Aliterações e redundâncias
Concordo com o que tem sido dito pelo jornalista Mauro Cézar, nosso ranzinza, mas sincero, flamenguista: o principal problema do Flamengo atualmente não reside apenas no desempenho do treinador ou dos jogadores, mas, sobretudo, na condução do departamento de futebol pela gestão de Luiz Eduardo Baptista (Bap) e José Boto.
Como eu disse na última coluna, o Flamengo não melhorou em nada com a mudança de comando técnico havida em março. Ao contrário: piorou em todos os setores. Saiu Filipe Luís, nosso flamenguíssimo e jovem treinador, e entrou o compatriota do Boto, Leonardo Jardim, que havia feito, com justiça, um bom trabalho no Cruzeiro.
A falta de gestão começou antes da troca de treinadores, quando foi adotado um planejamento de utilização da equipe sub-20 no Campeonato Carioca, sem provisionar o risco de eliminação precoce que o torneio estadual, bem mais enxuto, certamente teria – eliminação que levaria o clube a disputar o quadrangular do rebaixamento, algo que, por si só, já seria vergonhoso.
No final das contas, conseguimos trocar o pneu com o carro andando e saímos campeões da bagaça rural, o que não significa muito, pois “Flamengo campeão carioca” é praticamente uma redundância como “subir para cima”, “fatos reais” e “surpresa inesperada”, se bem me lembro das aulas de língua portuguesa da Prof. Tereza, no Ensino Médio.
Além da condução do futebol, também merece crítica o planejamento esportivo da gestão Bap/Boto. É nítido que nosso elenco apresenta carências em determinadas posições que nem de longe parece que vão ser supridas, pois a diretoria concentra suor em reforços que não representam as necessidades mais urgentes da equipe. Ora, onde está a coerência entre diagnóstico e execução? A meu ver, precisamos urgente de novos laterais, nos dois lados. Precisamos, também, de um zagueiro e de um centroavante. Juninho Xereca até me parecia um bom substituto para o Pedro, em que pese a enorme distância técnica entre ambos. Mas foi dispensado. Ele fazia seus golzinhos, que é a função precípua de qualquer atacante, esta curiosa posição futebolística em que o sujeito pode defecar a partida inteira, mas, se fizer um gol no final e seu time vencer, está remido (situação oposta vivem o zagueiro e o goleiro, mas isso é outro assunto).
Mais recentemente, a gestão Bap/Boto perdeu um enorme tempo tentando trazer Thiago Almada, que acabou optando pelo River Plate, sendo que, antes, o papo envolvia outro ex-botafoguense, o Danilo. E eis que ressurgem os esforços para a vinda de Luiz Henrique (até prefiro). Dá para confiar que a novela terá um final esperado ou se tornará mais um roteiro abruptamente cancelado, como, inclusive, começou a ser noticiado na manhã de hoje? O valor oferecido pelo Zenit já teria subido para 35 milhões de euros (R$ 207 milhões), algo que, francamente, acho muito caro, mesmo para os “padrões do Boto”: jogadores caros, em valores astronômicos e ainda deixando vácuos deficitários no elenco.
Agosto já chegou, estamos em duas das três principais competições e, em uma delas, correndo atrás. Fauna, flora e folclore; Bap, Boto e bagunça.
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.