Bap propõe extinguir vice-presidências e criar Conselho Gestor no Flamengo

Luiz Eduardo Baptista enviou ao Conselho Deliberativo uma proposta para eliminar as vice-presidências do Flamengo e criar um Conselho Gestor de até 13 membros nomeados pelo presidente. A mudança, batizada de “emenda do profissionalismo”, marca uma reorganização profunda na estrutura administrativa do Mais Querido, concentrando em um órgão colegiado decisões que hoje passam pela estrutura de vice-presidências.

A proposta surge em um contexto em que o Mengão já vem operando a gestão do futebol em modelo de diretoria profissional. José Boto atua como diretor nessa área sob o comando de Bap, enquanto Marcos Braz ocupava a vice-presidência de futebol na administração anterior, liderada por Rodolfo Landim. A mudança reflete uma aposta na profissionalização dos processos internos.

Segundo o texto elaborado pela equipe presidencial, o Conselho Gestor seria composto pelo presidente, vice-presidente e até 13 membros “livremente nomeados pelo presidente para exercício de um mandato de três anos, dentre os associados Grande-Beneméritos, Beneméritos, Eméritos ou Proprietários”. Cada mandato duraria exatamente três anos.

Conselho Gestor: atribuições e responsabilidades

A proposta estabelece que o novo conselho assumiria responsabilidades que hoje se dividem entre as vice-presidências. Ele teria poder para avaliar e deliberar sobre balancetes, orçamentos, execução trimestral do orçamento e questões administrativas centrais. Além disso, ficaria responsável por deliberar sobre a contratação e demissão do diretor-geral e dos diretores de departamentos do clube.

O documento prevê que o Conselho Gestor seria “o Poder colegiado responsável pela direção estratégica e supervisão do Flamengo, interligando a gestão profissional do clube e seus associados”. O texto reforça que seus membros agiriam “sem ingerência nas atividades operacionais”, dedicando-se a apoiar e supervisionar continuamente a gestão de todos os departamentos em relação à estratégia, metas, indicadores de resultado, processos, organização, riscos e pessoas.

A atuação dos nomeados estaria “pautada nos princípios de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa”, segundo redação da proposta. O objetivo declarado é reforçar a prestação de contas e garantir maior eficiência administrativa.

Essa estrutura reflete uma tendência mais ampla de profissionalização adotada por Bap desde sua chegada ao clube. Em declarações anteriores, o presidente argumentou que limitações orçamentárias forçam decisões mais criteriosas na administração. O Flamengo faturou cerca de R$ 2 bilhões em 2025 e recebeu R$ 612 milhões com direitos de TV no período, números que balizam suas operações internas.

Mudança radical no modelo administrativo

A extinção das vice-presidências representa uma ruptura com a estrutura tradicional do Mengão. Sem os vices, cada pasta do clube seria comandada por diretores remunerados e profissionais, modelo que já vem sendo testado na gestão do futebol com José Boto. A mudança visa concentrar poder de decisão em um órgão colegiado em vez de distribuir entre múltiplos vice-presidentes.

O presidente do Flamengo manteria a responsabilidade de nomear todos os 13 membros do Conselho Gestor, além de participar diretamente dele. Essa centralização de poder na nomeação reflete a vontade de Bap em manter controle sobre as grandes decisões administrativas do clube, ao mesmo tempo em que as legitima através de um conselho composto por sócios de diferentes categorias.

A proposta agora segue para votação no Conselho Deliberativo, onde precisará de aprovação para ser implementada. A aprovação exigirá mudanças no estatuto do clube e representa uma das maiores reformas administrativas do Flamengo nos últimos anos, refletindo a visão de profissionalização que marca a gestão de Luiz Eduardo Baptista.