Bap detona recuperação judicial do Botafogo e cobra punição a SAFs

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, detonou publicamente a recuperação judicial da SAF do Botafogo durante evento do Comitê Brasileiro de Clubes nesta quinta-feira (23). O presidente do Flamengo não apenas criticou a decisão do rival, mas cobrou mudanças estruturais no modelo de Sociedade Anônima do Futebol no Brasil, exigindo punições severas para investidores que não cumprem compromissos financeiros.

A fala de Bap veio poucos dias após o Botafogo protocolar, em 22 de abril, o pedido de recuperação judicial junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O clube está enterrado em dívidas — R$ 2,753 bilhões no total, sendo R$ 1,643 bilhão de curto prazo, ou seja, vencimento em até 12 meses. Para o presidente rubro-negro, o cenário expõe uma falha grave no funcionamento das SAFs.

“Entendo que o modelo da SAF no Brasil precisa ser revisto. Nesse caso específico, quando esta SAF foi constituída a dívida era da ordem de 700 milhões de reais, salvo engano. Hoje pelo que se lê a dívida é três vezes e meia esse valor”, disparou Bap. Ele prosseguiu apontando a contradição central: “Você não cobriu a dívida antiga e fez mais 1 bilhão e tanto de dívida, e agora tem um pacote único de reformulação”.

Bap defende limite e penalidades para investidores em SAFs

A crítica do presidente não se limitou ao Botafogo. Bap usou o momento para defender uma reforma mais ampla do sistema de SAFs no futebol brasileiro. Segundo ele, o modelo precisa de mecanismos de controle e consequências para quem descumpre obrigações.

“SAF é um mecanismo importante, mas tem que ter limites, obrigações. Não pode simplesmente dar crédito pra quem vai colocar dinheiro no clube e não cumprir com nada e sair ileso nisso”, afirmou o presidente. Ele reconheceu que existem cases de sucesso — Red Bull e Bahia foram citados como exemplos de investidores que honram compromissos — mas alertou que o modelo precisa punir severamente quem não cumpre.

“O dinheiro que vem para ajudar e cumprir os compromissos é bem-vindo, o que não é tem que ser punido de maneira severa. Não pode criar mecanismos que possibilitem esse tipo de situação”, completou Bap, deixando claro seu entendimento de que a recuperação judicial do Botafogo representa exatamente o cenário que deve ser evitado.

A declaração ocorre em momento estratégico para o Flamengo. O clube lidera também uma frente contrária à tributação de associações sem fins lucrativos em comparação com as SAFs, entendendo que as Sociedades Anônimas levam vantagem nas cobranças de valores. Nesta quinta-feira, Bap participava de evento do Comitê Brasileiro de Clubes justamente para discutir essas questões de regulação e equidade competitiva.

A situação do Botafogo, do ponto de vista institucional, é dramática. Ao protocolar o pedido de recuperação judicial, a SAF botafoguense pediu também a suspensão temporária do direito de voto do acionista majoritário, alegando que este vinha obstruindo a chegada de novo capital ao clube. A medida configura um embate interno onde o investidor principal — que prometia sanar as dívidas — não conseguiu cumprir o objetivo que motivou sua entrada.

Para Bap, esse é precisamente o problema que o sistema deve evitar. Se uma SAF recebe aval para assumir um clube com dívida histórica, o esperado é que o capital injetado resolva o problema, não que o amplifique. No caso botafoguense, a dívida triplicou em pouco tempo, e agora o clube busca proteção judicial para reorganizar seus passivos enquanto protege o projeto esportivo.

A crítica do presidente rubro-negro não é isolada no futebol brasileiro. Outras entidades e presidentes de clubes também têm questionado a eficácia real do modelo de SAF, especialmente quando investidores não conseguem entregar as promessas financeiras. A recuperação judicial do Botafogo serve como case de estudo de como a estrutura pode falhar.

Bap encerrou sua fala reafirmando a posição do Flamengo: o Brasil precisa aprender com o exemplo do Botafogo. O Mengão segue estruturado como associação, e o presidente usa essa condição para questionar por que as SAFs recebem tratamento tributário diferenciado se não conseguem cumprir objetivos que justificariam tal vantagem. A mensagem é clara: regras e punições precisam mudar antes que novos Botafogos surjam no futebol brasileiro.