro Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Lucas Paquetá. Pela Seleção do Uruguai, estão Arrascaeta, De La Cruz e Varela. Plata representa o Equador, enquanto Carrascal veste a camisa da Colômbia.
Ainda que a compensação coloque o Flamengo em posição vantajosa em relação aos demais clubes brasileiros, o valor total não é proporcional ao impacto econômico da perda desses jogadores. Durante as competições de seleções, os clubes ficam impedidos de utilizar seus atletas em partidas nacionais ou continentais, criando vazios no elenco que frequentemente exigem contratações emergenciais ou adaptações táticas.
O critério de compensação da FIFA, portanto, não reflete a realidade do prejuízo. Um clube que perde nove jogadores simultaneamente sofre impacto muito maior do que aquele que perde dois ou três. A indisposição de Bap é, nesse sentido, um reflexo dessa desproporção.
O calendário apertado e o pagamento atrasado
A decisão de concentrar o pagamento apenas em dezembro agrava ainda mais a questão. Quando a Copa termina em julho, os clubes já estão há um mês sem receber qualquer compensação pela privação dos atletas. O fluxo de caixa fica prejudicado durante meses, justamente quando os clubes lidam com despesas de repatriação, recuperação de lesões e replanejamento de campanhas.
Para o Flamengo especificamente, essa defasagem significa que uma receita anunciada como R$225 mil por dia será creditada apenas ao final do ano — meses após o torneio. Em um cenário onde a gestão financeira é crítica, o atraso operacional representa também um atraso estratégico.
A crítica de Bap não é isolada no futebol global. Presidentes e dirigentes de outros clubes europeus e sul-americanos também veem a política da FIFA como insuficiente. Porém, a falta de unidade entre os clubes — justamente o ponto levantado pelo presidente rubro-negro — impede ação coordenada que pudesse pressionar por ajustes.

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