Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, afirmou que os preços dos ingressos no Maracanã não afastam a torcida, contrariando reclamação frequente entre torcedores da arquibancada. Para o mandatário, a média de frequência elevada no estádio comprova que os valores cobrados não funcionam como barreira de acesso.
—Se o ingresso é tão caro, a média de frequência não seria tão alta. A diretoria acha que o valor cobrado não afasta. Até porque o clube hoje está na televisão em todos os cantos—, afirmou Bap, destacando que o cenário atual difere radicalmente dos anos 1970.
O presidente citou exemplos históricos para sustentar seu argumento. Flamengo disputou a Libertadores com apenas 12 mil a 15 mil pessoas presentes, mesmo com astros como Zico e Júnior em campo. Para Bap, essa realidade demonstra que reduzir o preço da entrada não garantiria lotação automaticamente.
—É uma utopia achar que, caso a entrada fosse mais barata, a praça esportiva lotaria. Não é verdade. Isso a gestão faz em uma série de testes—, reforçou o mandatário, que trabalha para expandir a média de público de 53 mil para 58 mil torcedores.
Os custos que pesam no bolso do Flamengo
Um ponto central na defesa de Bap é a taxa cobrada pelo Rio de Janeiro para que o Mengão atue no Maracanã. Segundo o presidente, a federação carioca cobra 10% da renda de bilheteria, taxa significativamente superior à cobrada em outros estados. O São Paulo paga 5% à sua federação, enquanto o Internacional paga apenas 2%.
—Sabe qual é a federação que cobra mais caro de um público seu para jogar no estádio? É o Rio de Janeiro, certo? Eu pago 10% do que eu tenho na venda para atuar lá, o Internacional paga 2%, o São Paulo paga 5%, eu pago 10%—, justificou Bap durante participação no podcast Market Makers.
Esse diferencial de arrecadação impacta diretamente na formação de preço dos bilhetes e é um dos fatores que explicam os valores cobrados aos torcedores do Mais Querido.
Flamengo Sem Fronteiras como resposta aos custos
Diante das críticas sobre valores dos ingressos, o clube criou o programa Flamengo Sem Fronteiras. A iniciativa permite que torcedores paguem R$ 18,91 para ter acesso à plataforma de compra de entradas. Esse modelo de filiação busca democratizar o acesso enquanto gera receita adicional para cobrir despesas operacionais no estádio.
A medida reflete a estratégia da atual administração de expandir o público mantendo o equilíbrio financeiro. A Confederação Brasileira de Futebol registra que a média de público do Mengão está entre 57,9 mil e 60,4 mil torcedores por partida. Esse número supera significativamente os 53,8 mil presentes por duelo em 2024, na gestão anterior de Rodolfo Landim.
O crescimento na frequência do público acontece apesar dos preços praticados, o que reforça o argumento de Bap de que os valores não funcionam como impeditivo efetivo de comparecimento.
Próximo teste no domingo contra o Vitória
O Flamengo enfrenta o Vitória neste domingo, 9 de agosto, às 19h30, pela 22ª rodada do Brasileirão, no Maracanã. O duelo será transmitido por SporTV e Premiere. Arrascaeta já convocou a torcida rubro-negra para apoiar o time, com a mensagem “Domingo é um novo começo” nas redes sociais, buscando recuperação após o empate recente com o Internacional.
A partida é vista como passagem obrigatória antes das oitavas de final da Libertadores contra o Cruzeiro, reforçando sua importância dentro do calendário da temporada. A torcida do Mengão terá a oportunidade de colocar em prática seu apoio, testando na prática se de fato os preços cobrados pelo clube não representam barreira significativa de comparecimento.
As vendas de ingressos foram abertas para sócios a partir de 22 de julho e para o público geral a partir de 27 de julho. Os valores variam entre R$ 30 e R$ 700, dependendo do setor escolhido, com algumas áreas alcançando R$ 220 para o público geral no Oeste Inferior.

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