Luiz Eduardo Baptista confirmou, nesta quinta-feira, o interesse do Flamengo em Danilo. Mas o presidente deixou claro que o volante do Botafogo não está no topo da lista de prioridades do Mengão. É um belo jogador, reconheceu Bap, mas existem outras necessidades no elenco que seriam prioritárias neste momento.
A declaração chega em uma semana marcada por críticas do mandatário a modelos de gestão de algumas SAFs no futebol brasileiro. Bap não poupou palavras ao comparar certos projetos a “SAF de safadeza”, em referência a gestões que, segundo ele, carecem de seriedade e exposição de resultados ruins.
“Porque há gestões que são muito sérias e que entraram para montar empresas estruturadas no Brasil, e tem gente que a gente acabou vendo que não era tão séria, com os resultados que estão expostos”, afirmou o presidente a Venê Casagrande, continuando: “Há alguns modelos por aí que parecem mais ‘SAF de safadeza’ do que um negócio sério. Se o futebol brasileiro tiver o fair play financeiro, as SAFs terão que se ajustar”.
Vasco e Botafogo já foram alvo de críticas similares de Bap no passado. O cruzmaltino precisou acionar a Justiça para tirar o clube das mãos da empresa 777. Já o time do Engenhão segue enfraquecido pela gestão de John Textor, cujos problemas financeiros e administrativos marcam presença constante nas discussões sobre SAFs brasileiras.
A estratégia de mercado: poucos, mas certos
Bap detalhou a estratégia do Flamengo para a janela que se abre em 22 de julho. O clube não busca ampliar o elenco em quantidade. “Não queremos 30 jogadores, mas sim 2 ou 3. E não queremos um jogador, mas sim O jogador”, explicou o presidente. Esse jogador específico, segundo ele, leva mais tempo para ser identificado e acertado.
O dirigente citou precedentes bem-sucedidos. “Como foi Gerson, Pedro, Paquetá”, exemplificou, referindo-se a contratações que deixaram marca profunda no clube. A ideia é evitar decisões baseadas na ansiedade do torcedor ou na pressão do momento. “As pessoas estão num nível de ansiedade como se o elenco da gente fosse uma merda e os recursos fossem infinitos. O elenco do Flamengo é ótimo, não estamos desesperados e não vamos pagar qualquer preço, porque não somos burros”, afirmou com firmeza.
Dentro dessa postura cautelosa, o trabalho de José Boto ganha relevância. O diretor de futebol tem buscado nomes como Yan Diomandé, zagueiro da Costa do Marfim pelo RB Leipzig com avaliação de 99 milhões de euros, e Antonio Nusa, além de monitorar oportunidades como a de Marcos Leonardo, que está em processo de saída do Al-Hilal. Boto alertou que a valorização pós-Copa de 2026 pode encarecer as negociações, justificando a urgência em projetos bem estruturados.
Política de vendas: reposição como regra
Bap também detalhou a política de vendas do Mais Querido. O clube recusou uma sondagem por Emerson Royal. A razão foi direta: onde está o lateral para repor o Royal? “Eu pego 9 milhões de euros, mas qual lateral eu compro no Brasil hoje?”, questionou o presidente, indicando que a Nação rubro-negra tem expectativa enorme no desenvolvimento de Daniel Sales, que vem sofrendo com contusões.
“O Flamengo precisa vender jogadores? Não. É importante vender? Sim. A situação financeira do Flamengo permite”, acrescentou, colocando a questão em perspectiva realista.
Everton Araújo, por sua vez, virou praticamente intransferível. Bap foi categórico: mesmo que chegassem ofertas de 10, 15 ou até 20 milhões de euros, não venderia sem ter quem o substitua adequadamente. “Se a resposta for não, se a reposição custar 15 ou 20, eu estou trocando 6 por meia dúzia. A venda de qualquer atleta é possível desde que faça sentido econômico e que a gente consiga repor sem perder dinheiro”.
A avaliação de Boto, por fim, recebeu elogios explícitos de Bap. “Eu avalio o trabalho dele como um ótimo trabalho. Ele fez as maiores vendas históricas do Flamengo. Vendeu 82 milhões de euros em um ano. Trouxe Jorginho, Danilo, Lino, Paquetá, bicampeão carioca, campeão do Brasileirão, Libertadores”, listou o presidente. Reconheceu falhas, mas destacou o balanço positivo. “O trabalho do Boto é excepcional até agora”, finalizou, consolidando a confiança na condução do diretor.

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